O que fazer no Peru e Machu Picchu: Roteiro de 7 Dias

O que fazer no Peru e Machu Picchu em 7 dias, quais as dicas para aproveitar melhor essa que foi uma das nossas viagens mais incríveis e cinematográficas. Destino imperdível para todos os viajantes.

Foi absolutamente surpreendente. Por mais que tivéssemos ouvido falar do destino, a viagem superou nossas expectativas.

Principalmente porque antes de ir a gente achava que seria apenas conhecer a famosa cidade inca, uma das 7 maravilhas do mundo moderno. Na hora de planejar até achamos que 7 dias seria tempo demais.

Durante a viagem, foi um deslumbramento com todos os destinos, desde a capital Lima, passando pela histórica Cuzco e até mesmo a pequena e ainda inca Ollantaytambo. Faltou tempo para curtir melhor e explorar até outros destinos no Peru.

Peru Machu Picchu Dicas: Roteiro de 7 Dias

Como Chegar, Melhor Época, Onde Ficar, O Que Fazer

O que fazer no Peru Machu Picchu Dicas: Roteiro de 7 Dias
Paisagens cinematográficas esperam os viajantes em Machu Picchu

O que fazer no Peru em 7 Dias

Dia 1: Avião do Brasil para Lima e chegada de madrugada (pernoite em Lima)

Dia 2: Lima (pernoite em Lima)
Lima – O que fazer em 24 horas

Dia 3: Vôo para Cuzco e Tour pela Cidade (pernoite em Cuzco)
O que fazer em Cuzco

Dia 4: Passeio pelo Vale Sagrado e trem de Ollantaytambo para Águas Calientes (pernoite em Águas Calientes)

Dia 5: Machu Picchu (pernoite em Águas Calientes)
Trilha até o Huayna Picchu (Wayna Picchu)
Trilhas e a Ponte Inca

Dia 6: Águas Calientes e retorno para Ollantaytambo (pernoite em Ollantaytambo)
Uma noite em Ollantaytambo

Dia 7: Trem de volta a Cuzco e Sacsayhuaman (voo de retorno ao Brasil)

Outros Blogs
Sundaycooks Agência de Viagem do Peru: Qual você indica
Andarilhos do Mundo Peru além do básico: Maras e Moray

O que fazer no Peru Machu Picchu Dicas: Roteiro de 7 Dias

1 – Porque Conhecer

5 Razões para Visitar Machu Picchu e o Peru

  • Considerada uma das 7 maravilhas do mundo moderno, em votação organizada pelo New7Wonders (outros ganhadores foram o Cristo Redentor, o Coliseu e as Muralhas da China).
  • Machu Picchu passou anos escondida entre as montanhas, para ser redescoberta em 1911, e manteve-se conservada durante todos esses anos. Está entre os Patrimônios Culturais e Naturais da Humanidade, declarados pela UNESCO.
  • A arquitetura inca é incrível. Eles construíram uma cidade encravada nas montanhas, a 2.400 metros de altitude. Vale a pena fazer uma visita guiada para conhecer todas as curiosidades da arquitetura inca.
  • A região possui inúmeras outras belezas além de Machu Picchu. Numa região conhecida como Vale Sagrado, banhada pelo rio Urubamba, outros sítios arqueológicos como Pisac e Ollantaytambo são lugares que também merecem uma visita.
  • Finalmente, a beleza de cidades como Cuzco, em que a arquitetura inca e colonial se misturam, e a capital Lima também são destinos imperdíveis no Peru.

O que fazer no Peru Machu Picchu Dicas: Roteiro de 7 Dias

2 – Como Chegar

  • A principal entrada aérea para o Peru é pela sua capital Lima.
  • Na hora de comprar a passagem, porém, você pode escolher o destino Cuzco. O vôo fará normalmente uma escala em Lima. Só será preciso definir se você deseja ou não desembarcar e ficar hospedado em Lima ou ir direto para Cuzco.
  • Os vôos são operados pela Avianca, Taca, Lan e Tam.
  • A partir de Cuzco, existem trens diretamente para Águas Calientes.

O que fazer no Peru Machu Picchu Dicas: Roteiro de 7 Dias

3 – Quando Ir – Melhor Época

  • A melhor época para visitar Machu Picchu é quando chove menos, isso é, nos meses de maio a setembro. Segundo o site World Weather and Climate Information, os meses com menor precipitação são mesmo junho e julho.
  • Os meses com maior quantidade de sol também são de junho a agosto.
  • As temperaturas nesses meses, porém, são menores, mas a diferença não é muito grande.
  • Setembro é o mês com a temperatura mais quente. Foi justamente quando visitamos a região. É uma boa opção, pois está entre os meses mais secos (mesmo assim pegamos chuva em um dos dias), é o mês mais quente e também não é considerado tão alta temporada como julho e agosto.
  • Os piores meses são de dezembro a fevereiro. Em janeiro de 2010, uma das piores chuvas da região deixou isolados mais de 2 mil pessoas, causando deslizamentos e inundações provocadas pela elevação das águas do rio Urubamba.

4 – Onde Ficar

  • Para hospedar-se em Lima, considere o bairro de Miraflores. Ficamos no Hotel Casa Bella Miraflores e gostamos bastante. Bem localizado, confortável e pessoal simpático e atencioso.
  • Em Cuzco, também gostamos bastante do Best Western Los Andes de America, próximo da Plaza de Armas. Ficamos num quarto fantástico e enorme, o ambiente é tudo muito aconchegante e o café da manhã bem variado. Foi o hotel mais caro da viagem, mas valeu a pena.
  • Já em Águas Calientes (Machupicchu), não gostamos tanto do hotel e foi onde ficamos duas noites. O Hotel Wiracocha Inn tinha alguns problemas de aquecimento no chuveiro e o ambiente não era muito arrumadinho.
  • Outro pernoite que adoramos foi em Ollantaytambo,  um vilarejo que ainda preserva o estilo e as tradições incas. Ficamos num hotel que é um charme, o Kuychipunky Hostal.
  • Pesquise valores e disponibilidade nos links indicados no nome de cada hotel. Se você fizer uma reserva no Booking.com através desses links, estará colaborando com o trabalho do nosso blog e não paga nada mais por isso.

5 – O Que Fazer no Peru

  • Em Lima: não deixe de visitar a Plaza de Armas, o Shopping Larcomar, o Parque do Amor e o Circuito Mágico das Águas. Vale também visitar o Huaca Pucclana, um sítio arqueológico no bairro de Miraflores, bem diferente dos demais sítios do Peru. O lugar é feito com tijolos de areia, barro e argila. Nos demais, como em Machu Picchu, é tudo feito de pedra.
O que fazer no Peru Machu Picchu Dicas: Roteiro de 7 Dias
Os sítios em Lima são feitos de tijolos de areia, barro e argila, ao invés de pedras, como em Machu Picchu
  • Em Cuzco: você pode fazer um city-tour ou conhecer por conta própria. As duas opções são válidas. O passeio pela Plaza de Armas e suas duas igrejas talvez dispense um guia, bem como o Convento Koricancha. Mas Cuzco é tão cheia de história que eu acho que fazer acompanhado de um guia e saber mais da história do lugar é uma boa. O city-tour também leva em Sacsayhuaman (um pouco distante do centro, se estiver por conta é melhor ir de táxi).
O que fazer no Peru Machu Picchu Dicas: Roteiro de 7 Dias
A Plaza de Armas está no centro de Cuzco e é um dos lugares mais bonitos do Peru
  • Não fizemos, mas pelos posts do Andarilhos do Mundo ou do Sundaycooks também deve ser incrível visitar as salineras de Maras e as ruínas de Moray.
  • Pernoitar em Águas Calientes é uma boa. Pegue o ônibus bem cedinho e explore toda a cidade inca de Machu Picchu acompanhado de um guia local (na própria entrada você consegue). Subir até a montanha Huayna Picchu também é um desafio e uma vista maravilhosa. A trilha até Ponte Inca é fácil, rápida e também reserva paisagens incríveis.

Planejamento da Viagem

Quando comecei meus planos de viagem para Machu Picchu, achei que tudo parecia muito complicado. E de fato, essa foi uma das viagens de logística mais trabalhosa que já tive. Vários trechos aéreos, reserva de trens, compra de entradas através de agências de turismo no exterior, tudo foi um pouco trabalhoso.

Mas colocando na ponta do lápis, acabou representando uma boa economia em relação a fechar um pacote por uma agência de turismo. A economia pode girar em torno de R$ 1.000,00.

Por isso, é bom considerar ao decidir se você prefere viajar por pacote ou por conta própria. Obviamente, a escolha pelo pacote é muito mais confortável e segura, especialmente se você conhece e confia na agência de turismo. Agora se você está disposto a um pouco mais de trabalho do que habitual, isso irá compensar a economia que irá fazer.

