Jungfraujoch é um dos lugares mais incríveis e cinematográficos que eu já visitei, na Suíça. Minha história de paixão com a montanha Jungfrau e com a Suíça começou em 1996, quando comprei uma revista que tinha o destino na capa.
Depois de sonhar tanto com o Jungfrau na Suíça, foi só em 2008 que resolvi viajar sozinho para lá (na minha memória era 2009, mas depois de rever minhas anotações foi em 2008 mesmo). Mas foi uma paixão tão grande que resolvi repetir a viagem em 2010, dessa vez levando o Cleber e mais um amigo nosso, para apresentar as belezas que tinham me fascinado anteriormente.
E finalmente agora em 2026, nós tivemos a oportunidade de retornar para um roteiro de 10 dias na Suíça. E se pudermos, ainda iremos para lá novamente.
O destino mais impressionante de minha passagem pela Suíça foi a região de Interlaken e a estação de trem Jungfraujoch, a estação mais alta da Europa. Tão alta que depois de atravessar o interior de uma montanha, você sai num lugar onde há neve o ano inteiro, até mesmo no verão.
Prepare-se para conhecer conosco o Topo da Europa.
Jungfraujoch, Suíça – A Estação de Trem mais Alta da Europa
Como Chegar ao Topo da Europa, Preços e Dicas de Viagem

A Primeira Vez na Suíça
Em 2008, havia chegado a época das minhas férias do trabalho e não tinha arranjado companhia para viajar comigo.
Depois de tanto tempo viajando acompanhado, rolava um certo receio de viajar sozinho novamente, principalmente passando duas semanas no exterior. Acabei escolhendo a Suíça, um lugar que estava nos meus planos há muito tempo, desde que eu comprei uma revista que falava sobre as maravilhas do país.
A Suíça parecia ideal, um país de transporte eficiente e de belezas naturais impressionantes. E de fato é um lugar perfeito para se viajar sozinho, já que toda a infraestrutura é muito amigável, principalmente os trajetos de trem, o que torna a circulação pelo país inteiro extremamente fácil. Mas o ponto alto foi minha viagem até o Jungfrau, considerado o Topo da Europa.
A Segunda Vez na Suíça
Dois anos depois, em 2010, eu tive que levar o Cleber para conhecer. Eu havia voltado tão empolgado e fascinado pela Suíça, que inicialmente o que era para ele um destino sem relevância, virou uma necessidade.
Entre uma viagem e outra, e durante as duas viagens, vou contar o relato dessas minhas duas passagens pela Suíça, com algumas informações sobre o que fazer por lá, dicas e roteiros de passeios nesse país incrível, que ainda hoje fica na minha memória e nas minhas constantes vontades de retornar a ele.
A Terceira Vez na Suíça
Demorou 16 anos para finalmente conseguirmos voltar para a Suíça. Dessa vez, adotamos um roteiro de viagem mais abrangente, começando pela Itália e a famosa travessia para a Suíça no Bernina Express e depois seguindo para Interlaken.
Ficamos 3 dias em Interlaken, pois além do Jungfraujoch, também visitamos Grindelwald, Lauterbrunnen e o mirante Harder Kulm.
Onde Ficar na Suíça
Interlaken é uma cidade com opções caras de hospedagem, então é preciso pesquisar bem para encontrar uma boa relação custo benefício.
Em 2008, eu fiquei hospedado em Interlaken mesmo, numa hospedagem em quarto privativo mas com banheiro compartilhado, a melhor forma de economizar na Suíça. Os preços em hospedagens com banheiro compartilhado são significativamente mais baratos, mas não é das melhores experiências, pois costumo ir no banheiro durante à noite.
Mas a vantagem da Suíça é que, onde quer que você fique hospedado, a distância é curta entre um destino e outro. Então Berna foi nossa escolha em 2010. Você fica a cerca de 1h de trem de Interlaken, a cidade base para fazer esse passeio até o Jungfraujoch.
- Em 2008 fiquei hospedado em Interlaken, no Hotel Rössli, que reservei através do Booking.com. Lembrando que nesse hotel optei pelo quarto individual privativo com banheiro compartilhado, para economizar.
