Inhotim – Diário de Viagem

Roteiro detalhado com fotos de nossa viagem até Inhotim, essa mistura de museu e jardim botânico, que é o maior museu a céu aberto do mundo e uma das atrações 5 estrelas do Guia 4 Rodas. 

Dicas sobre Inhotim: quantos dias, o que fazer, como chegar, onde ficar. 

Nossa viagem começa em Belo Horizonte, de onde fizemos uma viagem de 1 dia até Brumadinho, cidade próxima a Inhotim. Comentários são importantes para o meu trabalho e dúvidas serão respondidas com prazer. 

Conheça Inhotim: um paraíso de arte e natureza no estado de Minas Gerais

Diário de Viagem – Inhotim/MG

As palmeiras e os lagos de cores incríveis fazem parte dos jardins do Inhotim



Até alguns meses atrás, eu nunca tinha ouvido falar de Inhotim. Mas vi algumas fotos, algumas informações, e o lugar começou a me conquistar. Ainda assim, ficava intrigado de nunca ter ouvido falar dele.

No Guia 4 Rodas, o Instituto Inhotim é um dos poucos museus 5 estrelas do Brasil. E o guia justifica: “nada no mundo se compara a Inhotim”. Foi no site do Guia, em postagem recente, que peguei uma série de informações sobre o local. E um amigo também tinha ido visitar, então aproveitei para pegar algumas dicas.

Outra via de conhecimento interessante foi uma campanha institucional, chamado Síndrome de Stendhal. A síndrome teria acontecido com o escritor francês Stendhal (“O Vermelho e o Negro”), que sofria de palpitações, falta de ar e até desmaios em contato com as obras de arte da Galeria Uffizzi, em Florença. Ou seja, o excesso de arte e beleza podia até fazer mal.

A melhor forma de conhecer Inhotim é ficando em Belo Horizonte, que fica a cerca de 1 hora de distância (para quem vai de carro) ou 1h40 para quem vai de ônibus (devido ao pinga pinga em algumas cidades no caminho).

A cidade mais próxima de Inhotim, no entanto, é Brumadinho, mas não possui boa infraestrutura turística.


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Na realidade, conforme conversei com um taxista de lá, como fazem 6 anos que Inhotim foi criado, o lugar tem modificado a cidade de Brumadinho, mas as mudanças ainda não são significativas. Existe até um projeto de que o acesso não passe pela cidade de Brumadinho, já que nos períodos de alta temporada, a cidade fica intransitável devido ao movimento gerado pelo público do instituto.

Como Chegar

Para quem vai de ônibus de Belo Horizonte, que era o nosso caso, a empresa Saritur possui saídas diárias para Inhotim (exceto às segundas-feiras, quando o museu não abre), às 9h10 da manhã. Como o lugar abre às 9h30, e o ônibus leva 1h40 para chegar, pegar o ônibus às 9h10 significaria chegar um pouco mais tarde, então optamos por pegar um ônibus para Brumadinho e de lá pegar um táxi até Inhotim. O primeiro ônibus para Brumadinho, também da Saritur, sai às 7h da manhã.


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INT. HOTEL SÃO BENTO – MADRUGADA

Acordamos às 5h30 da manhã, em nosso hotel em Belo Horizonte, o Hotel São Bento. Apesar de localizado numa região não muito aprazível da cidade, o hotel está passando por reformas, e pegamos um quarto recém-formado, bem confortável. A vantagem é que o hotel está a apenas alguns metros da rodoviária, ou seja, estavámos bem pertinho para pegar o ônibus para Brumadinho.

Outra vantagem foi que o café da manhã começa a ser servido às 6h, o que nos permitiu fazer essa refeição antes de sair do hotel. Depois do café relativamente rápido, às 6h40 chegamos na rodoviária. Para agilizar o procedimento, havíamos comprado a passagem no dia anterior.

INT. RODOVIÁRIA DE BELO HORIZONTE – DIA

O ônibus da Saritur para Brumadinho não possui ar condicionado, mas o calor não estava assim tão insuportável, janelas abertas já bastavam para refrescar.

O engraçado é que o funcionário pega sua passagem na entrada do ônibus e depois ainda vem rabiscar sua passagem e depois ainda pede a passagem na saída. Haja controle. rs.

INT. ÔNIBUS PARA BRUMADINHO – DIA

No trajeto, um pinga pinga danado, o ônibus circula a maior parte do tempo por ruas e não por uma estrada, pegando e desembarcando passageiros pelo caminho. Por isso, a viagem acaba demorando bem mais do que para quem vai de carro.

Afinal, chegamos em Brumadinho às 8h40.