Se você decidir fechar a viagem por conta, aí vão algumas dicas. As informações também valem caso você vá por alguma agência, afinal é sempre bom saber o que vai acontecer e o que esperar na sua viagem.

Machu Picchu – Como Chegar

De Cuzco, existem 2 opções de transporte para Machu Picchu. Existe uma opção que vai direto de Cuzco (na verdade, de um lugar a cerca de 30 minutos de táxi de Cuzco, chamado Poroy) até Águas Calientes, pela Peru Rail, que possui diversos tipos de trem.

Outra opção é pegar uma van de Cuzco para Ollantaytambo/Valle Sagrado (S/. 10,00) ou no passeio para o Valle Sagrado pedir para ficar em Ollantaytambo, que é um dos últimos lugares visitados no passeio.

Em Ollantaytambo, existem mais opções e horários de viagem. Viajamos pela Inca Rail, a partir de Ollantaytambo.

Sugerimos a leitura: Diário de Viagem: Uma Noite em Ollantaytambo

Como Comprar a Passagem de Trem

Para comprar os bilhetes, é preciso efetuar a reserva pelo site da Inca Rail e fazer o pagamento online (caso você tenha um cartão de crédito Verified by Visa, emitidos pelo Bradesco) e depois trocar o bilhete em Cuzco, na agência da empresa.

Caso não possua o cartão Verified by Visa, efetua a reserva e paga posteriormente, também na agência da Inca Rail no Peru.

Machu Picchu – Como Comprar o Bilhete

Dependendo da época que se vai, é preciso comprar o bilhete de entrada para Machu Picchu com antecedência. Agora há um limite de pessoas por dia para entrar no parque: 2500 pessoas. Caso esse limite se esgote, e você não tenha comprado o ingresso antes, não entra. Nos meses de julho e agosto (alta temporada), isso é bem fácil de acontecer.

O bilhete pode ser adquirido no site http://www.machupicchu.gob.pe/, só que eles não aceitam mais cartão de crédito, apenas pagamento via banco. Portanto, só consegui fazer a compra via uma agência de turismo peruana, efetuando uma transferência de dinheiro para lá via Western Union.

Achei o procedimento bem arriscado (transferi o dinheiro e só depois a agência providenciou a reserva), mas no final deu tudo certo.

Huayna Picchu (Wayna Picchu) – Como Reservar

Ao comprar o ingresso para Machu Picchu no site http://www.machupicchu.gob.pe/, é possível escolher também se deseja ir nas montanhas de Huaynapicchu ou Machu Picchu. É preciso pagar um pouco mais para ir nessas trilhas.

Para Huayna Picchu (ou Wayna Picchu), existe um limite de 400 pessoas por dia, portanto é preciso comprar com antecedência, mas dizem que a vista da Montanha Machupicchu é melhor, embora a trilha seja ainda mais longa e difícil do que Huayna Picchu.

Sugerimos a leitura: Trilha até Huyana Picchu

Machu Picchu - Dicas e Roteiros (Wayna Picchu)
Visual do alto de Huayna Picchu, a cidade inca de Machu Picchu fica lá embaixo

Enfim, achou complicado? Se quiser tire suas dúvidas, é só deixar um comentário aqui no blog que eu respondo.


ROTEIRO DIA A DIA

Dia 1 – Chegada no Peru

Dia 2 – Lima

Dia 3 – Cuzco

Não há vôos diretos do Brasil para Cuzco. É preciso fazer uma escala em Lima. O vôo de Lima até Cuzco leva cerca de 1h. De ônibus, infelizmente o percurso pode levar 20 horas.

Ao chegar no aeroporto de Cuzco, um taxista veio nos oferecer o táxi por S/. 25,00. Disse que não e saí andando. Ele me perguntou quando eu pagaria e eu disse, meio hesitante, S/. 15,00. Ele topou, mas me passou para outro taxista.

Para pegar táxi no Peru, assim como em Lima, é preciso negociar os preços com os taxistas. Considere que eles sempre irão cobrar mais um pouco, não custa nada pechincar.

Um outro homem apareceu, perguntou se era o Best Western Los Andes, eu disse que era um perto de uma igreja, ele confirmou e foi andando conosco até o táxi. Quem era aquele homem? Achei que era um funcionário do hotel.

Durante o trajeto, esse outro homem, extremamente simpático, forneceu diversas informações sobre a cidade e sobre as opções de passeio que teríamos por lá. Eu ainda estava achando a situação estranha. No caminho, o taxista ainda reclamou do preço de S/. 15,00, pelo táxi dele ser oficial, mas eu disse que não poderia aumentar, uma vez que foi o valor negociado.

Cuzco é a cidade vigente mais antiga da América, possui uma história de mais de 3000 anos, e foi capital do império Inca.

A bandeira inca, com as cores do arco-íris, é encontrada em diversas partes de Cuzco. Catedral ao fundo

Finalmente chegamos no hotel, fiquei aliviado. O taxista no deixou, mas o outro homem não. Nos acompanhou até uma mesa, já dentro do hotel, e começou a apresentar opções de passeio em Cuzco.

Finalmente veio a facada, ofereceu o passeio ao Vale Sagrado por S/. 90,00 almoço incluído (é possível encontrar na Plaza de Armas valores de até S/. 20,00 – sem almoço incluído) e o city-tour por S/. 35,00 (S/. 10,00 a S/. 15,00 é o preço normal).

Em Cuzco, existem duas opções básicas de passeio. A primeira é o city-tour que visita o Koricancha e os sítios arqueológicos em torno da cidade de Cuzco, tais como Sacsayhuaman, Qenko, Tambomachay, entre outros. É um pinga pinga, que é bom para conhecer todos os lugares, mas por outro lado pode ser muito corrido. Em geral, esse passeio sai no período da tarde, portanto dura apenas meio período, mas acho que seria melhor se fosse um passeio de dia inteiro. A outra opção é o passeio pelo Vale Sagrado, que visita os povoados de Pisac, Ollantaytambo e Chinchero. Esse é um passeio de dia inteiro.  

Com pressa e seduzido pela simpatia desse homem (o nome do sujeito é John Villafuerte Huanca e me deu um cartão de uma tal de Inti Punku Travel, cujo site informado no cartão não existe), que finalmente se apresentou como operador de viagens (não era funcionário do hotel), e pela possibilidade de ser uma pessoa de confiança (já que havia entrado no hotel conosco), barganhei um pouco. Tudo o que consegui foi um preço abusivo de S/. 85,00 para cada um de nós, para o Vale Sagrado.

A vantagem de contratar um pacote de viagem é que não é preciso se preocupar com esses detalhes, que empresa escolher, que passeio fazer, já está tudo preparado. É uma boa opção para aqueles que não gostam de planejar a viagem e pode ser bem menos estressante. 

Durante os próximos dois dias, me senti um trouxa. Como me deixei levar pela lábia desse guia de viagens e pagar um valor tão acima do normal, eu que costumo pesquisar tudo e que sou um viajante experiente. Enfim, aconteceu. Mas o pior ainda estava por vir.

Como eu tinha ciência que os preços eram caros, optei apenas pelo Vale Sagrado e resolvemos fazer o city-tour por nossa própria conta, que aliás preferimos pois fazemos no nosso próprio tempo.

Na recepção, chá de coca à disposição

Chá de Coca

Escolhi o hotel Best Western Los Andes de America porque queria um pouco mais de conforto e infraestrutura quando chegássemos em Cuzco, caso eu passasse mal por causa da altitude. Logo chegando, tomamos o chá de coca, que tem gosto de chá, nada especial ou diferente. Tomei sem açúcar mesmo.

Há duas opções, ou toma-se com o saquinho, ou pode-se colocar as folhas de coca diretamente na água quente. Fiz os dois. rs.

Como a região de Cuzco fica em região de altitude (mais de 3.000 metros), podemos sentir alguns efeitos colaterais, como enjôos, dor de cabeça e falta de ar. Tomei alguns comprimidos para esses males antes de chegar por lá, o que acho que minimizou os efeitos. Além disso, é bom tomar o chá de coca, que também tem efeitos positivos. 

Gostei muito do hotel, nosso quarto era gigantesco e com tudo o que poderíamos precisar e o que não precisávamos. Enfim, ótimas instalações, ótimos funcionários. Fomos rápidos e, ao contrário das recomendações, não descansamos, saímos direto para nosso city-tour pessoal e de grátis.

Plaza de Armas

Nosso hotel ficava bem próximo da Plaza de Armas, centro de Cuzco. Quando lá chegamos, lógico, começamos uma série de fotos com as igrejas da praça de fundo: a Catedral de Cuzco e a Compañia de Jesus.

Os dois prédios que dominam a Plaza de Armas de Cuzco, a Catedral e a Compañia de Jesus, são construções jesuítas, da época em que os espanhóis chegaram nessa região, nos idos de 1500. A mistura da cultura inca e da cultura espanhola está em toda parte pela cidade.