- Em Berna, ficamos no Hotel Pension Marthahaus, que reservamos através do Booking.com. A diária custa a partir de R$ 910,00 para 2 pessoas.
- O hotel foi meio difícil de encontrar quando chegamos, por isso, é aconselhável pegar um táxi na chegada. O hotel é simples, mas confortável, bom café da manhã e localização bastante tranquila.
Em 2026, na nossa viagem mais recente, escolhemos um hotel excelente em Interlaken mesmo, a poucos metros do centro e da estação de trem Interlaken West, que de onde chegam os trens de Berna e Zurique.
- Em Interlaken, nós ficamos no Stella Swiss Quality Hotel, com atendimento excelente e quartos bem amplos. O café da manhã também foi muito bom.
- Infelizmente, os valores das diárias nesse hotel são bem puxadas, a partir de CHF 250 (ref. jun/2027, cerca de R$ 1.600,00), preço de resort all inclusive no Brasil. Mas resolvemos investir mesmo assim e achamos que valeu a pena, pela comodidade de ficar em Interkalen, que é uma cidade deliciosa.
- Mas se o preço está acima do seu orçamento, as opções que indicamos acima tem melhor custo benefício.
Consulte outras opções de hospedagem pelo Booking.com
Interlaken: cidade base para conhecer o Jungfrau
Interlaken é uma ótima opção de hospedagem, uma cidade agradável onde é possível fazer passeios de barco ou ir até o Harder Kulm (mirante incrível para toda Interlaken, dois lagos e para as montanhas ao redor, inclusive o Jungfrau) ou o Schynige Platte (montanha acessível por teleférico com ótimas vistas da cidade).
Mas não é preciso subir às alturas para já avistar a neve em Interlaken. De vários pontos da cidade é possível ver as montanhas que rodeiam a região, em vários pontos nevados, inclusive a montanha Jungfrau.
É nesse ponto que eu me dei conta: estou na região dos Alpes.
Apesar das atrações de Interlaken, que incluem até mesmo esportes radicais, o objetivo principal de quem vai até lá é subir até o Jungfraujoch, um circuito que alcança o cenário composto de três montanhas: os picos Eiger (3.970m), Mönch (4.099m) e o Jungfrau (4.158m). É nele que os visitantes encontram a estação de trem mais alta da Europa, também chamada de Topo da Europa, e situada a 3.454 metros de altitude.
Trem para Jungfraujoch – Preço, Trajeto e Duração
Os trens para o Jungfraujoch partem da estação Interlaken Ost (Interlaken Oeste) da cidade.
Se você estiver em Interlaken West, é possível alcançar a outra estação em cerca de 20 minutos de caminhada, atravessando a cidade, que não é muito grande. Ou pode ir de trem mesmo.
Quanto Custa
O primeiro passo para quem viaja na Suíça é comprar o Swiss Travel Pass.
Nós compramos o nosso Swiss Travel Pass pelo site da Civitatis. O processo de compra é super simples e o passe é emitido logo após a compra, com um QR Code. Nos trens, basta mostrar o QR Code aos fiscais, não é preciso validar o ticket ou passar nos guichês antes, só entrar no trem e viajar (exceto naqueles que precisam de reserva de assento).
O Swiss Travel Pass custa a partir de €278,80 por pessoa, no passe de 3 dias consecutivos.
- A partir de Interlaken Ost começa nossa viagem até o Jungfraujoch.
- Se você tem o Swiss Travel Pass, tem desconto na tarifa e deve comprar a passagem a partir de Lauterbrunnen ou Grindelwald.
- A viagem é um pouco cara, custa CHF 188,00 ida e volta e inclui todas as experiências no alto do Jungfrau (já com 50% de desconto graças ao Swiss Pass).
- A passagem permite que você desembarque e embarque novamente em qualquer um dos pontos do trajeto.
Uma dica importante é baixar o aplicativo da SBB, que é a empresa ferroviária nacional da Suíça. No aplicativo você consegue consultar todos os horários de trem disponíveis, conexões e possíveis atrasos (sim, os trens atrasam na Suíça).
Mas lembre-se, a passagem até o Jungfraujoch é independente e deve ser comprada separadamente.