EXT. CIDADE DE BRUMADINHO – DIA

Rodoviária de Brumadinho, uma cidade simples
com pouca infraestrutura turística

Ô ônibus estaciona na rodoviária, que fica em frente a um coreto. A alguns passos de distância, existe um ponto de táxi, que era uma das minhas preocupações, pois já cheguei em cidades muito pequenas em que é difícil encontrar um táxi.

Como chegamos bem mais cedo do que o horário de abertura do museu, às 9h30, resolvemos dar uma volta na cidade, mas encontramos muito pouco para fazer. Encontramos um mercadinho onde compramos um pacote de bolachas e água. Numa padaria em frente, até pensamos em tomar um café, mas o ambiente era quase um boteco, então desistimos.

Na realidade, como quem vai de carro provavelmente não faz essa parada em Brumadinho, e quem vai de ônibus pega o ônibus direto para Inhotim, imagino que o fluxo de turistas não seja muito grande.

Afinal, pegamos um táxi que nos levou até Inhotim por R$ 18,00. A distância não é lá muito grande, cerca de 6 km, ou seja, apesar da cidade não possuir infraestrutura, o potencial de exploração turística já está ativado.

EXT. ENTRADA DO INSTITUTO INHOTIM – DIA

Recepção do Instituto Inhotim

O taxista nos deixou no estacionamento, mesmo lugar onde para o ônibus da Saritur. De lá, caminhamos por uma alameda cercada de bela vegetação, que já nos deu uma indicação do que estava por vir.

Os funcionários também estavam chegando naquele momento. Esperamos cerca de 30 minutos até a abertura.

Aos poucos, começaram a chegar mais pessoas, e às 9h30 já havia cerca de 30 pessoas aguardando.

Na bilheteria, alguns funcionários muito eficientes fazem a venda dos ingressos, no domingo por R$ 28,00, mas em dias de semana custa R$ 20,00 e às terças-feiras a entrada é grátis. 

Também é possível comprar o acesso a um transporte interno (R$ 20,00), que facilita o acesso aos pontos mais distantes. Dependendo do que você comprou, eles dão uma pulseirinha de uma cor.

O transporte interno é ideal para os mais preguiçosos ou aqueles que querem conhecer mais
obras de arte em menos tempo, em virtude da distância entre algumas obras, que pode chegar a 700 m

Apesar da vantagem óbvia dos carrinhos que permitem o transporte interno, que é a de chegar mais rápido a todas as obras do museu (algumas ficam distantes), os carrinhos só comportam 6 pessoas, e vimos algumas pessoas não conseguindo tomar o transporte por causa da lotação. Ainda assim, como não fizemos essa opção, acabamos perdendo a oportunidade de conhecer algumas obras, que eram distantes e a caminhada, debaixo de sol forte, não seria muito agradável.

Portanto, pagar ou não pelo transporte interno depende de seus objetivos: se você quer conhecer tudo, o transporte é essencial. Se você não faz questão de ver todas as obras, e prefere caminhar livremente pela região, dispense o transporte, mas tenha ciência que você não conseguirá ver tudo em um único dia. 

EXT. INHOTIM, O JARDIM BOTÂNICO – DIA

De início, o que logo nos chamou a atenção foi o projeto paisagístico do Instituto. O espaço é extremamente bem cuidado e nunca monótono. Diversos tipos de vegetação, flores, lagos, caminhos, recantos para descansar, os espaços convidam ao relaxamento e à contemplação.

Uma de nossas primeiras visões ao chegar em Inhotim foi desse belo lago, cercado de uma exuberante vegetação

O roteiro que vocês verão a seguir foi o nosso caminho, mas logicamente cada um faz o seu próprio caminho, e são vários. As fotografias procuram trazer um pouco da beleza de Inhotim, mas estar lá pessoalmente é uma experiência sensorial e intelectual que vai além do relato ou das fotografias. No Inhotim, cada espaço é único, para que cada experiência do visitante também o seja.

Para nós, cada novo caminho era um convite a uma fotografia. O interesse pelos jardins sobrevive até mesmo sem a presença das obras de arte, razão pelo qual é injusto classificar o Inhotim apenas como um museu, mas também como um jardim botânico, pela incrível quantidade e diversidade da vegetação.

“Ao todo, são mais de 4.700 acessos, representando 181 famílias botânicas, 953 gêneros e pouco mais de 4.200 espécies de plantas vasculares. Tamanha diversidade faz do Inhotim um espaço único, com a maior coleção em número de espécies de plantas vivas dentre os Jardins Botânicos brasileiros.” (Fonte: www.inhotim.org.br)

Os espaços se alternam entre os maiores, geralmente ornados por belos lagos de cor esverdeada, alamedas de palmeiras ou grandes caminhos de pedra cercados por campos de flores; ou espaços mais reservados, como pequenos recantos com bancos de formas variadas (espalhados por vários pontos, permitem paradas agradáveis para descanso) ou até mesmo mesmo mesas e cadeiras para descansar numa gostosa sombra.