A Catedral foi construída com as pedras gigantes de Sacsayhuaman (complexo arqueológico próximo de Cuzco). A Compañia de Jesus foi construída em 1571 e possui estilo barroco.

O estilo barroco da Companhia de Jesus, localizada na Plaza de Armas

Koricancha

Depois de algumas fotos pela praça, fomos até a Igreja e Convento de Santo Domingo, ou Koricancha, como também é conhecida. Tinha um mapa de Cuzco em mãos, então fomos seguindo pelo caminho indicado, mas em determinado momento resolvemos aproveitar alguns grupos de excursão e seguí-los. A caminhada é curta, cerca de 10 minutos. O problema são as distrações no caminho.

Por exemplo, Cuzco é cheia de ruas de pedras, seja nas calçadas, ou nas paredes dos prédios. As pedras são a herança da arquitetura inca, mas em alguns prédios, estão sobrepostas por prédios de arquitetura colonial, completando a mistura com a cultura espanhola colonizadora.

As pedras são a herança inca ainda presente em Cuzco e, muitas delas, são originárias da fortaleza de Sacsayhuaman

Finalmente chegamos no Koricancha (entrada S./ 10,00, não incluso no Boleto Turístico).

Koricancha era um dos mais importantes espaços de adoração dos incas ao Deus sol (acredita-se que as paredes eram revestidas de lâminas de ouro), mas os espanhóis construíram a igreja e o convento de Santo Domingo sobre os muros de pedra inca, em 1534.

A História de Koricancha

Como vimos aqui e em Machu Picchu, os colonizadores não tinham muito (ou nenhum) respeito pela cultura inca, é de se admirar que ainda tenha restado alguma coisa. O irônico é que a igreja foi destruída em dois terremotos, em época diferentes, e teve que ser reconstruída, mas as pedras continuam lá, intactas.

O Koricancha (pátio de ouro em quichua) era um suntuoso templo dos incas. Entre suas paredes, viviam cerca de 4.000 sacerdotes, vivendo em função da adoração ao sol. Todo o prédio refletia essa adoração, com paredes revestidas de ouro, figuras de ouro em tamanho real ou outros objetos de ouro maciço. Depois da colonização espanhola, todo esse tesouro foi saqueado.

A justaposição dos estilos arquitetônicos inca e coloniais encontra em Koricancha o seu maior exemplo

Fiquei um pouco deslumbrado com o local, ora com a parte inca, ou seja, as pedras encaixadas de forma precisa, em diversos tamanhos; ora com a parte dos espanhóis, como essas colunas rodeando o páteo central. Enfim, acabamos ficando mais tempo do que podíamos, e achamos que ficaria tarde para ir até Sacsayhuaman, um outro destino no city-tour.

Sacsayhuman

Para visitar o Sacsayhuman e os outros sítios arqueológicos da região de Cuzco, é preciso comprar um boleto turístico. Não é possível comprar os ingressos para as atrações individualmente. O boleto turístico custa S/. 130,00 e dá direito a visitar (somente uma vez cada lugar) até 16 lugares no período de 10 dias. Estão inclusos os sítios de Pisac, Ollantaytambo, em suma, quase todas as atrações da região exceto Machu Picchu. Há também a opção de comprar o ingresso de 1 dia, que sai por S/. 70,00.

As paredes não são mais folheadas a ouro, mas o amarelo e os detalhes das molduras douradas ainda trazem esse clima solar para o Koricancha

Ficamos muito na dúvida sobre qual opção de boleto comprar. Na realidade, achei o valor do boleto caro, para quem não iria visitar muitos lugares como eu. Estávamos com pouco tempo, e os únicos lugares que tínhamos certeza em visitar seriam Ollantaytambo e Pisac, no dia seguinte, quando faríamos o passeio pelo Vale Sagrado. Portanto, imaginamos que a melhor opção seria o boleto de apenas 1 dia, por S./ 70,00. Mas ainda assim eu queria muito visitar Sacsayhuaman, e pensamos que poderíamos visitá-lo no último dia de viagem, quando voltaríamos para Cuzco. Dessa forma, decidimos pelo boleto de 10 dias.

Avenida El Sol

Do lado de fora de Koricancha, ficamos e andamos um pouco pela Avenida El Sol, uma das principais via de Cuzco.

É uma rua movimentada, cheia de comércio e que termina na Plaza de Armas. Dessa avenida, também é possível ver o prédio do Koricancha, do lado externo.

Seguindo pela Calle Triunfo e depois pela Hatunrumiyoc, passamos novamente por uma rua com pedras gigantes nas paredes do prédio do Palácio Arcebispal. O que se destaca é o tamanho das pedras e como elas se encontram perfeitamente recortadas e encaixadas.

San Blas

Na continuação da Hatunrumiyoc (nome fácil de memorizar), encontramos a Cuesta San Blas, uma ladeira que sobe até o bairro de San Blas. Quando mais subimos, mais interessante ficava a vista para baixo, da cidade de Cuzco, e também das varandas e das paredes charmosas da ladeira. Chegando na praça de San Blas, uma igreja e alguns restaurantes, mas não vimos nada de muito interessante.

Noite na Plaza de Armas

Finamente, foi a hora de encerrar o dia na Plaza de Armas, onde tiramos algumas fotos no entardecer. Antes disso, ainda passamos no escritório da Inca Rail, para trocar a nossa reserva do trem para Machu Picchu.

No final das contas, nosso city-tour não foi completo, mas por vezes é melhor conhecer bem poucos lugares do que visitar uma série de lugares apressadamente. Eu e Cleber temos nosso próprio tempo para conhecer os lugares, gostamos muito de tirar fotos, e quase sempre ficamos afobados com o ritmo desses passeios em grupo, portanto nada melhor do que visitar os lugares no seu próprio tempo.

Como ainda não havíamos almoçado, resolvemos fazer uma parada para comer, optamos por um restaurante ali mesmo na Plaza de Armas.

Depois do jantar (eu comi truta e o Cleber bife de alpaca, mas nada de especial, portanto nem recomendo o restaurante que escolhemos), começou a esfriar e voltamos para o hotel para colocar roupas mais quentinhas. Aproveitamos para tomar mais chá de coca. Saímos mais à noite para mais fotos noturnas, compra de lembrancinhas e jantamos uma pizza.

Plaza de Armas, ao anoitecer

Assim terminou nosso dia corrido, mas extremamente proveitoso em Cuzco. Lógico, ainda ficou faltando muito para conhecer, mas em apenas uma tarde, tivemos que destacar somente as principais atrações da cidade, como a Plaza de Armas, o Koricancha e o bairro de San Blas. Mas o momento mais encantador foi circular pelas ruas de Cuzco, especialmente à noite, e ter contato direto com essa cidade belíssima e cinematográfica.


Dia 4 – Vale Sagrado dos Incas e Chegada em Ollantaytambo

Às 8h15 da manhã, café da manhã já tomado, aguardávamos no saguão do hotel pela chegada de nosso guia John Villafuerte e nosso passeio contratado ao Vale Sagrado.

Como já mencionei no diário de Cuzco, contratamos o passeio para o Vale Sagrado mas logo em seguida me arrependi, pois pagamos S/. 85,00 (almoço incluso) por um passeio que poderíamos encontrar por S/. 40,00 ou S/. 50,00. Mas a simpatia de John nos deixou confiante de que a diferença valeria a pena. Ledo engano.

Às 9h, ainda estávamos no saguão do hotel. Pedi para o rapaz da recepção do hotel ligar para o John, que disse que já estava chegando. Ele finalmente chegou e nos levou até uma praça perto do hotel.

Começam as roubadas

Na praça, a primeira providência de John foi pedir o restante do dinheiro do passeio. No dia anterior, havíamos pago para ele apenas um sinal. Paguei e ele nos repassou para uma outra moça, que munida de um telefone celular, ficava se comunicando exasperada o tempo inteiro. John foi embora.

Uma segunda moça chegou e a primeira saiu correndo. Tenso. A segunda moça pediu que nós (e mais algumas pessoas que também estavam por lá, para o passeio) a seguíssemos. Andamos por algumas ruas, algumas delas ladeiras íngremes, eu e Cleber carregando nossas malas de viagem, e paramos numa esquina. A moça falava no celular ansiosamente.

Pediu que aguardássemos e saiu correndo pelas ruas de Cuzco. Pensei: essa moça não vai voltar. Mas surpreendentemente ela voltou e pediu que a seguíssemos.

Ela discutia com alguém no celular que o ônibus não estava ali, naquela esquina. Andamos por tantas ruas, que eu já nem sabia onde estávamos. Ofegante, carregando a mala e subindo e descendo ladeiras em Cuzco, estava à beira de um ataque de nervos. E a moça correndo, falando ao celular, procurando desesperadamente um ônibus para entramos.

