Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem – Tocantins

Quais as dicas para curtir melhor uma viagem ao Jalapão? A viagem para o Jalapão, no estado de Tocantins, foi um divisor de águas nos meus trabalhos como blogueiro. Foi a primeira viagem em um projeto fora do âmbito do meu blog, o Adventure Bloggers, que visa promover destinos de viagem ainda pouco explorados pelo turismo.

Na data de divulgação dessa matéria, completamos 1 ano da realização dessa viagem.

O Parque Estadual do Jalapão é uma região ainda pouco conhecida do nosso Brasil (tanto que algumas pessoas ainda a confundem com um deserto), mas que merece com certeza a visita. A seguir, vamos relatar 5 motivos pelos quais você precisa conhecer esse parque e também mostrar algumas fotos da região.

Tive a oportunidade não só de conhecer um destino maravilhoso, mas viajar com excelentes blogueiros de viagem, que me ajudaram a evoluir ainda mais como blogueiro e principalmente como viajante.

https://youtu.be/YReoDZZCNF8

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem – Tocantins

Como Chegar, Quando Ir, Onde Ficar, O Que Fazer

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Um dos cenários no Jalapão: muitas estradas de terra e destinos praticamente intocados no coração do Brasil

Índice de Posts no Blog e nos Adventure Bloggers

O que fazer

Ponte Alta e Cânion Sussuapara
Canoagem no Rio Novo
Dunas do Jalapão
Fervedouros e Cachoeira da Formiga
Trilha da Serra do Espírito Santo
Prainha e Cachoeira da Velha

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins

1 – Porque Conhecer – 5 Momentos Inesquecíveis

  • No Jalapão você encontra dunas, cachoeiras, trilhas, rios de águas cristalinas e montanhas. A natureza em estado bruto. Se você adorou Jericoacoara, vai se encantar com o pôr do sol nas dunas do Jalapão. Se você gosta de piscinas naturais, não vai querer sair dos fervedouros. Se você curte cachoeira, vai encontrar uma das cachoeiras mais lindas do Brasil. Ou seja, tem passeios para todos os gostos.
  • O Jalapão também é um dos “1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer“, do livro da Patrícia Schultz.
  • A região ainda permanece inexplorada, portanto aproveite para conhecê-la. A dificuldade de acesso pode representar um obstáculo, mas na realidade acaba funcionando como uma forma de preservar a região e o frágil ecossistema.
  • A natureza virgem do local despertou o interesse de diversas produções cinematográficas. No caso do filme “Deus é Brasileiro”, filme com Antônio Fagundes e dirigido por Cacá Diegues, a região foi utilizada como locação para demonstrar um pouco das fantásticas criações de Deus. Em “Xingu”, do diretor Cao Hamburguer, o cenário é mostrado para ilustrar paisagens virgens onde os índios teriam vivido.
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
A Cachoeira da Velha, no Jalapão, um dos cenários cinematográficos do lugar

1 – Viajar em Cima do Caminhão da Korubo

Guilherme Tetamanti do Viajando com Eles, Maurício Oliveira do Trilhas e Aventuras e Cris Marques do
Dentro do Mochilão me acompanharam na minha primeira incursão no topo do caminhão

O caminhão da Korubo tem 24 lugares, mas os lugares mais disputados ficavam fora dele. Em esquema de rodízio de 20 minutos cada, 4 pessoas poderiam subir em bancos e curtir o visual de cima do caminhão.

A estrada correndo, as paisagens do cerrado abaixo de você, e ficar mais perto dos pássaros que hora cruzavam a nossa vista, era simplesmente inesquecível.

E o melhor de tudo isso, era curtir esse visual na companhia do pessoal do Adventure Bloggers ou também das outras pessoas que conhecemos durante a viagem, que também eram sensacionais.

2 – Andar de Caiaque no Rio Novo

O acampamento da Korubo, onde ficamos hospedados nesses dias no Jalapão, ficava às margens do rio Novo, um rio de águas tranquilas e refrescantes frente o calor quase insuportável da região. Quer dizer, nem tão tranquilas. Em alguns trechos as águas se transformam em corredeiras, e qual não era meu receio de praticar canoagem por lá, eu que nem sei nadar.

