Meu Passado me Condena – Diversão em Alto Mar

O novo filme do comediante Fábio Porchat, que podemos afirmar sem erros que é um dos melhores atores de humor do momento, fica bem acima de algumas produções recentes de comédia do cinema nacional. A produção tem ótimos momentos, garante boas risadas e possui um elenco afinado, que já vinha trabalhando junto em uma produção da TV paga. O roteiro não deixa a desejar, e entrega para os atores várias oportunidades de fazer graça. E o mais curioso é que o filme foi todo gravado em alto mar, durante um cruzeiro do navio Costa Favolosa. Confira curiosidades sobre a produção. 

Fábio Porchat é turista pão-duro no cinema

Estréia de “Meu Passado me Condena” traz humor a uma viagem de cruzeiro até a Itália

por Fábio Pastorello
 
Miá Mello e Fábio Porchat protagonizam comédia romântica a bordo de um cruzeiro. Fonte: Divulgação
“Meu Passado me Condena – O Filme” (2013, dirigido por Júlia Rezende) é uma extensão de uma série de televisão do canal Multishow, com basicamente o mesmo elenco do filme. É surpreendente que essa seja sua origem, já que a série não é particularmente um sucesso como “Os Normais”, outra série que virou filme, e muito menos parecia ter potencial para render um longa. Mas acho que quanto menores as expectativas, melhor funciona a obra.
E o fato da ideia de fazer um longa devido ao alto entrosamento encontrado pela equipe durante a produção do seriado, justifica porque o resultado do longa seja tão despretensiosamente divertido.

Ultimamente tenho me desanimado com algumas comédias nacionais. Por isso, fui assistir “Meu Passado me Condena”, a nova comédia brasileira (candidata a blockbuster), com alguma ressalva. A presença de Fábio Porchat (do canal da internet “Porta dos Fundos”) garantiu o interesse, e o fato de ser baseado em uma série homônima da Multishow que eu acho divertida. E qual não foi a minha surpresa durante a projeção do filme: o filme é bem engraçado e garante boas risadas.

Luz, Câmera, Ação: tudo durante um cruzeiro em alto mar

No entanto, não se engane. Por traz de toda produção cinematográfica existe algum ou muito trabalho envolvido.

Aqui o trabalho foi rodar um filme praticamente inteiro dentro de um navio em pleno funcionamento. Ou seja, a equipe de 35 pessoas entrou em cruzeiro que de fato fazia uma viagem pelo Oceano Atlântico. 

O navio que serviu de locação para o filme é o Costa Favolosa da Costa Cruzeiros. O cruzeiro contava com cerca de 5.000 passageiros, que estavam em uma viagem real (veja o roteiro na imagem ao lado), contracenando com um casal em uma viagem de lua de mel fictícia. Como conciliar o mundo real e o mundo fictício e fazer com que a produção de um filme não prejudicasse o lazer de passageiros reais, era o grande desafio da produção do longa.

O Costa Favolosa possui cerca de 1500 cabines, 5 restaurantes, 13 bares, 4 piscinas, cassino, teatro de 3 andares, discoteca, academia de ginástica, entre outras comodidades que são comuns em cruzeiros. O filme procura ocupar boa parte desses cenários em alto mar, com cenas gravadas em praticamente todos esses ambientes. 

Restaurante Duca di Borgogna, um dos restaurantes do Costa Favolosa, onde o filme foi gravado
A solução de realizar o filme durante um cruzeiro real ocorreu para poder viabilizar a produção, mas que obrigou a equipe a se encaixar na programação do cruzeiro e ao mesmo tempo ocasionou uma dificuldade de gravar novamente algumas cenas. As cenas gravadas em Marrocos, por exemplo, tiveram que ser realizadas num intervalo de 10 horas, justamente o tempo de parada do navio naquele destino.

Por outro lado, o interessante é que a maior parte dos ambientes não se encontrava lotada, o que era de se esperar num cruzeiro com 5.000 pessoas.