Nesse momento, me arrependi de não ter anotado e procurado as agências de turismo utilizadas por alguns blogueiros de viagem. Na hora de contratar um serviço, é importante uma referência. Meu procedimento foi totalmente amador, contratei um serviço sem saber o endereço físico da operadora (tudo o que eu tinha em mãos era um cartão com um website que não existe) e sem nenhuma referência. Para quem reclamar agora? Alguns peruanos podem ser muito simpáticos, mas também são bastante desorganizados.

As lindas paisagens do Vale Sagrado, que iríamos conhecer. Mas antes, sofremos um pouco em Cuzco

Como Contratar um Passeio para o Vale Sagrado

  • Procure referências na internet, em outros blogs de viagem
  • Se não encontrar referências, procure um lugar em que você saiba onde é o endereço físico, assim no caso de você desejar fazer uma reclamação, sabe onde ir
  • Peça indicações ao hotel onde você estiver hospedado. Novamente em caso de reclamação, pode reclamar junto ao hotel.

Enfim, não sei se essas dicas são de fato utéis, mas estão baseadas nos meus erros e no que eu gostaria de ter feito.

Afinal, a moça nos indicou nosso ônibus, um ônibus antigo e pequeno, de cerca de 30 lugares. Uma terceira mulher apareceu e nos ajudou a colocar as malas no bagageiro e embarcamos.

Finalmente no Ônibus

Entrei no ônibus reclamando com o guia e com o motorista. Perguntei se ao invés de fazer os passageiros andarem pela cidade feito baratas tontas, não seria mais prático o ônibus ir nos buscar. Infelizmente, foi num portunhol nervoso e atrapalhado. O guia, chamado Arles, simplesmente deu um sorriso amarelo, ou não entendeu ou se fez de desentendido.

Sentamos no primeiro banco, o ônibus já estava cheio, e procurei relaxar. Apesar de suado, aborrecido e tenso, agora tinha um passeio para aproveitar. Portanto, viagem é isso aí, não importa quais os percalços vividos, é preciso se adaptar e não deixar que esses percalços estraguem a sua viagem.

E sorte a minha que o caminho que estava por vir era realmente compensador.

Percurso pelo Vale Sagrado

Durante o nosso percurso pelo Vale Sagrado, passamos por diversas paisagens incríveis, montanhas enormes que protegem vales de plantações verdes e rios fluindo entre os lugares. A cada curva do ônibus, a cada nova paisagem, um novo deslumbre.

Durante o percurso, como é de praxe em excursões em grupo, todos tivemos que nos apresentar, dizendo nosso nome e de onde éramos. O ônibus era composto por brasileiros (nós), um senhor peruano que agora vivia no Brasil (que posteriormente iríamos encontrar no trem de Machu Picchu), muitos chilenos e outros latino-americanos, duas mulheres norte-americanas e até pessoas da Grécia.

Pisac

Continuamos nosso percurso, passando pelo povoado de Pisac. No caminho, é possível ver o povoado cercado pelas montanhas da região e por diversas formações horizontais paralelas, que de longe parecem degraus na montanha, mas que na verdade funcionavam como setores agrícolas incas.

Pisac se divide em duas partes: o povoado que fica próximo ao rio e o sítio arqueológico, no alto das montanhas. Chegamos na entrada do sítio arqueológico e compramos o boleto turístico lá mesmo. Como a maior parte das pessoas também não compra com antecedência, mesmo que você tenha adquirido antes, terá que aguardar as outras pessoas do grupo.

Vista do vale próximo a Pisac, o lugar parece realmente abençoado

Explorando o Sítio Arqueológico de Pisac

Enfim, tempo curto, o nosso guia deu apenas 45 minutos para conhecermos o sítio arqueológico de Pisac.

Foram 1h30 para conseguir entrar no ônibus, 1h30 de almoço, 30min para visitar uma feirinha de artesanato, mas para visitar o sítio arqueológico de Pisac, 45 minutos. Enfim, excursões em grupo são assim.

Os ônibus de excursão param em um ponto de entrada, mas existe outra entrada para o sítio arqueológico mais acima, portanto é possível apenas fazer uma descida até o sítio e driblar a multidão. A vantagem quando se faz um passeio por conta é essa, poder fazer caminhos alternativos e menos massificados, e também conhecer com maior extensão a região visitada.

Nós seguimos pelo caminho da multidão, tentando tirar fotos do lugar sem que os turistas fizessem parte da paisagem. No caminho, o guia parou para dar algumas explicações do local.

Uma das partes mais interessantes da explicação de nosso guia foi na região do cemitério, que na verdade é constituído de buracos cravados na montanha. Os incas eram “enterrados” na posição fetal, pois acreditavam que a morte era um renascimento, e seus corpos nas montanhas também era como se eles fossem recolocados na barriga da mãe, no caso a Terra.

Toda a cultura inca está baseada nesses preceitos de interação com a natureza, seja através da idolatria aos elementos da natureza, como o Sol, o Mar, a Terra, representada principalmente por suas construções, que ora procuravam se aproximar desses elementos (como os templos sempre nos pontos mais altos possíveis, para ficar próximo do Sol) ou até mesmo imitá-los (como na forma de animais como o condor).

Peru
A parte agrícola do sítio arqueológico de Pisac, que de longe parecem degraus nas montanhas

Planeje seu tempo em Pisac

Assim que o guia terminou a explicação, nos deixou com algum tempo livre para explorar as redondezas e partimos para uma subida pelas ruínas, até o cume da montanha.

A subida é íngreme e um pouco cansativa, ainda mais porque o caminho está repleto de pessoas (em alguns trechos as escadas são estreitas e há fluxos de pessoas tanto na subida como na descida) e nosso tempo era curto. Mas conseguimos chegar até o topo, parando logicamente várias vezes no caminho para aproveitar diversas ruínas e paisagens que achamos interessantes.

Outros grupos subiram acompanhados de seus guias, mas o nosso ficou lá embaixo esperando mesmo.

Depois de subirmos, é possível encontrar alguns trechos bem interessantes entre as ruínas

Retornamos ao ônibus por volta das 12h50, ainda esperamos um pouco algumas pessoas chegar. O Cleber ainda insistiu para ficarmos mais um pouco, mas nós tínhamos mais interesse do que ninguém na pontualidade dos horários, pois a partir daquele momento eu já começava a ficar preocupado que não teríamos tempo de visitar Ollantaytambo.

No caminho, duas mulheres incas com seus trajes coloridos e as crianças coladas em suas costas, pediram carona e ficaram algum tempo em nosso ônibus. As crianças são muito lindas, uma delas brincava com seu chapéuzinho, envolvida pelo manto da mãe, provavelmente se sentindo muito acolhida.

As adoráveis crianças incas, envolvidas em tecidos super coloridos

Almoço em Urubamba

Por volta das 14h chegamos em Urubamba, para nossa pausa para almoço.

A refeição estava incluída e era em estilo self-service, mas o restaurante só servia uma porção de truta por pessoa. O restante estava liberado. O restaurante não tinha nome e achei a comida normal, mas em determinado momento começaram a acabar os pratos e não houve reposição.

No mapa abaixo, é possível verificar o trajeto de nosso passeio, que começou em Cusco, depois passou por Pisac. Na sequência nos dirigimos para as vizinhas Urubamba e finalmente Ollantaytambo. O retorno, que não fizemos, seria atravessando Chinchero.

Portanto, depois do almoço (por volta das 15h10), seguimos mais cerca de 30 minutos até chegar em Ollantaytambo.

Chegando em Ollantaytambo

Cheguei a perguntar ao guia se ele achava que daria tempo de visitarmos o sítio arqueológico, pois tínhamos que pegar o trem para Águas Calientes às 16h30. Ele disse que sim, que nos avisaria onde o ônibus estaria estacionado, entraríamos no sítio, só que teríamos que voltar antes dos demais.

Essa parte do caminho, de Urubamba até Ollantaytambo, fica ainda mais bonita, com as montanhas cercando o trajeto e o ônibus percorrendo estrada margeando o rio Urubamba.

Quando chegamos em Ollantaytambo, um caminhão percorria a estreita estrada a nossa frente, o que atrasou nosso ônibus completamente. Só chegamos perto das ruínas às 15h50 e achamos que seria bobagem visitar o lugar em menos de 30 minutos.

Com o boleto turístico só poderíamos visitar o lugar uma única vez, portanto preferimos deixar para nossa volta, ou seja, quando voltássemos de Machu Picchu.

Final do passeio e pernoite em Ollantaytambo

Portanto, pegamos nossas malas e abandonamos finalmente o nosso passeio de erros pelo Vale Sagrado. Caso eu não tivesse programado mais um dia em Ollantaytambo, certamente encerraríamos nossa viagem sem conhecer esse sítio histórico.

Do centro de Ollantaytambo, que é um pequeno e rústico povoado, descemos um caminho até a estação de trem, onde pegaríamos o trem da Inca Rail para Machu Picchu.