Mas quem está na água é pra se molhar, e fomos todos, desde os mais experientes até os menos praticantes, curtir a canoagem no rio.

Momento muito legal onde todo mundo resolveu unir seus caiaques para tirar uma foto junto

E foi sensacional. Momentos de adrenalina, muita gente virando o caiaque (inclusive eu) ou encalhando nas pedras, mas a beleza de curtir as águas límpidas do rio, a beleza de seu entorno e a adrenalina dos momentos em que o rio ficava mais bravo.

3 – Ver o Pôr do Sol nas Dunas do Jalapão

Pôr do sol nas Dunas do Jalapão, momento incrível e repleto de brincadeiras

Quem já viu o entardecer nas dunas dos Lençóis Maranhenses e de Jericoacoara, sabe que esse é um programa quase sempre imperdível.

Aqui no Jalapão não foi diferente. Além da cor da areia ser meio avermelhada, o entorno é todo muito bonito, um curso de água bem pertinho das dunas, a bela vegetação das veredas que repentinamente se alterna para a aparência desértica das dunas, a Lagoa Azul (infelizmente seca) e as montanhas da Serra do Espírito Santo. Parece cena de cinema.

E também rolou muitas brincadeiras legais como saltar ou rolar nas dunas, ou simplesmente sentar na areia e ficar apreciando o sol sumindo no horizonte.

4 – Os Fervedouros

Roberta, Jorge (amigão que fizemos durante a viagem, mas que não é blogueiro), Guilherme,
Guilherme Mainieri (Adventure Bloggers), Flávia Peixoto (Viajar é Tudo de Bom) e
Cris no fervedouro. 6 pessoas por vez.

Visitamos 2 fervedouros, o Fervedouro da Glorinha e o Fervedouro do Soninho. O fervedouro é uma piscina natural de águas incrivelmente transparentes, que só perdem um pouco da visibilidade quando as areais finíssimas do seu fundo saem do chão, em virtude de um fenômeno raro. O fundo parece fervilhas, mas são bolhas de ar que saem do fundo e que impedem que as pessoas afundem. Perfeito para quem não sabe nadar. 😉

Um dos registros de sequência de fotos em time lapse nas águas do fervedouro, com Maurício,
Lilian Brandão (Nerds Viajantes), Jr Caimi e Gleiber Rodrigues (Andarilhos do Mundo)

E é isso mesmo, não dá pra afundar, as bolhas te levam pra cima. Sensacional, uma experiência única e surpreendente.

5 – Trilha até o Mirante na Serra do Espírito Santo 

No topo da Serra do Espírito Santo, depois de 1 km de subida
 
Como sempre, fazer uma trilha morro acima é um desafio, mas a recompensa já é alcançada logo nos primeiros passos. Conforme você sobe e o fôlego já começa a fugir, é a hora de parar para apreciar o visual da região. E enquanto você descansa, curte um visual literalmente de tirar o fôlego. Foi assim que subimos a trilha até o mirante da Serra do Espírito Santo, cujo maior nível de dificuldade é a elevação (1km morro acima), o calor e as pedras soltas no caminho. Atenção redobrada.
 
Depois de chegar ao topo, mais meia hora de caminhada (dessa vez em território plano) até o incrível ponto onde você vê a montanha virar duna. No meu caso e do Guilherme que me acompanhava, foi correndo mesmo, já que o sol estava quase se pondo e queríamos alcançar o mirante antes dele sumir por entre as nuvens.
 
A serra do Espírito Santo deu origem às dunas do Jalapão, é incrível chegar nesse ponto onde você pode avistar essas dunas se formando. Ainda bem que deu tempo. 🙂

Bonus – Cachoeira da Formiga

Não dava para faltar a Cachoeira da Formiga, uma das cachoeiras mais lindas e de águas mais incríveis que eu já vi. O pessoal nadou muito e mergulho muito nessas águas.
 