Como Comprar a Passagem para Jungfraujoch
A passagem pode ser comprada em qualquer ponto de vendas da SBB e não necessariamente no local de embarque. Ou seja, você pode comprá-la em Interlaken, Berna, Zurique, onde quer que esteja hospedado ou seja mais fácil para você. Assim você chega no dia do embarque já com a passagem comprada, é só embarcar.
Você também pode comprar no site oficial do Jungfrau.
No mapa abaixo, é possível conferir o circuito de trem até Jungfraujoch. Existem 2 trajetos, ambos com praticamente a mesma duração. Em um deles, você irá passar por Lauterbrunnen (trajeto azul no mapa) e outro você irá passar por Grindelwald (trajeto verde). Em qualquer um dos trajetos, a convergência é na estação Kleine Scheidegg, onde começa o trajeto de trem final até o topo do Jungfrau. Como o trajeto e o preço é o mesmo, vale a pena ir por um caminho e voltar pelo outro.
Na alta temporada e/ou nos horários de pico, é aconselhável reservar o assento, pois o trem pode lotar. Nesse caso, é preciso pagar um valor adicional para a escolha do assento e reserva de horário, tanto para a ida como para a volta. É meio difícil calcular quanto tempo você vai passar lá em cima, mas nós ficamos cerca de 4 horas.
Os primeiros horários de subida tem preços mais baratos, porém eles saem antes das 8h.

O caminho de trem é maravilhoso, atravessando uma região conhecida pelo Alpes Berneses.
Lauterbrunnen
Fomos pelo trajeto via Lauterbrunnen. São 30 minutos de Interlaken até Lauterbrunnen, sempre com vistas maravilhosas do rio, das casas suíças e da paisagem montanhosa agradabilíssima.
Fiquei um pouco frenético, é tanta coisa linda no caminho que dá vontade de fotografar tudo. Todas aquelas paisagens de cartão postal passam diante dos seus olhos e tudo o que você quer é guardar aquilo através de fotografias, ao invés de simplesmente guardar na memória.
Procure sentar num lugar onde você possa abaixar o vidro, assim você pode fotografar e filmar sem reflexos.
Mas tudo chegou próximo do inacreditável quando eu vi a cena fotografada abaixo. Uma cidade localizada entre montanhas belíssimas, com casas de madeira e telhados tipicamente suíços, as montanhas nevadas ao fundo da paisagem e uma belíssima cachoeira desaguando bem no meio da cidade. Impossível? Não, na Suíça essa paisagem existe. Minha emoção foi enorme, mas o melhor ainda estava por vir.

A Suíça Cinematográfica
O vale de Grindelwald e a cidade vizinha de Lauterbrunnen são notoriamente uma das inspirações de J.R.R. Tolkien para criar o famoso refúgio élfico de Valfenda (Rivendell) na série O Senhor dos Anéis.
As paisagens são de fato cinematográficas. Filmes como a série Guerra nas Estrelas, de George Lucas (Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith, 2005) e A Bússola de Ouro (The Golden Compass, 2007) tiveram cenas gravadas na região de Grindelwald, por onde passa o trem para Jungfraujoch. Embora muito desses filmes sejam feitos em computação gráfica, é certo que paisagens como as montanhas dos alpes suíços fazem parte do imaginário cinematográfico.
Tem também o bruxo das trevas Gerardo Grindelwald, do universo de Harry Potter e Animais Fantásticos, mas ele não foi baseado na cidade de Grindelwald. O nome escolhido pela autora J.K. Rowling provavemente remete às suas origens europeias antigas.

007 e o Piz Gloria
O filme “007 – A Serviço de sua Majestade” (On Her Majesty’s Secret Service, 1969), com o 007 da época George Lazenby, é o filme com maior quantidade de locações nessa região.
As locações vão de St. Moritz, do Piz Gloria, Grindenwald, Lauterbrunnen, Interlaken até o próprio Jungfrau.
Uma das curiosidades é que todo ano algumas montanhas suíças são dinamitadas para eliminar o risco de avalanches. A equipe aproveitou um desses eventos para filmar uma cena no local.
O restaurante Piz Gloria também teve seu nome em função do filme, e o término de sua construção foi financiada pela equipe do filme.