Para quem não quer andar todo o percurso a pé, que pode levar cerca de 15 minutos, existem mototáxis que cobram apenas S/. 1,00 por pessoa. As motos foram adaptadas, possuem uma cabine para até duas pessoas irem sentadas tranquilamente, e também contam com bagageiro.

Cleber e eu, percorrendo o caminho até a estação de trem, com as montanhas do sítio de Ollantaytambo ao fundo

No blog de viagem Sundaycooks, eles montaram um interessante roteiro de como ir para Machu Picchu, como horários de trens, diferenças entre eles e pontos de embarque. Vale conferir. O site também conta com indicações de agências de viagens.


Dia 5 – Machu Picchu

As duas partes de Machu Picchu

Machu Picchu é formada de duas áreas principais, que veremos destacadas a seguir. Nosso primeiro contato foi com a zona agrícola, cuja principal imagem são os terraços de cultivo e armazenagem de alimentos, que de longe parecem grandes escadarias (quando chegamos perto percebemos que os degraus são maiores do que a altura de um ser humano).

A outra zona é a urbana, onde conheceremos os templos, as praças e as casas de pessoas importantes da cidade inca.

Considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, o que garante a sua preservação (com medidas por exemplo como o limite de visitantes por dia). Até se especula que Machu Picchu será fechada à visitação, já que muitos dos turistas não respeitam a cidade, pisando nas rochas antigas e transitando em grande quantidade. Portanto, é bom conhecer o quanto antes.

Locação Cinematográfica

No filme “Diários de Motocicleta” (The Motorcycle Diaries, 2004), de Walter Salles, sobre a viagem de Che Guevara e seu amigo Alberto Granado pela América do Sul, a produção tem locações em Machu Picchu. A viagem do ainda jovem médico Ernesto Guevara (Gael Garcia Bernal), que provavelmente inspirou muitos outros viajantes, ocorreu nos anos 50 e é interessante notar no filme como os dois amigos chegam pela trilha inca e encontram uma cidade deserta. Naquele espaço silencioso, eles conseguem relaxar e provavelmente sentir melhor a magia daquele lugar.

Ernesto Guevara e Alberto Granado chegam em Machu Picchu

Nós, pobre mortais, temos que conviver com milhares de turistas, circulando por todos os lados e às vezes até fazendo filas para tirar fotos em determinados lugares. Nada que tire o encanto desse lugar inesquecível, cuja sensação de deslumbramento supera qualquer super população.

Às 16h30, em Ollantaytambo, embarcamos no trem da Inca Rail para Águas Calientes.

Machu Picchu – Como Chegar

Comprar a Passagem

  • Compre sua passagem de trem com antecedência pela Internet. As empresas Inca Rail e Peru Rail trabalham com alguns horários. No caso da Peru Rail, que tem trens partindo de Cuzco, as passagens se esgotam mais rapidamente.
  • Nós partimos de Ollantaytambo, depois do passeio ao Vale Sagrado. De lá, existem mais opções de trens e horários para Águas Calientes, lugar que fica na base de Machu Picchu.
  • Compramos a passagem de trem com antecedência, pelo site da Inca Rail, com um cartão Verified by Visa (só o Bradesco emite esses cartões). Para quem não tem, acho que é possível somente fazer a reserva e pagar em Cuzco, no escritório da Inca Rail que fica na Plaza de Armas.
  • Mesmo para quem compra e paga a passagem pela Internet, tivemos que passar no escritório em Cuzco para trocar a reserva pela passagem. O escritório da Inca Rail em Cuzco fica na Plaza de Armas.

Pernoite em Águas Calientes

  • Optamos por pernoitar em Águas Calientes para sair bem cedinho para Machu Picchu.
  • Chegando em Águas Calientes, também já é bom comprar as passagens de ônibus de Águas Calientes para Machu Picchu, em um guichê que fica perto da estação de trem. Mesmo assim, você irá pegar filas consideráveis no dia seguinte para embarcar.

Comprar o Ingresso de Machu Picchu e Huayna Picchu

  • Para entrar em Machu Picchu, não há horário delimitado, para a trilha é preciso definir um horário. Optamos pelas 10h, pois acreditamos que o tempo estaria mais limpo, mas o desgaste também é maior por causa do sol.

A viagem de trem até Águas Calientes

Durante a compra no site da Inca Rail, não é possível escolher o assento, por isso quando retirei o bilhete em Cuzco, perguntei ao atendente se o lugar era no lado esquerdo do trem.

Segundo eu tinha lido na internet, esse é o melhor lado para viajar, pois durante todo o tempo é possível acompanhar o curso do rio Urubamba. O atendente da Inca Rail me respondeu apressadamente que sim, mas logicamente que não era.

Enfim, sentamos no nosso lugar no lado direito do trem mesmo.  Além do lugar errado, outro senão da viagem é que você senta de frente para outras duas pessoas, portanto não dá pra esticar os pés direito. Além disso, não há muito lugar para colocar as bagagens pelo trem, então viajei com a mochila no colo.

Aprendendo com outros viajantes

Logo que sentamos, conhecemos um casal de brasileiros sentados à nossa frente. Foi ótimo conhecer o casal e ficamos conversando durante todo o tempo da viagem e trocando ideias sobre a viagem.

Tudo o que nós fizemos, o casal havia feito mais barato e/ou melhor. rs. O passeio pelo Vale Sagrado eles pagaram S/. 20,00 e ainda por cima foi um passeio customizado, especialmente para as pessoas que iriam pegar o trem às 16h30 em Ollantaytambo. Portanto, foi tudo mais rápido e eles de fato conseguiram visitar o sítio histórico de Ollantaytambo, ao contrário de nosso roteiro roubada.

Nós estávamos tirando dinheiro nos caixas eletrônicos (para cada saque, pagamos uma taxa de S/. 13,00, além do IOF cobrado pelo uso do cartão de crédito no exterior), enquanto eles pagavam as coisas em dólares (para evitar a conversão indevida da moeda por alguns hotéis, que usam taxas extorsivas) ou faziam saques no Banco do Brasil.

Enfim, cada vez mais aprendo mais com outros viajantes.

O percurso é muito bonito, mas como estava entardecendo, e o trajeto é cercado por montanhas, não há muita luz no percurso, portanto recomendo fazer o trajeto durante o dia. Pode parecer tempo perdido, já que a viagem dura cerca de duas horas, mas a viagem de trem também foi uma das maravilhas da viagem. 

Chegada em Águas Calientes

Águas Calientes - Base para Conhecer Machu Picchu
Em Águas Calientes, cidade base para conhecer Machu Picchu

Chegamos em Águas Calientes por volta das 18h30, já noite.

Noite em Águas Calientes

Saímos para jantar rapidamente. Nossa intenção era voltar cedo, pois no dia seguinte queríamos acordar bem cedo para explorar Machu Picchu.

Descobrimos uma Águas Calientes surpreendente. O povoado é muito animado, cheio de restaurantes, gente feliz andando na rua, muita música, várias lojas, enfim, um típico local turístico.

Conversando com o casal de brasileiros e algumas amigas deles, eles haviam cogitado de ir a um lugar chamado Índio Feliz, mas achamos o restaurante caro, embora a decoração fosse bem interessante.

Preferimos outro numa rua paralela ao rio, que oferecia o menu turístico por S/. 18,00. O menu incluía salada, prato principal e bebida. O Cleber olhou com cara suspeita, mas depois descobrimos que outros lugares por ali faziam o menu por até S/. 15,00. Gostamos ainda mais da noite de Águas Calientes depois dessas opções baratas de refeição. E a comida estava ótima, surpreendentemente, prato bem servido, garçom muito simpático.

E ainda por cima uma banda de música típica ficou tocando ao nosso lado, na rua. Animação completa, com direito à música ao vivo.

Ônibus de Águas Calientes para Machu Picchu

6h da manhã. Acordamos às 5h, tomamos café e por volta das 6h estávamos na fila para pegarmos o ônibus para Machu Picchu. As filas começam cedo, pois não somente nós, mas todos querem chegar o mais cedo possível na cidade inca.

O ônibus para Machu Picchu custa $ 17,00 (dólares) ida e volta, e os horários vão desde às 5h30 da manhã e volta até às 17h30. O ponto de ônibus é na esquina da linha do trem com o rio, e o ponto de venda é ali próximo, na Avenida Hermanos Ayar (rua que tangencia o rio Urubamba). É bem fácil de achar, o local também está cheio de gente, principalmente pela manhã. 

Ainda em Águas Calientes, mas já dentro do ônibus, notamos que o caminho é bastante interessante, e pensei em fazê-lo a pé no dia seguinte, pelo menos o trecho até a entrada do parque. E a subida pelas montanhas também encanta, conforme vamos percorrendo a região, cada vez mais alto, começamos a ver a cidade e o rio lá de cima.

Depois de 20 ou 30 minutos, chegamos na entrada de Machu Picchu. Havia uma pequena fila, mas bem rápida.