Cachoeira da Formiga e suas águas cor verde esmeralda, maravilhosa
 

2 – Como Chegar

  • O Jalapão fica no estado do Tocantins e a porta de entrada é por sua capital, Palmas.
  • De Palmas, são mais 300 km para chegar ao Safari Camp da Korubo, onde ficamos.
  • Para o transporte, nós optamos pelos serviços da Korubo Expedições, que é pioneira e uma das mais conceituadas empresas que operam na região. A Korubo trabalha com pacotes fechados, para cerca de 24 pessoas.
  • Como a viagem é em grupo, você não tem muitas alternativas de dias de chegada ou partida. A chegada é numa sexta-feira, no sábado bem cedo já saímos no caminhão para o Jalapão e voltamos somente na quarta-feira à noite para Palmas.
  • Não há ônibus de linha ou transportes coletivos que ligam as cidades do Jalapão. O máximo que você irá encontrar é transporte até Ponte Alta, também conhecida como portal do Jalapão.
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Mapa da região do Jalapão. Fonte: www.folha.com.br

3 – Quando Ir

  • Nós fomos em setembro e pegamos dias muito quentes e noites bem frescas.
  • De maio a setembro é a época de seca, então essa variação dia quente e noite fria é bem típica.
  • É em setembro também a época de ver o capim dourado, que faz parte do artesanato típico da região. Mas na segunda metade do mês, quando fomos, já tinha passado a época da colheita.
  • No verão, ocorrem chuvas e a variação de clima entre dia e noite é mais sutil. Conclusão: as noites podem ser menos agradáveis e os insetos podem atacar mais (isso não quer dizer que eles não nos atacaram na época da seca rs).
  • Em relação às condições das estradas, há controvésias. Pensei que com a chuva, as estradas ficassem mais complicadas, mas nosso guia explicou que secas elas também ficam difíceis, pois há muitos caminhos de areia fofa. Durante nossa viagem, vimos carros atolados na estrada.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins


4 – Onde Ficar

  • As cidades têm pouca infraestrutura, mas lugares como Ponte Alta, São Felix e Mateiros estão mais próximas do parque. Para percorrer as estradas de terra ou até de areia, só com carros de tração 4×4. Consulte também essa relação de guias turísticos.
  • Mas considero que a melhor opção mesmo é contar com as agências que oferecem expedições pela região. Eles chamam de expedições, mas na realidade são excursões em grupo mesmo. Consulte no Google com as palavras Jalapão Expedição e você vai ver as opções disponíveis.
  • Essas empresas providenciam os pernoites em lugares da região, muitas vezes em acampamentos.
  • O acampamento da Korubo Expedições, considerando as condições e o lugar isolado em que estávamos, era bastante confortável. Veja mais detalhes nessa matéria: Como é o Safari Camp.
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
As acomodações do Safari Camp da Korubo possuem camas e banheiro
  • Os pacotes da Korubo são quase all inclusive (embora esteja longe de ser um resort rs), incluem desde o transfer do aeroporto de Palmas, a viagem até o Jalapão, todos os pernoites (seja em Palmas ou no Safari Camp) e todos os passeios e refeições (e bebidas não alcóolicas). Ou seja, depois que você entrar no caminhão da Korubo, em poucas ocasiões terá que abrir a carteira novamente.

5 – O que fazer

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Visitar um dos fervedouros é um dos programas imperdíveis no Jalapão
  • Para quem já curtiu o pôr do sol na duna de Jericoacoara, por aqui vale a pena conferir o pôr do sol nas dunas do Jalapão.
  • Se você gostou de Bonito ou de mergulhar em piscinas naturais, não deixe de ir nos fervedouros, onde um fenômeno natural impede que você afunde nas águas.
  • Para quem busca paisagens arrebatadoras e cinematográficas como na Chapada Diamantina, subir uma trilha de 1 hora até o topo da Serra do Espírito Santo é uma experiência única.
  • Para quem curte aventura, fazer a canoagem pelas corredeiras do Rio Novo ou sentir a força de suas águas (só de longe, não dá para tomar banho) na belíssima Cachoeira da Velha são passeios imperdíveis.
  • E para quem quer se deliciar em lindas cachoeiras, a Cachoeira da Formiga e suas águas cor de verde esmeralda é a melhor pedida.