O filme é o único da série 007 inteiramente ambientado e rodado na Europa. Esse também é o primeiro filme em que o personagem 007 esquia na neve, aliás o filme é famoso pelas sequências de perseguição na neve e de diversos esportes relacionados.
Wengen e Kleine Scheidegg
Depois de passar por Lauterbrunnen, o caminho começa a ficar cada vez mais íngreme e subimos cada vez mais e, se antes estávamos na base das montanhas, em poucos minutos já enxergamos elas de igual para igual.
É o momento de fazer uma parada na estação de Wengen, onde também é possível desembarcar e fazer uma parada. Muita gente inclusive fica hospedado por lá.
No entanto, se o trem estiver relativamente vazio, aproveite para fazer o trajeto todo até Kleine Scheidegg. Se estiver cheio, talvez valha a pena descer em algumas das estações e aguardar o próximo, quem sabe mais vazio.
O próximo trecho do passeio é o momento em que finalmente encontramos as montanhas de perto. O encontro é emocionante. A imponência do monte Eiger, com suas bases rochosas e o topo repleto de neve, é de tirar o folêgo. As montanhas se encontram do lado direito do trem, então procure sentar do lado direito.

Última parada de trem antes de entrarmos dentro das montanhas. Kleine Scheidegg fica a 2.061 metros de altitude.
Em 1936, quatro escaladores da montanha Eiger foram mortos nesse paredão, sob o olhar de vários visitantes.
Depois de todas essas paisagens que eu tinha visto de dentro do trem, é lógico que essa região merece uma conferida. Por isso, na hora que você descer para pegar o outro trem até o Jungfraujoch, aproveite para caminhar um pouco pela região e aguarde uns 30 minutos para pegar o próximo trem, caso você não tenha horário marcado.
Uma outra vantagem de fazer essa parada no meio caminho é que você também vai se aclimatando com a altitude. Muitas pessoas que sobem até o topo da montanha passam mal ao chegar lá, portanto se você fizer uma parada no meio do caminho e andar um pouco, é possível que os efeitos diminuam. Pelo menos comigo funcionou e não tive nenhum problema lá em cima.
Parada Estragética
Dali para frente, você enfrentará uma subida de 1.400 metros em 50 minutos. Dos nove quilômetros do caminho, sete são percorridos dentro de um túnel, portanto as vistas panorâmicas acabaram aqui em Kleine.
Nessa parada, você pode descer, caminhar pelas trilhas na base das montanhas e tirar vários retratos com a paisagem. É um lugar cinematográfico, definitivamente.

Pronto, tanto em 2008 como em 2010 eu optei por explorar essa região e não me arrependi. A região é cheia de trilhas, que você pode percorrer curtindo um pouco mais das montanhas e relevo fantástico do lugar. Eu fiquei com muita vontade de explorar, tanto que em 2008, parei aqui na ida e na volta do Jungfrau.
Trecho Final da Subida
Depois de curtir um pouco a Kleine Scheidegg, você está apto para finalmente subir no próximo trem, que vai entrar em um túnel cravado no meio do monte Eiger, percorrer o interior dos montes Eiger e Mönch e finalmente sair no alto do monte Jungfrau.
Como Chegar no Jungfraujoch
A Jungfrau Railway, uma obra pioneira de engenharia, começou a funcionar em 1912. É incrível imaginar que em 1893 alguém teve essa ideia, de construir um túnel através das montanhas para chegar ao pico de uma delas, mas fico feliz que ela tenha ocorrido.
Em 1896 as construções começaram e, como não é difícil de se imaginar, as construções foram lentas e trabalhosas, uma estação por ano era concluída. Infelizmente, seu idealizador, Adolf Guyer-Zeller, morreu antes das obras estarem finalizadas. O projeto inicial iria só até Eismeer, uma das estações no caminho até Jungfraujoch, mas o projeto foi ampliado e depois de 9 anos e vários problemas de execução, finalmente concluído.
Toda essa história é contada através de um vídeo, dentro do trem. O trajeto até o topo, como já mencionamos, dura cerca de 1 hora e faz algumas paradas no caminho. São paradas de alguns minutos, para que os viajantes possam se acostumar com a altitude. Além das paradas do trem, existem duas estações no caminho, onde é possível descer e admirar a vista prévia da região. São elas as estações de Eigerwand (Eiger Wall) & Eismeer (Sea of Ice).