Sentar e contemplar a paisagem é sempre uma boa opção
Vasos suspensos fazem um interessante espaço de inserção na natureza
Diversos bancos para sentar e bebedouros permitem momentos essenciais de descanso
Campos floridos também são encontrados, mas o projeto paisagístico procura inovar
Até na forma dos bancos para sentar, o Inhotim procura a diversidade, as formas nunca se repetem

Depois de uma grande alameda de palmeiras, tangenciada por um lago belíssimo, encontramos uma praça com diversas árvores e logo a seguir o Restaurante Tamboril, o restaurante mais caro do complexo.

O Instituto conta com várias opções de alimentação, que vão desde o sofisticado Tamboril até o uma simples lanchonete, com opções de salgados para enganar a fome. O restaurante Oiticica oferece comida, por cerca de R$ 50,00 o quilo. Todos os restaurantes e lanchonetes oferecem wi-fi gratuito, mas nem em todos conseguimos acesso. 

Espaço do restaurante Tamboril tem uma admirável vista para o verde e para as obras de arte, como
essa escultura de Edgard de Souza

Próximo ao restaurante, encontramos as obras de Edgard de Souza e o jardim suspenso.

Edgard de Souza São Paulo, 1962; vive em São PauloSem título, 2000
Sem título, 2002
Sem título, 2005

Bronze Bronze Bronce

Agrupadas pelo artista sobre uma mesma base elíptica de concreto, as três esculturas de  Edgard de  Souza  aqui  reunidas  são  apresentadas  juntas  pela  primeira vez  em Inhotim. As  esculturas são parte  de  uma  série em  bronze fundido, que  inclui  outras peças e foi desenvolvida pelo artista ao longo da década  de 2000.  Elas representam uma figura masculina nua baseada no corpo do próprio artista e poderiam ser consideradas autorretratos, não fosse a ausência do principal elemento de identificação de  um  retrato:  o  rosto.  Articuladas  numa  elegante  disposição linear,  as  esculturas sugerem, num primeiro momento a leitura de um movimento contínuo, que se revela, numa observação mais detida, como fragmentado e sem uma óbvia relação de causa e  efeito  entre  cada  uma  das  poses.  Estas  são  impossíveis e  abstratas,  sugerindo tanto  pulsão  quanto  introspecção, mas  também  fragmentação  e  fusão  de  corpos.

Desde o final dos anos 80,  Edgard de Souza vem construindo um conjunto de obras marcado por uma qualidade artesanal e um ritmo lento de produção que se destaca da  escultura  contemporânea   de  grande  escala.  Em  suas  esculturas  de  bronze,  o artista obtém uma superfície lisa e uma grande precisão nas formas, a partir de  um primoroso    processo     de     desbaste     executado     pelo    próprio    em     blocos    monolíticos de gesso e que confere às obras um aspecto nobre e sedutor.  A história da arte e as questões ligadas à corporeidade e à auto-representação  têm norteado a sua produção. Aqui,  de  certa  forma,  o  artista revisita a  tradição da  estatuária  retratista de  bronze, que  povoou  os  jardins e  espaços  públicos europeus  entre  os  séculos  XVII   e  XIX. (Fonte: www.inhotim.org.br)

EXT. GALERIAS MATTA E TRUE ROUGE – DIA

Depois de um vasto contato com a natureza, encontramos um outro lago, rodeado por duas galerias, a Galeria Matta e a Galeria True Rouge.

Portanto além da experiência natural, a experiência artística também é essencial no Inhotim. Por um momento, acreditei que os espaços de natureza e botânica poderiam ofuscar, por sua opulência e beleza, os espaços artísticos. Mas depois penso agora que essas alternâncias permitem uma renovação do olhar, ou seja, depois de muito verde, Inhotim traz uma experiência nova, uma obra de arte contemporânea, esquisita, diferente, que faz pensar. Quando voltamos para o espaço aberto, voltamos com um olhar diferente.

Infelizmente, não é possível fotografar dentro das galerias. Em todas elas, existem monitores que orientam sobre alguns procedimentos básicos, como não tocar as obras (não interativas) e não fotografar.

Na região das galerias Mata e True Rouge

Após a galeria True Rouge, com uma instalação de Tunga repleta de objetos vermelhos, encontramos uma lanchonete, para um café, um salgado ou um refrigerante.