Como Machu Picchu foi descoberta

Machu Picchu foi descoberta em 1911 por Hiram Bingham (há uma placa dele logo na entrada). A forma como foi construída ainda hoje intriga arquitetos, os incas utilizaram atráves de várias técnicas transportar blocos pesadíssimos de pedra das montanhas para a cidade. E melhor, ainda conseguiram esculpir e polir esses blocos, de forma que o encaixe entre as pedras é perfeito.

Ao contrário das partes restauradas, por exemplo, cujas pedras foram encaixadas sem muita precisão. Interessante que a arquitetura inca se mostre mais competente nesse aspecto do que a forma como partes da cidade foram reconstruídas nos dias de hoje.

Entrada para Machu Picchu - Dicas Gerais
Entrada para a cidade inca de Machu Picchu

Antes de passarmos a catraca de entrada para o parque, começamos a nos planejar para nosso extenso dia por lá.

Machu Picchu – Entrada

Dicas Gerais 

  • Do lado de fora da catraca, existem banheiros, lanchonetes e guarda-volumes.
  • O guarda-volumes do lado de fora é mais caro, existe outro após a catraca que cobra S/. 3,00.
  • O banheiro também é pago, S/. 1,00.
  • A lanchonete possui preços exorbitantes, se puder evite.
  • Teoricamente, não é permitido entrar com bebidas ou comidas, mas todo mundo entra, e eles não revistam a mochila. É impraticável fazer uma trilha para Waynapicchu sem uma garrafa de água, portanto faça suas comprinhas em Águas Calientes.
  • Levamos castanhas do pará para a trilha. É leve, prático e repõe as energias.
  • É bom lembrar que lá dentro, no sítio arqueológico, não existem banheiros nem lanchonetes, nem camelôs nem nada do gênero (rs), então é só na entrada mesmo que se encontra esse tipo de infraestrutura.
  • É possível entrar e sair de Machu Picchu quantas vezes quiser, com o mesmo bilhete.

Quando Fazer a Visita Guiada

Logo de início, também existem vários guias oferecendo a visita guiada. Recomendo fazer logo ao chegar, mais tarde fica difícil se encaixar em algum grupo e você pode (assim como nós) ter que arcar com os custos do guia sozinho.

Como somos desesperados por fotos, optamos por visitar primeiro os lugares sozinhos, assim aproveitamos para tirar quantas fotos queríamos. E nada como aquela visão de primeiro momento, aquele deslumbramento inicial. Depois a gente perde um pouco a sensibilidade.

É importante considerar também que antes das 10h, a cidade inca ainda está razoavelmente tranquila, porque os visitantes que fazem bate e volta de Cuzco (e que são a maioria) ainda não chegaram por lá. Depois das 10h, a cidade fica muito mais cheia. Portanto, aproveite esses momentos ao máximo.

Dessa forma, começamos nosso passeio sozinhos. Existem muitos caminhos para percorrer, trilhas longas, trilhas curtas, o importante é escolher o seu e desbravar essa que foi considerada uma das 7 maravilhas do mundo moderno.

Perdida durante 3 séculos

A cidade inca foi construída no século 15 e foi acredita-se que foi abandonada em virtude de um surto de varíola e também após a conquista do Império Inca pelos espanhóis. A cidade ficou perdida durante 3 séculos, para ser redescoberta em 1911 por Hiram Bingham (nome aliás de um trajeto de trem da Peru Rail).

Ruínas de Machu Picchu - História
Machu Picchu, uma das New7Wonders of the World

Machu Picchu foi considerada uma das 7 novas maravilhas do mundo, pela New7Wonders of the World. Entre as maravilhas do mundo eleitas por essa iniciativa, também se encontram o Cristo Redentor, o Coliseu e as Muralhas da China. Recentemente, também houve uma votação para as 7 maravilhas na natureza, e as Cataratas do Iguaçu foram consideradas uma dessas 7 maravilhas.

O sol estava escondido ainda pela manhã, então não tivemos aquela vista almejada dos primeiros raios de sol sobre a cidade inca. Mas Machu Picchu é linda de qualquer jeito, então mesmo sem Sol começamos a tirar fotos dos inúmeros ângulos que encontrávamos.

Em determinado momento (por volta das 8h), o sol finalmente apareceu, então foi um tal de repetir as mesmas fotos, agora com uma luz diferente, para tentar registrar todas as belezas do lugar.

As áreas de Machu Picchu: Setor Agrícola

O setor agrícola foi um dos primeiros pontos que começamos a explorar, que conta com os terraços de cultivo (que de longe parecem grandes degraus) e os armazéns. Nesse ponto também é possível notar que existem áreas da cidade que foram restauradas (contam, portanto, com pedras pequenas empilhadas), enquanto outros ainda foram mantidos no estado em que foram descobertos, no início do século XX.

Os terraços são construídos por pedras grandes, outras nem tão grandes, cascalho, argila e a própria terra onde os alimentos seriam cultivados. Toda essa estrutura é construída para evitar que tudo se desmorone em função das chuvas (já que chove muito nessa região).

Os terraços foram utilizados até o século XX. Para quem olha de cima de cidade inca, é possível notar terraços menores na parte baixa de Machu Picchu.

As grandes construções ao lado da escadaria, que parecem casas, na verdade funcionavam como armazéns para os alimentos.

Cartão Postal de Machu Picchu

Algumas horas depois (rs), conseguimos avançar por um segundo ponto. No caso, subimos uma escadinha um pouco íngreme para termos aquele ponto de vista tradicional da cidade de Machu Picchu. Apesar de ainda ser cedo, o ponto já estava bem movimentado, e de um determinado ponto (sobre uma rocha que é quase um mirante), há até fila para tirar fotos e se registrar naquele lugar emblemático.

Esse é um dos primeiros pontos para quem chega da trilha Inca (aquela que dura 3 dias de caminhada e sai do Vale Sagrado), portanto a vista de lá ser tão famosa.

Recanto do Gardião

Na foto acima, é possível ver uma casa lá no alto, que quando estamos caminhando por Machu Picchu almejamos chegar lá em cima. Nesse ponto, que parece o mais alto da cidade inca, encontra-se a casa chamada Recinto do Guardião. Dessa região é também o ponto para onde saem as trilhas da Ponte Inca e Intipunku.

Machu Picchu - Recinto do Gardião
O Recinto do Guardião, casa localizada no topo da cidade inca

Machu Picchu - Vale do Rio Urubamba

Presente de aniversário

Uma das fotos que mais gostei, porém, foi mirando a cidade inca e a montanha de Wayna Picchu ao fundo. Postei essa foto no Facebook com o seguinte título: meu presente de aniversário. E de fato foi. Toda a viagem foi planejada para que, exatamente no dia 19 de setembro, meu aniversário, eu estivesse no ponto alto de nossa viagem, exatamente em Machu Picchu.

Como se não bastasse estarmos lá nesse lugar impressionante, assim como eu outros aniversários que também escolhi viajar, fui presenteado com um dia lindo e o sol brilhou durante a maior parte do dia. Cleber sabe como eu fico abatido quando o dia não está bonito, mas obviamente Machu Picchu já seria bonita de qualquer jeito, mas com o sol radiante, meu presente de aniversário ficou ainda melhor.

Meu presente de aniversário

Carimbo de Machu Picchu

Depois de explorar os setores agrícolas e a parte alta de Machu Picchu, resolvemos voltar até a entrada, onde guardamos parte da nossa bagagem e fomos ao banheiro, para então começar a enfrentar a trilha até Wayna Picchu, o monte que se avista ao fundo da paisagem da cidade.

Machu Picchu - Carimbo no Passaporte
Carimbo no passaporte

Na entrada, aproveitei para bater um carimbo de Machu Picchu no meu passaporte. O carimbo fica numa mesa, e cada um pode ir lá e bater o carimbo em seu passaporte, para registrar sua passagem por lá.

Devidamente carimbados e livres de boa parte de nossa bagagem de mão, tomamos o rumo da montanha de Wayna Picchu.

As áreas de Machu Picchu: Zona Urbana

Praça Principal de Machu Picchu
Zona Urbana e a praça principal, Waynapicchu ao fundo, a grande montanha

Depois de Waynapicchu, foi a vez de percorrermos melhor o setor urbano de Machu Picchu, que gira em torno da Praça Principal, do Setor dos Templos, do Templo das Três Janelas, do Grupo das Três Portas e do Templo do Sol. Esses lugares terminamos por conhecer em melhor detalhes durante a visita guiada.

É um grande muro que divide a área agrícola da zona urbana, onde também se encontra um fosso, que era utilizado como drenagem de água da cidade. No alto do muro, a porta de entrada para Machu Picchu, zona urbana.

Às 14h voltamos novamente para a entrada de Machu Picchu, tomamos um coca de 1 litro por S/. 20,00 (eu estava precisando muito de algo gelado).