Eigerwand
Na estação de Eigerwand, antigamente havia apenas uma cerca, mas para tornar a visita mais segura, foi substituída por uma camada de vidro. Apesar do vidro, a emoção de estar dentro da montanha e o contato próximo com a neve valem a pena. É possível desembarcar na estação, tirar algumas fotos e voltar para o mesmo trem, pois a parada é de cerca de 5 minutos.

Finalmente, desembarcamos em Jungfraujoch, a estação de trem mais alta da Europa.
Jungfraujoch – O que Fazer
Lá em cima, há algumas coisas para se fazer.
A primeira e mais imprescindível delas é ir conferir o terraço do Sphinx, o ponto mais alto de lá, onde você irá alcançar a altitude de 3.571m, com a vista espetacular para toda o pico do Mönch, de 4.099m. Para chegar lá, é preciso pegar um elevador.
Antes de sair, no entanto, é bom tomar as providências para estar bem agasalhado. Já nas estações que paramos anteriormente, era possível sentir que a temperatura havia caído bastante, mas no alto da montanha, pegamos temperaturas próximas de zero.
Para garantir que você esteja aquecido lá no topo da Europa, é bom utilizar roupas aderentes ao corpo, como roupas de segunda pele, tanto nas pernas como no peito, por debaixo dos agasalhos. Usar duas meias também ajuda, já que o pé é uma das partes mais frias do corpo e também a parte que terá maior contato com a neve da região. Finalmente, é essencial o uso de um casaco impermeável, de material que bloqueie totalmente a entrada do vento e a saída do calor. Luvas e cachecóis também são importantes, embora seja possível sobreviver sem elas no verão. Óculos escuros, protetor solar e tênis/sapato/bota de solado alto são extremamente aconselháveis.
Pronto, atravessamos a porta e sentimos o frio chegar. Mas quem se importa com o frio, quando visualizamos uma paisagem inesquecível, absolutamente cinematográfica.
Sphinx
O terraço do Sphinx garante várias vistas impressionantes da região, e apesar de um pouco lotado, basta um pouco de paciência para conseguir um lugarzinho na grade e poder fotografar com calma a região.
Aletsch Glacier
O Glaciar de Aletsch (Aletsch Glacier), que pode ser contemplado de forma privilegiada a partir de vários pontos do Jungfraujoch, é a maior geleira de toda a cordilheira dos Alpes.
Com cerca de 20 quilômetros de extensão e uma espessura que chega a 900 metros em alguns pontos, ele guarda bilhões de toneladas de gelo e é protegido como Patrimônio Mundial da UNESCO.
Visto lá do alto, no “Topo da Europa”, o Aletsch parece uma imensa avenida de gelo e neve serpenteando entre as montanhas. É uma das paisagens mais deslumbrantes da Suíça e uma demonstração impressionante da força e da grandiosidade da natureza alpina.
Uma geleira (ou glaciar) é uma gigantesca massa de gelo que se forma ao longo de séculos ou até milênios. Ela surge em regiões onde a quantidade de neve que cai durante o inverno é maior do que a que derrete no verão. Com o passar do tempo, as camadas de neve se acumulam, são compactadas pelo próprio peso e se transformam em um gelo extremamente denso. Longe de serem estáticas, as geleiras agem como verdadeiros “rios de gelo” que fluem muito lentamente montanha abaixo, moldando e esculpindo a rocha por onde passam.
Plateau – Caminhar na Neve
Além das paisagens impressionantes do alto da Sphinx, o que é mais legal aqui no Jungfraujoch é poder caminhar na neve. Ou seja, o lugar não é só panorâmico, como também sensorial.
Da primeira vez, em 2008, nem fui com sapatos adequados, fui com um tênis que ficou todo molhado e de tempos em tempos eu entrava na parte interna da estação para secá-lo com o aquecedor. Da segunda vez, fui com um tênis de solado mais alto.