O que esperar:

  • Como o lugar possui uma baixa densidade demográfica, que se estende também a um reduzido número de visitantes, tudo ainda está em estado mais preservado e selvagem.
  • O Rio Novo, por exemplo, é um dos últimos rios de água potável do mundo.
  • Mas também é bom esperar trajetos de estrada muito extensos e acidentados, onde o veículo pode balançar bastante. Encontrar carros atolados no caminho não é difícil. Como o acesso é precário, perde-se muito tempo para chegar aos lugares, mas é certo que ao chegar, percebe-se que todo o esforço vale a pena.
  • Não espere sinal de telefone ou internet na região, ficamos praticamente todos os dias sem comunicação enquanto estivemos por lá. Bom, não fez falta.

Quanto tempo ficar:

  • Pelo menos 5 dias

O que dá para fazer na mesma viagem:

  • Além do Jalapão, é possível explorar as belezas de Palmas e Taquaraçu, que conta com algumas cachoeiras. Frente o calor intenso do Tocantins, curtir uma cachoeira refrescante é uma experiência a conferir.

Quanto custa:

  • A passagem para Palmas é em geral um pouco mais cara pois não envolve vôo direto (eu tive que fazer escala em Brasília) e o custo encarece se você procurar pelos serviços de guias turísticos. Como as estradas são precárias, aventurar-se pelos caminhos sozinho deve ser apenas para os mais preparados.

Esse post faz parte de nossa série de postagens sobre o Jalapão, em que mostramos o que fazer baseado nessa viagem que fiz em conjunto com os Adventure Bloggers em setembro de 2013. Além de mostrar as paisagens e emoções, também iremos falar um pouco dos trajetos, da infraestrutura e da organização pela Korubo Expedições, que organizou nosso passeio.


ROTEIRO NO JALAPÃO – 7 DIAS

  • Dia 0 – Chegada e pernoite em Palmas 
  • Dia 1 – Partida para o Jalapão, Ponte Alta (parada para almoço), Cachoeira de Sussuapara e pernoite no acampamento
  • Dia 2 – Canoagem no Rio Novo, almoço no acampamento e pôr do sol nas dunas
  • Dia 3 – Fervedouros da Glorinha, Fervedouro do Soninho (parada para almoço), Cachoeira da Formiga e comércio de Capim Dourado em Mateiros
  • Dia 4 – Trilha até o Mirante da Serra do Espírito Santo e tarde livre (no nosso caso acabamos tendo a manhã livre e fomos pela tarde, porque o caminhão teve um problema pela manhã), fogueira no acampamento
  • Dia 5 – Retorno, paradas na Cachoeira da Velha e Prainha (lanche reforçado) e pernoite em Palmas
  • Dia 6 – Partida de Palmas

CHEGADA | PALMAS/TOCANTINS 

Na chegada, um funcionário da Korubo Expedições, empresa responsável pela nossa viagem, estava me aguardando no aeroporto de Palmas. Apesar de cada integrante chegar em um vôo ou horário, a Korubo vai pegar os passageiros em vários horários.

O transfer me levou até o hotel Pousada dos Girassóis, que fica extremamente bem localizado, bem em frente à Praça dos Girassóis, uma das maiores praças públicas do mundo. Ali você estará perto de algumas atrações da cidade, como o Memorial Coluna Prestes, o marco do Centro Geodésico do Brasil e os 18 do Forte. O Palácio Araguaia também se encontra nessa praça.
 
Memorial Luiz Carlos Prestes, projeto de Oscar Niemeyer que após 8 anos fechado, foi reaberto ao público, em Palmas
Depois de uma noite em Palmas (ou um dia completo, para quem chegou um pouco mais cedo; recomendável para aproveitar melhor a cidade e suas praias), dia seguinte pela manhã é hora de partir para o Jalapão.

Jalapão – Como Circular

O grupo dos Adventure Bloggers reunido na porta da Pousada dos Girassóis #jalapão #partiu

As distâncias envolvidas nessa viagem são longas. Essa é uma das grandes dificuldades para quem viaja ao Jalapão, a locomoção. No nosso primeiro dia de viagem, percorremos estradas asfaltadas até Ponte Alta, cidade considerada portal do Jalapão, onde fazemos uma parada para almoço. Depois, é só estrada de terra pela frente.