Dicas para Escolher o Guia em Machu Picchu

Na entrada do sítio, vários guias ficam oferecendo seus serviços aos visitantes.

Optamos pela guia Rosana, que nos pediu S/. 60,00, mas barganhamos até que ela fechou por S/. 50,00. Se pelo menos estivéssemos em 4 pessoas, ficaria apenas S/. 15,00 por pessoa, mas somente em dois ficou um pouco mais pesado.

Ficamos aguardando cerca de 30 minutos para ver se ela conseguia mais alguém para dividir, mas não aconteceu. Ou seja, se você pretende economizar, é melhor procurar um guia logo pela manhã, assim fica mais fácil dividir os custos.

Diante das gigantescas pedras, nossa guia contou o número de extremidades que aquele bloco de granito possuía

Passeio com Guia vale a pena?

O passeio guiado realmente é interessante. Em determinado momento, depois de ver tantas ruínas e a cidade de tantos pontos de vista, parecia que nada mais me chamava a atenção. Fiquei meio insensível às belezas do lugar e a visita guiada me reabriu os olhos para detalhes. 

Um dos momentos que eu não me esqueço é quando a guia parou diante de uma pedra gigante e contou nela mais de 30 ângulos diferentes.

A visita guiada também nos orienta para a função de cada espaço dentro daquela estrutura. Também me ajudou a imaginar como era a vida por ali, as portas, as janelas, os túneis de água, como cada espaço era utilizado, tudo isso colabora para entender melhor como era a vida originalmente naquele espaço grandioso que estávamos visitando.

Conhecendo melhor as pedras

Nossa guia ressaltou para a diferença entre as pedras, ou seja, nas construções com pedras maiores eram onde se encontrariam as residências das pessoas mais importantes. As pedras são cuidadosamente talhadas, em formas de retângulos, mas algumas podem possuir até 30 extremidades. A união dos blocos é aparentemente perfeita, nem parece que tem rejunte, mas tem uma argamassa para deixar as pedras unidas.

Visita com Guia em Machu Picchu
A Praça Principal (que não pode ser percorrida pelos turistas, por isso o verde da grama domina a paisagem)

 

Terraços Agrícolas de Machu Picchu
Um dos últimos lugares que nos deslumbrou em Machu Picchu, novamente o setor agrícola, mas de outro ponto de vista

Depois de 1h30, terminamos nossa visita guiada e nossa guia Rosana nos aconselhou a fazermos a trilha para a ponte Inca, um trilha curta (de cerca de 20 minutos), que era o que ainda poderíamos fazer. Nisso, já eram cerca de 15h30.

Andar por Machu Picchu, além da dificuldade de subir e descer escadas, é também difícil porque a cada caminho nosso desejo de tirar uma nova fotografia é despertado. Depois da visita guiada, em que tiramos poucas fotos para prestar mais atenção nas explicações, meu desejo de fotografar reacendeu. Por isso, só fomos chegar na entrada da trilha da Ponte Inca pouco depois das 16h.

Com isso, encerramos nosso dia em Machu Picchu. Voltamos até com certa pressa (por outro caminho que não havíamos percorrido ainda), pois às 17h o guarda-volumes fechava. O último ônibus só sairia às 17h30, então para isso ainda tínhamos tempo.

Quando planejei a viagem para Machu Picchu, havia deixado dois dias para Machu Picchu, pois imaginei que seria tanto para ver, que seria melhor um dia adicional. Ainda temia que o tempo no dia de nossa visita estivesse ruim, então teríamos um dia alternativo para registrar fotos com sol. No entanto, tudo correu muito bem. Conhecemos bem a cidade, conseguimos fazer duas trilhas, a visita guiada e num lugar em que os incas idolatraram o Sol, conseguimos ver a cidade inca sob a luz do Sol (que deixa seus campos verdes ainda mais verdejantes). Enfim, um pacote de presentes de aniversário reunidos.

Dessa forma, o segundo dia acabou tornando-se dispensável. A dispensa da visita no segundo dia também é colaborada pela alta taxa de visita (S/. 152,00 com Waynapicchu). Dessa forma, sobrou uma manhã em Águas Calientes para preenchermos como quiséssemos.


Dia 6 – Águas Calientes

No planejamento de nossa viagem para Machu Picchu, resolvemos ficar 2 noites em um hotel em Águas Calientes (também conhecido como Machu Picchu Pueblo), cidade base para conhecer uma das 7 maravilhas do mundo.
O objetivo primordial da primeira noite era poder chegar bem cedo em Machu Picchu. E funcionou bem e recomendamos.

O objetivo da segunda noite foi para garantir que realmente iríamos conhecer Machu Picchu bem. Eu não tinha certeza se apenas um dia seria suficiente para conhecer todo o sítio arqueológico. Fiquei também com receio de estar justamente chovendo no dia de nossa visita. Imagina só. Precavido como sempre, pensei em um dia reserva.

No final deu tudo certo e conhecemos bem a cidade inca em apenas um dia.

No dia seguinte, ainda em Águas Calientes e com passagem de trem comprada para às 14h30 (que não conseguimos antecipar), restou preencher nossa manhã em Águas Calientes. E afinal, o que há para fazer por lá.

O vilarejo é minúsculo e literalmente cortado pela linha de trem (onde você desembarca vindo de Cuzco ou Ollantaytambo) e pelos rios Águas Calientes e Urubamba.

Respondendo logo a pergunta se vale a pena se hospedar aqui, acho que valeu para poder acordar bem cedo (4h) e poder aproveitar mais a cidade inca. Às 5h já estávamos no ponto de ônibus para pegar o ônibus (e acreditem, a fila já era enorme).

Também achamos a noite de Águas Calientes agradável com diversas opções de restaurante a preços convidativos. Pesquise bem e irá encontrar boas opções. O clima do lugar é de um destino de viagem: turistas de todo mundo e, lógico, gente querendo tirar o dinheiro deles.

O que fazer em Águas Calientes

A cidade basicamente está dividida em 3 ruas principais. Uma delas é o caminho do trem, que depois segue para a entrada de Machu Picchu.

Trilho do trem que chega em Águas Calientes (última parada para quem vai até Machu Picchu)

Outra rua acompanha o rio Águas Calientes (é o rio menor no mapa). Subindo ela, você chega nos Banhos Termais.

Rio Águas Calientes e a cidade, cercada de montanhas

Paralela à rua do rio Águas Calientes, está uma rua repleta de restaurantes e boa noturna, a Avenida Pachacutec.

Avenida Pachacutec, restaurantes e vida noturna para os turistas concentra-se ali

Do outro lado do rio, você encontra um mercado de artesanato local. São muitas barracas, os preços são razoáveis, mas em Cuzco os preços são melhores.

Banhos Termais

Logo pela manhã do nosso segundo dia em Águas Calientes, visitamos os Banhos Termais, que são piscinas de águas bem quentes (com temperatura que pode chegar aos 40 graus).

Sinceramente, o lugar não é agradável e as águas não parecem muito limpas. O cheiro de enxofre também é um pouco desagradável.

Na entrada eles dão uma toalha e a chave para utilizar um armário, já que você não pode entrar na área das piscinas com seus pertences. Não me lembro exatamente do preço, mas é barato, cerca de 10 ou 15 soles por pessoa.

Mas o lugar é totalmente dispensável.

Caminhada às margens do Rio Urubamba

Melhor foi percorrer o caminho do ponto de ônibus até a entrada de Machu Picchu, antes de subir o morro.

No dia anterior eu tinha notado o caminho (de dentro do ônibus) e tinha achado interessante. Resolvemos conferir a pé.

Há um caminho cheio de flores e durante todo o tempo fomos margeando o rio e andando entre as montanhas.

Caminhamos até uma ponte que cruza o rio e de lá começa a subida pela montanha até a cidade inca.

Foi um passeio gostoso, que nos ajudou a preencher o tempo em Águas Calientes.

Caminhando às margens do rio Urubamba, no caminho a pé para Machu Picchu

Às 14h30, estávamos em nosso trem, de volta para o Vale Sagrado.

Leia também: Uma Noite em Ollantaytambo


Dia 7 – Sacsayhuaman

O trajeto de Cuzco até Sacsayhuaman é curtinho, em cerca de 20 minutos chegamos lá. Você pode ir de táxi a partir de Cuzco. Mas o normal mesmo é conhecer através do city tour de Cuzco ou através de um passeio que visita alguns sítios como o Sacsayhuaman, Qenqo e Tambomachay. Nós, como somos anormais e não tivemos tempo de fazer os passeios, resolvemos fazer por conta própria pegando esse táxi a partir de Cuzco.

Mais pedras, degraus, subidas e descidas nos aguardavam em Sacsayhuaman

Como já era de se esperar, e como tudo nessa viagem de 6 dias ao Peru, a visita seria curta, então pedimos ao taxista 30 minutos para conhecer o sítio. Super simpático e atencioso, o taxista nos deixou bem a vontade para explorar o sítio e nos deixou numa das entradas que ficava mais próxima.