De qualquer forma, os caminhos são aplanados e convém não sair da trilha, pois a neve pode ser traiçoeira. Aparentemente, é possível caminhar nela, mas de repente você pode afundar e em alguns trechos pode até haver buracos de gelo ocultos pela neve. Então, é aconselhável não desviar do caminho traçado.
A caminhada da base do Sphinx vai até o Mönchsjoch Hut (1h de caminhada), um ponto de apoio para os montanhistas. Por isso, até mesmo para quem não vai escalar as montanhas, é possível ter esse gostinho de chegar lá e se sentir mais perto dessa natureza espetacular.
Você ainda pode curtir algumas atividades na neve (pagas à parte), como uma incrível tirolesa, bóias e trenós para descer na neve. As atividades são bem tranquilas para iniciantes na neve, então adoramos.
Palácio de Gelo
Finalmente, de volta ao interior do Jungfraujoch, você encontra o Palácio de Gelo, um lugar 20 metros abaixo da neve, onde passagens subterrâneas dão acesso a galerias e estátuas de gelo. Só tome cuidado para não escorregar no gelo ou grudar no gelo, rs, mas pode encostar e tirar fotos à vontade.
Além do Palácio de Gelo, a parte interna do Jungfraujoch é composta por várias instalações que contam a história dessa ferrovia. Então reserve pelo menos uns trintas minutos para explorar tudo.
Vamos ver passo a passo, como chegar ao Jungfraujoch.
Como chegar no Jungfraujoch
Passo a Passo
1 – Hospede-se em Berna, Interlaken ou em uma cidade próxima, que permita que você viaje e volte no mesmo dia até Interlaken. Em 2008 e 2026, fiquei em Interlaken, e em 2010, nós ficamos em Berna, 1 hora de distância de Interlaken.
2 – Compre o Swiss Pass para poder circular livremente de trem pela Suíça.
3 – Compre a passagem até o Jungfraujoch em qualquer posto de venda da SBB ou pelo site oficial do Jungfrau, já que a viagem não está inclusa no Swiss Pass (CHF 188,00 ida e volta, já com o desconto do Swiss Travel Pass).
4 – Vá agasalhado e preparado para andar na neve, mesmo no verão.
5 – O local de embarque é na estação Interlaken Ost. De lá, até Lauterbrunnen ou Grindelwald, a viagem está inclusa no Swiss Pass. A partir desses pontos, é preciso ter um ticket exclusivo para o Jungfraujoch. Chegando lá em cima, não é preciso pagar mais nada.
6 – Saia cedo, para aproveitar melhor o dia. A viagem até o topo demora mais de 2h. São 4h ida e volta e calcule no mínimo 3 horas para curtir todas as atrações do Jungfraujoch. No caminho, existem várias paradas interessantes, como Lauterbrunnen, Grindelwald, Kleine Scheidegg e Wengen. Você pode descer e subir novamente nos trens em qualquer parada.
7 – Leve remédios. Lá em cima, você pode sentir alguns efeitos colaterais por causa da altitude, como falta de ar, dor de cabeça e até enjôo.
8 – Leve um lanche. No Jungfraujoch existem várias opções de restaurantes e cafés, mas obviamente os preços não são nada convidativos. A água nas torneiras de toda a Suíça é potável, então leve sua garrafa.
FICHA TÉCNICA:
Título: Jungfraujoch – Top of Europe
Direção: Alpes Berneses, Suíça
Produção: Jungfraubahn – Jungfrau Railways. A passagem custa cerca de CHF 188,00 ida e volta.
Fotografia: Fábio Pastorello
O melhor: O caminho todo é impressionante, desde o contato inicial com o Monte Eiger em Kleine Scheidegg até o mirante no alto do Sphinx, mas o melhor mesmo é a oportunidade de ter contato com a neve mesmo estando no verão.
O pior: A viagem é cara e extensa, principalmente no trecho final, e alguns podem sentir o efeito da altitude.
Ano: 2008, 2010 e 2026
País: Suíça
Avaliação: ★★★★★
Esse texto foi originalmente escrito em 2009 e atualizado em 2026. O Viagens Cine contou com a parceira da Jungfrau Railways. Prestigie nossos parceiros.
Nota: Esse post contém links para sites afiliados.