A estrada, na verdade, é de areia, coberta de terra para facilitar o trânsito. Para quem pretende ir com veículo próprio, é bom que seja um carro próprio para esse tipo de terreno.

Vimos alguns (poucos) carros circulando pela região, um deles com sérias dificuldades na estrada de terra que vai até Mateiros. Não há transporte coletivo entre as cidades.

Carro enfrenta dificuldades na estrada de terra rumo a Mateiros

O que eu recomendo é contar com o apoio das agências especializadas por lá. Eu sempre tive várias ressalvas a passeios em grupo, mas depois da Korubo revisei esse meu preconceito. 

O que eu não gosto mesmo são passeios em grupo mal organizados e guias desinteressados. Não é o caso da Korubo: os guias estão constantemente interessados em mostrar para você as belezas do local. Seja belezas grandiosas como a Serra do Espírito Santo ou pequenas belezas, como parar o carro em um cajueiro e distribuir cajus colhidos na hora para os passageiros.
 
Nesse primeiro trecho, quem nos acompanha é o excelente Manoel, que durante o trajeto vai dando informações sobre os locais de nosso trajeto.

Portanto, meu primeiro receio em relação ao Jalapão, que estava relacionado à dificuldade de acesso, apesar de verdadeiro, não prejudicou a viagem. O trabalho da Korubo, desde o transfer do aeroporto até os veículos que circulam pelas estradas de terra do Jalapão, minimizaram esse desconforto. 

É certo que as distâncias são grandes e por vezes os trajetos são um pouco cansativos, mas viajar pelo cerrado é encantador. Além disso, o caminhão da Korubo tem 4 lugares na parte superior, que funcionam em esquema de rodízio, ideais para curtir a paisagem do cerrado, observar aves e curtir o céu azul. Por volta das 18h, dei a sorte de estar lá em cima e curti o primeiro pôr do sol no Jalapão.
 
Aliás, os momentos que passei no alto do caminhão da Korubo vão ficar para sempre guardados na memória.
 
Percorrendo as estradas do Jalapão e curtindo o visual do alto do caminhão: experiência inesquecível
 

DIA 1 – ESTRADA ATÉ O JALAPÃO, PONTE ALTA E SUSSUAPARA

Saímos às 8h da manhã de Palmas e por volta das 11h estávamos chegando em Ponte Alta para o almoço. Ali rola uma troca entre os caminhões e passamos para um veículo mais adequado para as estradas de terra e de areia que encontraríamos no decorrer da viagem.

Em Ponte Alta é o último ponto onde o celular e a internet funcionam, então é hora de dar uma última conferida nas mídias sociais e ter aquela sensação de que você irá sentir muita falta de seu Instagram e Facebook (será?). 

O almoço foi bem simples e caseiro, uma delícia. É o nosso primeiro encontro com o guia Mauro, que iria nos acompanhar durante toda a viagem.

Depois, às 13h, chegamos no Cânion ou Cachoeira da Sussuapara. Depois disso, mais estrada. O que me entretinha no trajeto era a paisagem do cerrado e a vegetação que se modificava constantemente. Por incrível que pareça, você não sente muito calor no caminhão, já que viaja com as janelas abertas o tempo inteiro.

Outra coisa boa é que existem galões de água na frente, onde é possível se abastecer sempre que for necessário. A água estava sempre geladinha.

Chegamos já de noite no acampamento, e não foi muito legal chegar à noite em um lugar que você não tem muita familiaridade, e praticamente sem nenhuma iluminação. O uso de lanternas é essencial. De qualquer forma as instalações são excelentes, considerando o local onde estávamos, no meio do nada. 

Hora de conhecer a tenda, tomar banho e provar um jantar preparado pelo chef Nelson, no refeitório do Safari Camp, com caipirinha de cortesia. O jantar foi delicioso, com direito a sucos e sobremesa.

Refeitório onde o pessoal faz as refeições reunidos

Ao final do jantar, Mauro nos prepara para o dia seguinte, contando tudo o que iremos fazer e o que levar para cada lugar. No caso da canoagem, por exemplo, itens essenciais são o saco estanque para colocar itens que não podem ser molhados e uma sandália ou tênis que possa ser molhado.