Em uma das entradas (na primeira que alcançamos pela estrada), teríamos que andar muito mais para chegar nos pontos de interesse. O taxista dirigiu mais um pouco e estacionou o carro num amplo estacionamento, onde também estavam estacionados ônibus de turismo e outros carros.

A estrada que dá acesso a Sacsayhuaman é a mesma que segue em direção ao Vale Sagrado e Ollantaytambo.

Sacsayhuaman está a 3.700 metros de altitude, então é provável que se você chegou em Cuzco há pouco, ainda sofra com os males da altitude. Nós como já estávamos no final da nossa viagem e também com pressa para não perder o vôo, circulamos por ali com a urgência que a falta de tempo e o desejo de conhecer nos impunha.

As pedras gigantes de Sacsuyhuaman

O grande lance por ali é ver as pedras gigantes do lugar e conferir como elas se encontram perfeitamente encaixadas, sem a necessidade de rejunte. Você imagina o trabalho que os incas tiveram para polir as pedras, carregá-las e encaixá-las com tamanha precisão. Pedras inteiras e pesadíssimas. Mais de 20 mil incas teriam trabalhado na construção. 

Todo esse empenho tinha uma função. As muralhas de Sacsayhuaman visavam proteger o império inca de invasões, portanto era essencial que as muralhas fossem altas e compactas. Mas infelizmente o que conhecemos é apenas 20% do que sobrou dessa história. O sítio foi pilhado e o restante das pedras foi levado para Cuzco, para construir grande parte dos prédios que tínhamos visto por lá.

Mas há controvérias. O sítio também pode ter sido construído para fins religiosos, uma forma de culto ao Deus Sol.

No local, existem vários guias oferecendo seus serviços, o que é útil para quem foi sem o auxílio de uma visita em grupo. Uma pena que não tivemos tempo para fazer a visita guiada, que foi muito legal em Machu Picchu.

Depois de conferir as pedras gigantes bem de perto, subimos uma escadaria de pedras (mais uma vez, lugar comum nos sítios arqueológicos do Peru) e encontramos um belo mirante de todo o sítio, um ótimo ponto de vista para conferir a grandiosidade do sítio. Há grandes espaços vazios, que podem indicar os pontos onde havia pedras, mas que posteriormente foram pilhados.

Vista panorâmica de Sacsayhuaman, muitas pedras e caminhos para explorar

Depois de conferir o visual lá de cima, caminhamos por dentro dos caminhos de pedra para encontrar o mirante de Cuzco, um belo ponto onde é possível visualizar a cidade, as montanhas que a rodeiam (veja escrito nas montanhas Viva El Peru) e principalmente a Plaza de Armas, lugar que adoramos conferir tanto de baixo, como lá de cima.

Um pouco depois que chegamos, um grupo de estudantes chegou e foi incrível ver como as próprias crianças peruanas também se fascinaram com a paisagem.

Visual de Cuzco a partir de Sacsayhuaman, com a Plaza de Armas na parte inferior

O que esperar:

Natureza, Trekking, Aventura, História, Cultura

Quanto tempo ficar:

O máximo que puder, mas acredito que 7 dias são o ideal para conhecer o básico da região. Se puder ficar ainda mais tempo, vale a pena.

Se tiver menos tempo que isso, o negócio é cortar alguns pernoites. Por exemplo, para 4 dias, vale ficar hospedado somente em Cuzco e conhecer a região toda a partir de lá em passeios de bate-volta para Machu Picchu e Vale Sagrado.

© 2014 Fabio Pastorello. Todos os direitos reservados. A reprodução de textos e/ou imagens não é permitida sem prévia autorização do autor.

16 comentários

  1. Olá tudo bem? Parabéns pelo trabalho. Gostaria de saber se dá para fazer todos os passeios bate e volta, voltando sempre para Cusco? E como reservar hotéis para esses pernoites que você fez? Abraço

  2. Oi, Franci. Muito obrigado. Que bom que tenha gostado. Eu recomendo um pernoite em Aguas Calientes, sim. A cidade apesar de bem pequena, tem um clima gostoso de todos os viajantes que passaram ou vão passar por Machu Picchu. No dia seguinte (dia 18), você pode optar por retornar a Cuzco. Abraços.

  3. Olá Fábio. Infinitas congratulações pelo site. Muito útil. Diferenciado entre milhares na rede: há poesia – uma arte.
    Irei à Machu Picchu em junho/16: 13 e 14 (Cusco), 15 (Cusco x Vale Sul x Cusco), 16 (Cusco x Vale Sagrado x Ollantaytambo), 17 (Ollantaytambo x Machu Picchu). Por gentileza, gostaria de sua dica. É melhor dormir em Águas Calientes no dia 17, ou retornar para Cusco? O dia 18 está livre. Retorno no dia 19 às 14:00. Grato, Franci Barreto.

  4. Olá Fábio, gostaria que vc descrevese o que fez em cada dia, para que eu possa me organizar da mesma forma

  5. Oi, Alexandra. Vamos lá, vou tentar esclarecer suas dúvidas. Obrigado por retornar ao blog.
    1 – É possível sim, mas corrido, porque você não conseguirá ver tudo com calma. O que acontece é que por volta das 14h estávamos tão cansados que tivemos que parar para descansar, talvez seja a hora de você voltar. Já tínhamos visto tudo em ritmo bem rápido, mas após as 14h pegamos uma guia para nos acompanhar, sugiro que você faça isso logo na chegada. Apesar de ser cansativo, acho melhor mesmo fazer no mesmo dia, assim você tem 1 dia inteiro para curtir em Cuzco.
    2 – Compramos o ticket ida e volta para Águas Calientes, mas…
    3 – É possível comprar um trem de AC direto para Cuzco. Veja no site http://www.perurail.com, rota M. Picchu > Cusco. O último trem sai às 17h23.
    Espero que te ajude. Abraços.

  6. Oi Fabio, sou Alexandra do blog fourtrip, lembra de mim? Cheguei até seu blog justamente planejando a minha viagem a Cuzco e adjacências. Antes de tudo, adoro seu blog, mto bem explicado. Como faltam apenas 2 meses, tô estudando mais para viagem e mesmo lendo todos os blogs e postagens ainda tenho duvidas. Será que poderia me ajudar?
    Vamos lá:
    Irei dia 20/04 para Cuzco: chegaremos 13:00. Conheceremos o básico
    21/04: Passeio pela empresa Fabulous Peru Tours para Vale Sagrado e de Ollantaytambo pegaremos o trem para àguas Calientes.
    22/04: 6 horas para Machu Picchu e as 11 para trilha Huayna Picchu.
    Descer e pegar o trem em agua calientes para Ollantaytambo e depois van para Cuzco
    23/04 City tour em Cuzco
    24/04 Partida as 11:00
    Minhas dúvidas:
    1-Dá para fazer Machu Picchu e trilha e ainda descer para cuzco para pegar o trem às 16:30? Vou chegar cedo em Machu Picchu.
    Ou vc acha melhor dormir em Águas Calientes e ir no outro dia para Cuzco.
    2- Vc comprou o ticket do trem para aguas calientes ida e volta?
    3- Tem trem direto de Agúas calientes para cuzco?
    Desculpe minha ignorância, mas já li tantas coisas q estou até meia confusa.
    Obrigada pela atenção e desculpas por ocupar seu tempo. Bjs e parabéns pelo seu ótimo blog.

  7. Olá, Teresa Cristina. Muitíssimo obrigado, fico bem feliz que tenha gostado. O roteiro que você montou está legal sim, é bom para quem tem menos dias por lá. Na volta de Águas Calientes ainda pernoitamos em Ollantaytambo. Obrigado mais uma vez e espero que tenha (ou tenha tido) uma ótima viagem! 🙂

  8. Parabens pelos videos e pelo blog…sao de excelente qualidade, super bem produzidos e de muito bom gosto!!
    Estou indo agora e novembro para o Peru e o meu itinerário é bem parecido com o seu.
    Eu queria uma dica: estou querendo fazer o passeio para Ollanta e de lá, ir direto para Aguas Calientes, no mesmo dia. O que vc acha? Eu estou pensando em fazer assim: um dia passeando por Cusco, no outro dia um passeio a Ollanta e trem para Aguas Calientes. Durmo por lá e pego o primeiro ônibus para Machupichu. Durmo em Aguas Calientes e aproveito o dia seguinte para passear por lá. Pego o trem e volto para Cusco e pronto.
    Se puder, me passe o roteiro dia a dia que vc fez. Vai me ajudar ainda mais.
    Parabéns mais uma vez pelo blog maravilhoso.
    Teresa Cristina

  9. meu velho, parabens. seu video no youtube tá muito legal. estavamos em duvida pra onde ir em nossas ferias e gracas ao seu site e canal no youtube nos decidimos. vamos pro peru.

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