84 Comentários
Olá Fábio, tudo bem?
Li seu blog e gostei tanto que estou planejando uma viagem para Suíça com meu namorado me baseando nas suas dicas. Você pode me tirar umas dúvidas?
Estamos bem confusos quanto ao tipo de desconto seria ideal para uma visita de 2 pessoas por uma média de 4 a 5 dias. Não sabemos se vale a pena comprar o Swiss Pass para somente esses dias, existe algum outro que possa nos atender?
Bom, no nosso caso, chegaremos em Basel e tentaremos pegar um trem para Berna. De lá, tentaremos ir para Interlaken, pernoitar por lá e no dia seguinte fazer a viagem ao Jungfraujoch, voltando para Interlaken no mesmo dia e depois indo para Basel direto. Nessas rotas, o que seria ideal no transporte?
Obrigada desde já e parabéns pelo blog.
Olá Alessa. Se não me engano, você pode comprar com o desconto seja nas máquinas ou pela internet. Você compra o ingresso que tem direito e durante a viagem um fiscal irá passar para conferir os tickets. Se você não tiver o Swiss Pass para comprovar o desconto, seria multada. Que bom que gostou do post, um super abraço e obrigado!!!
Fábio, uau!! Adorei o post, super detalhado e fácil de entender. Parabéns.
Só me restou uma pequena dúvida, pretendo comprar o Swiss Pass, e vi que, ele vale da estação Interlaken Ost até Lauterbrunnen ou Grindelwald, certo? A partir dái, terei que comprar o ticket da passagem até Jungfraujoch em um posto venda autorizado. Isso incluiria aquelas máquinas das estações e site? Sou uma pessoa que gosta de comprar tudo antes, por segurança. Mas como eu poderei informar na máquina/site que eu tenho um Swiss Pass para ganhar o desconto?
Você saberia informar? Se não, você comprou o seu na hora mesmo e apresentou o Swiss Pass em algum balcão de alguma estação?
Muito Obrigada 🙂
Olá, Fabricio. Na primeira vez fui em junho e na segunda viagem fui em setembro. Abraços e obrigado.
Oi, Tiago. Infelizmente não respondemos por e-mail, só aqui no blog mesmo. Mas vamos lá. Em novembro já existe possibilidade de nevar. Veja nesse site. http://pt.snow-forecast.com/resorts/Interlaken/hindcasts/2013-11-17/mid . De qualquer forma, subindo até o Jungfraujoch você verá neve, com certeza. Em relação à vida noturna, sempre há lugares para tomar uns gorós, rs, mas não sei se a vida noturna é o forte por lá. Abraços.
ola,
Estou indo para Interlaken em meados de novembro, minha intenção é ver neve, como brasileiro nunca vi antes, gostaria de saber se em novembro ja tem bastante neve nesta cidade, e como é a vida noturna em Interlaken, tem bares para tomar uns gorós ?? hahahahha
Fico agradecido se puder me responder no e-mail: tiagomsantos@live.com pois não sei se vou conseguir voltar na pagina
Valeu
Bom relato Fabio, obrigado pelas dicas tão detalhadas, em que época você foi?(mes)
Oi, Heloisa. Olha, infelizmente não conheço nenhuma opção. Mas fizemos o seguinte: compramos uma roupa segunda pele (é uma roupa que você usa por debaixo das outras e fica bem justa na pele, esquenta bem) e um casaco impermeável ou corta vento. São roupas que você com certeza irá usar em outras ocasiões, não somente para a neve. Luvas, cachecóis e gorros também são aconselháveis (mas são itens baratos). O resto usei roupas que eu já tinha, como calça jeans, blusas de lã e sapatos/tênis com a sola mais alta. Abraços.
Oi Fábio, tudo bem?
Voce saberia de algum lugar para alugar roupa para visitar o Jungfrau, porque em pleno verão , só iríamos usar um dia. Estaremos lá dia 05/07!!!,
Obrigada,
Oi, Juliana. Eu comprei o ticket só quando cheguei lá mesmo, não há problema. O ticket você já pode comprar ida e volta, mas não precisa definir horário (eles chegam de open timetable), você pode ir e voltar no horário que desejar, você só define a data. Abraços e obrigado!