Mas o que fica dessa experiência no Safari Camp é que, ao contrário de minhas preocupações, nem todo acampamento significa desconforto, noites mal dormidas ou conflitos com insetos. Quem diria que em localização tão inóspita, conseguiríamos dormir numa tenda com cama, banheiro e livre dos insetos.

DIA 2 – CANOAGEM NO RIO NOVO E PÔR DO SOL NAS DUNAS DO JALAPÃO

O dia começa sempre muito bem no Safari Camp, às vezes bem cedo. Melhor para aproveitar bem o dia. Depois de termos chegado à noite no dia anterior, pela manhã pude conhecer bem o acampamento e suas instalações.

Por falar em Rio Novo, é na prainha do Safari Camp que começa a canoagem do nosso segundo dia no Jalapão. O passeio é simplesmente delicioso, com alguns momentos de muita adrenalina.

Caiaques nos aguardavam no dia de canoagem pelo Rio Novo

O almoço foi no acampamento mesmo e depois ainda rolou um tempo para relaxarmos. O redário é o lugar ideal para dar aquela sonequinha depois do almoço.

À tarde, fomos conferir o pôr do sol nas dunas do Jalapão, indicado por muitos como o melhor passeio do Jalapão. Como era de se esperar, os blogueiros fizeram vários registros do pôr do sol.
Como a ideia foi esperar o pôr do sol, acabamos voltando tarde para o acampamento, mas um delicioso jantar nos aguardava.
 
O prato da noite foi um peixe assado, acompanhado de arroz, farofa e tempurá. Delicioso. O jantar é acompanhado de duas opções de sucos gelados, inclusos no pacote. Quem preferir, pode pedir outras opções, como batidas, que serão cobradas no final da estadia.
Peixe com tempurá, jantar no segundo dia no Safari Camp
 

DIA 3 – FERVEDOUROS E CACHOEIRA DA FORMIGA

Vale a pena mencionar que acordar cedo no Safari Camp da Korubo é extremamente motivador. Eu odeio acordar cedo, mas por aqui acordei em três ocasiões para conferir o nascer do sol. Valeu a pena? Confira essas fotos e me diga se não é para pular da cama?

Amanhecer no Safari Camp da Korubo
Esse foi outro nascer do sol, igualmente imperdível

Um dos dias mais aguardados da expedição foi para conferir os famosos fervedouros, essas piscinas naturais onde é impossível afundar. O dia foi uma delícia só, visitando os Fervedouros da Glorinha, Soninho e a Cachoeira da Formiga.

No final do dia, a parada é em Mateiros, uma das cidades mais conhecidas do Jalapão. A parada é para conferir o artesanato do Capim Dourado, típico da região. Paramos na Casa do Artesão, onde existem inúmeros itens por preços bem menores do que encontrados fora daqui.

Essa também é a parada para poder ligar para os familiares. Aqui o sinal do celular volta a funcionar. Já o sinal da internet, nada garantido.

Mas outra opção de compra é no próprio Safari Camp do Jalapão. No refeitório, os produtos de artesanato são apresentados com etiquetas que identificam o nome dos artesões. Os preços são semelhantes aqueles da Casa do Artesão, em Mateiros.

Artesanato do Capim Dourado pode ser encontrado tanto em Mateiros como no Safari Camp

DIA 4 – TRILHA NA SERRA DO ESPÍRITO SANTO

Acordamos super cedo para fazer a trilha logo cedo para não sofrer tanto com o sol. O caminhão quebrou e tivemos que fazer a trilha à tarde. Houve uma tentativa por parte de algumas pessoas do grupo para mudar a programação para um passeio mais light, mas tanto eu como outras pessoas queríamos conferir o visual do alto da serra. Aliás, para mim era um dos dias mais esperados.

O pessoal da Korubo deixou o grupo livre para decidir, mas deixou claro que mesmo se apenas 1 pessoa quisesse fazer a trilha, eles teriam que fazer (já estava na programação do roteiro).