A equipe procurou rodar as cenas durante as paradas. Nessas circunstâncias, a maior parte dos passageiros desce para conhecer e visitar os destinos, e é justamente quando o navio fica mais desocupado. Ou seja, ótima oportunidade para gravar cenas com os ambientes mais tranquilos.
O casal protagonista circula pelo navio nos figurinos de uma festa a fantasia, uma das cenas do filme

Fabio Porchat conta em entrevista que alguns passageiros até achavam diferente e divertido participar das filmagens, o que tornou os trabalhos da equipe uma outra atração dentro do navio.

O certo é que além dos esforços de produção durante um autêntico cruzeiro, o filme funciona muito bem como comédia, graças ao carisma e graça de seu elenco e ao roteiro de Tati Bernardi que mantém o interesse cômico e romântico durante toda a projeção. 

Comédia funciona graças ao carisma e entrosamento da equipe

Fábio Porchat já tem seu talento conhecido através dos episódios de “Porta dos Fundos”, de sua participação no seriado “A Grande Família” e também de outras produções cinematográficas recentes (Totalmente Inocentes, Vai que dar Certo e O Concurso, esses 2 últimos foram algumas das comédias que eu não quis conferir no cinema). Miá Mello não é tão conhecida como seu parceiro, mas também tem ótimos momentos cômicos e ótima química com Porchat. Os coadjuvantes também estão excelentes, com destaque para a Inez Viana, que faz um funcionária da Costa Cruzeiros que não vê a hora de sair daquela prisão que é o seu emprego.

O personagem de Porchat possui concepção muito divertida. Sem grana e pão duro, ele se vê em um cruzeiro internacional, em lua de mel, e casado com uma mulher que adora consumir. Suas situações querendo economizar em cruzeiro onde os gastos estão em toda parte, são as mais divertidas. Mas o filme vai além de tipos divertidos, e traz uma série de situações ligadas a relacionamentos, o passado dos cônjuges e um amigo sem noção (Rafael Queiroga, do Comédia MTV) que resolve se unir ao casal no cruzeiro.

Não é nenhuma obra-prima e tudo o que você deve esperar é uma diversão sem muitas pretensões, mas é um filme que, ao contrário do que seria esperado, consegue estender muito bem as situações de uma série de TV com episódios de menos de 30 minutos. 

O roteiro possui situações bem divertidas (quando Fábio e o amigo entram numa festa de despedida de solteiro gay sem saber, por exemplo) e um casal que desperta a simpatia imediata da platéia. Tem romance, tem locações bonitas (o final também é rodado em Savona, na região da Ligúria, na Itália), tem diversão. Aliás, tudo o que se espera em um cruzeiro, não é? Divirta-se, no cinema e em alto mar.

A equipe grava em uma das poucas locações fora do cruzeiro, em Casablanca (Marrocos)


Fonte: 

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,fabio-porchat-em-romance-em-alto-mar-no-cinema,1089253,0.htm
http://cinema.uol.com.br/noticias/reuters/2013/10/24/gravar-em-navio-e-unica-ousadia-de-meu-passado-me-condena-o-filme.htm
http://www.pop.com.br/mundopop/cinema/POP-Entrevista-Fabio-Porchat-e-Julia-Rezende–ator-e-diretora-de-Meu-Passado-Me-Condena-1012637.html

 

FICHA TÉCNICA:

Título: Meu Passado me Condena: O Filme
Direção: Julia Rezende
Produção: Mariza Leão
Roteiro: Tati Bernardi e Leonardo Muniz
Elenco: Fábio Porchat, Miá Mello, Catarina Abdalla, Alejandro Claveaux, Juliana Didone, Rafael Queiroga, Marcelo Valle e Inez Viana
Fotografia: Dante Belutti 
O melhor: o início do filme, quando o personagem Fábio se vê diante dos gastos e tenta economizar dentro do cruzeiro
O pior: algumas situações ou cenas cômicas acabam ocorrendo de forma muito rápida e todo o potencial cômico não é explorado
Duração: 1h42min
Ano: 2013
País: Brasil
Gênero: Comédia, Romance
Avaliação: ★★★

 
© 2013 Fabio Pastorello. Todos os direitos reservados. A reprodução de textos e/ou imagens não é permitida sem prévia autorização do autor. 
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