True Rouge 1997, Tunga
Técnica mista Mixed mídia

Desde meados dos anos 1970, Tunga cria obras de um imaginário exuberante em desenho, escultura, instalação, filme, vídeo e performance. Seu impulso multimídia está associado a uma compreensão da arte como campo multidisciplinar, em que filosofia, ciências naturais e literatura andam ao lado das artes visuais; trata-se de compreender as ações físicas de uma obra como parte do pensamento sobre ela, evitando-se a dissociação entre teoria e prática de um mesmo fenômeno. Não raro, para o artista é importante também ultrapassar os limites entre ciência e fantasia, realidade e ficção, resultando na criação de uma mitologia própria. Em vários de seus trabalhos, o artista contrata performers para realizar algo parecido a rituais performáticos, “inaugurando” a obra. Para denominar estas obras, prefere o termo “instauração” a performance ou instalação, que definiria de maneira mais satisfatória algo que, a partir daquele ato, começa a existir. True Rouge pertence a este grupo de trabalhos. Na instalação, atores nus interagiram com os objetos pendentes: recipientes que contêm um líquido viscoso, vermelho, que derramam sobre si e os vidros, remetendo aos ciclo vitais. O trabalho surge do poema que lhe dá título, escrito por Simon Lane e que descreve uma ocupação do espaço pelo vermelho, valendo-se de trocadilhos entre a língua inglesa e francesa. Os objetos que pendem do teto, unidos por estruturas interdependentes, aludem a um grande teatro de marionetes: uma escultura de manipulação, que, se valendo da gravidade, não chega, contanto, a tocar o chão. (Fonte: www.inhotim.org.br)

Links que me ajudaram a planejar a viagem:

Viaje na Viagem: http://www.viajenaviagem.com/2010/09/inhotim-o-melhor-passeio-que-voce-ainda-nao-fez/
Matraqueando: http://www.matraqueando.com.br/como-chegar-ao-inhotim

FICHA TÉCNICA:
Título: Inhotim
Direção: Brumadinho/MG
Produção: Fábio Pastorello
Roteiro: Belo Horizonte, Brumadinho e Instituto Inhotim
Elenco: Fábio Pastorello e Cleber Alcântara
Fotografia: Fábio Pastorello 
O melhor: o projeto paisagístico do lugar, recantos absolutamente criativos e belíssimos
O pior: algumas obras ficam muito distantes, então requer uso de transporte interno, cobrado a parte 
Duração: 1 ou 2 dias, dependendo do ritmo do visitante; mas 1 dia é corrido para conhecer tudo
Ano: 2013
País: Brasil
Gênero: Natureza, Arte
Avaliação: ★★★★★

© 2013 Fabio Pastorello. Todos os direitos reservados. A reprodução de textos e/ou imagens não é permitida sem prévia autorização do autor.
 
 
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10 comentários

  1. Fabio,
    Bom dia!
    Sou moradora de Brumadinho e queria lhe convidar para conhecer nossa cidade, cidade esta interiorana e acolhedora. Apesar pouca infraestrutura
    turística, Brumadinho oferece serviço de hospedagem confortável e
    com bons serviços. Além de estarmos a 51 minutos de Belo Horizonte e
    ainda é a cidade Brumadinho que abriga o instituto e não que Inhotim seja
    uma cidade independente, nos orgulhamos de ter o Inhotim e admitirmos a
    sua importância no cenário mundial, mas, ressalto que oferecemos outros
    atrativos artísticos e culturais, sobretudo suas raizes. Entao, convido-o a
    voltar em Brumadinho e conhecer suas riquezas.
    Respeitosamente um grande abraço e aguardo sua visita.
    Atenciosamente,
    Mere

  2. Inhotim está localizado em uma cidade cheia de atrações e cultura! Quem vier a Brumadinho para visitar o museu, vale a pena conhecer também as comunidades quilombolas da Sapé, Marinhos e Rodrigues… Conhecer as cachoeiras, os alambiques de cachaça e as plantações de mexerica (forte da região).

    E para quem procura um meio de hospedagem alternativo, temos um sítio que alugamos para turmas ou hospedes avulsos (no estilo albergue ou com com cafe e jantar incluso).

    Estamos em uma zona rural a 30km de Inhotim, mas para quem nos visita oferecemos uma experiência tipicamente mineira, com café da manhã feito dos produtos da região, apito de trem e as belas montanhas de Minas!

    Para conhecer: http://www.sitioafranopolis.com.br
    ou acesse nosso facebook
    http://www.facebook.com/sitioafranopolis.

    Obrigada!

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