Portanto, fomos mesmo assim. A manhã foi livre, boa parte do grupo aproveitou para fazer uma trilha bem leve dentro do acampamento, sempre tangenciado o Rio Novo. Depois, o programa era sempre um banho de rio.

Pessoal curte o rio na prainha do Safari Camp

Saímos afinal para a trilha, por volta das 15h30. No caminho, uma paradinha para conferir outro trecho do Rio Novo, dessa vez bem mais movimentado do que aquele dentro do acampamento. Os mais corajosos fizeram um mergulho.

A trilha, como esperado, foi difícil, não tanto pelo calor, já que o tempo estava semi nublado, mas pelas pedras soltas, que tornam o caminho sempre arriscado. Chegamos um pouco tarde no alto da serra, e o tempo passou muito rápido, tanto que tive que correr outros 3 km no alto da serra para conferir o pôr do sol.

O legal da trilha é que fomos acompanhados por mais de 1 guia da Korubo, ou seja, havia um seguindo na frente abrindo o caminho pdara os mais bem preparados, e 1 guia no final da trilha acompanhando aqueles que demorarem mais. Dessa forma, ninguém fica desacompanhado.

Voltamos pregados para o acampamento, mas ninguém queria perder a noite de fogueira no nosso último dia de Safari Camp. Sentamos todos em volta da fogueira e ouvimos histórias do nosso guia Mauro.

DIA 5 – RETORNO PARA PALMAS, CACHOEIRA DA VELHA E PRAINHA

Grupo reunido no nosso último dia de volta, retorno para Palmas

Infelizmente, era hora de ir embora do Safari Camp da Korubo no Jalapão. Todo mundo se despediu da sensacional equipe da Korubo, que transformou essa em uma das viagens em grupo mais legais que eu já fiz.

Mas ainda tinha algumas atrações pela frente. No caminho de volta para Palmas, fizemos duas paradas.

A primeira foi na Cachoeira da Velha. O volume de águas impressiona, do mesmo Rio Novo que no acampamento era tão tranquilo, agora virava uma queda de água fantástica. Infelizmente, não dá para tomar banho por aqui, devido a força das águas, mas é possível percorrer vários caminhos para conferir a cachoeira de diferentes ângulos.

Chegando na Cachoeira da Velha, através de uma passarela suspensa
Jalapão - Cachoeira da Velha
Incrível queda d’água na Cachoeira da Velha

Depois de visitarmos a Cachoeira da Velha, foi a vez de curtir a Prainha, que fica bem perto. Tem uma trilha até lá, mas fomos pelo caminhão da Korubo.

O local é paradisíaco, as águas do rio Novo novamente se transformam e ficam bem tranquilas, formando uma praia de areias claras e transparência. Aliás, paraíso é mesmo o que a gente lembra do local, tanto que por sua natureza praticamente intocada a Prainha foi uma das locações escolhidas pelo filme “Deus é Brasileiro”, com Antônio Fagundes.

Aliás, o estado de Tocantins tem incentivado a produção cinematográfica, pelos dias iluminados, povo receptivo e especialmente por seus lindos “cenários” naturais.

Prainha, quem diria que depois da Cachoeira da Velha, o Rio Novo ganharia águas tão tranquilas

Logo após a Prainha, o pessoal da Korubo preparou um lanche reforçado delicioso, com tortas salgadas e bolo, acompanhados do já básico suco bem gelado.

E depois de comer, foi hora de botar o pé na estrada novamente. A viagem de volta pareceu mais longa, provavelmente por já estarmos cansados, mas contou novamente com parada em Ponte Alta para troca de caminhões.

Quando chegamos em Palmas, foi a hora de retomar contato com a internet e as linhas telefônicas.

Por incrível que pareça, tive até preguiça de voltar a usar as redes sociais e o telefone. Todo aquele isolamento de comunicação no Jalapão permitiu uma ligação mais direta com o lugar que estávamos visitando, sem a preocupação/ocupação de postar cada momento no Facebook ou no Instagram. E lógico, proporcionou uma paz que a internet às vezes nos rouba. 

O pessoal do Adventure Bloggers se rueniu e saímos para jantar com o nosso super amigo do blog Dudu Afora, que além de nos acompanhar por uma gostosa caminhada pelo centro de Palmas, ainda nos preparou um kit com um ótimo material turístico do Tocantins (foto à direita). Valeu Dudu!!!

Depois, rodamos pelo centro atrás do Centro Geodésico do Brasil, que fica na ala norte do Palácio Araguaia. No piso em torno do centro, está uma Rosa dos Ventos e referências a etnias indígenas do Tocantins.

DIA 6 – PALMAS E RETORNO

Último dia de viagem, ainda aproveitamos para conhecer melhor a Praça dos Girassóis, um complexo de prédios públicos como o Palácio Araguaia, o monumento em homenagem a Coluna Prestes e o Centro Geodésico do Brasil. Tudo sob um calor intenso, por isso aproveitamos a caminhada no horário mais cedo possível.

Flores na Praça dos Girassóis

Depois aproveitamos um pouco da piscina da Pousada dos Girassóis e o pessoal começou a ir embora em seus respectivos vôos. Foi chegando a hora de eu ir embora e aquela saudade gostosa de tudo o que foi vivido. Com certeza, guardo ótimas recordações do Jalapão, de todas as minhas expectativas e preocupações como o isolamento, a possível falta de infraestrutura e a ausência de comunicação, se transformaram numa adorável experiência no coração do Brasil.

Uma viagem ao coração do Brasil, foto do Centro Geodésico do Brasil

Como é o Safari Camp da Korubo

O Safari Camp da Korubo Expedições tem como proposta manter o contato com a natureza, mas sem que o conforto dos viajantes seja prejudicado. Esse contato, aliás, foi construído para minimizar o impacto ambiental. No acampamento não há energia elétrica, mas a luz é viabilizada através de energia solar. O tratamento sanitário é realizado de forma que a água é esterilizada e reaproveitada para limpeza.

São mais de 1 dezena de tendas, duas delas são em tamanho maior, que permitem acomodar uma família inteira.

Ao contrário do que se imagina, dormir no acampamento era bem confortável. Existem duas camas com lençóis e cobertas, está tudo arrumado quando você chega. Você pode perguntar: precisa de coberta? Sim, precisa. Durante a noite a temperatura pode cair bastante, isso na época em que estávamos estávamos indo.

Em relação aos insetos, outra surpresa. Não tive problema nenhum dentro da tenda, seja com mosquitos ou com outros bichos peçonhentos (sim, eles podem aparecer na região). O segredo é manter a tenda sempre fechada com o zíper, assim você evita a entrada de hóspedes indesejados.

Banheiro na Tenda

Dentro da tenda existem banheiros com pias, vaso sanitário e divisórias para guardar as malas. Ou seja, novamente, embora estivéssemos em um acampamento, essa situação era minimizada por uma série de comodidades oferecida pela Korubo.

Para tomar banho, é preciso sair da tenda e dirigir-se a um amplo vestiário, que conta com 4 chuveiros em cabines onde você pode tomar banho com privacidade.

Outra coisa legal que pode parecer bobagem, mas dentro do box existe lugar para apoiar todos os seus itens de banho, como sabonetes e xampu. Odeio quando o hotel não possui essa coisa simples, e você é obrigado a colocar os itens de banho no chão ou equilibrar em cima do box. Soluções simples que facilitam a vida da gente.

Alimentação

No refeitório, rola o café da manhã, com café, leite, sucos, pães, frios, frutas, pão de queijo e bolos. As opções não são muito variadas se comparadas com um hotel, mas como costumo ponderar, prefiro refeições com menos itens mas melhor preparadas do que com muitos itens mas sem esmero.

No refeitório também tem um filtro, onde é possível beber água à vontade ou encher suas garrafas para o dia.

As outras refeições são sempre sempre saborosas, preparadas pelo chef Nelson. Os alimentos são frescos e regionais, para tanto o Safari Camp conta até com uma horta para plantação de alimentos que serão utilizados nos pratos servidos.

Na hora das refeições, um sinal é tocado, para que todos se reunam e façam as refeições em conjunto. O pessoal se serve à vontade e pode repetir, tanto as opções de comida como sucos.

Outros Aspectos

Outra de minhas preocupações foi como seria para o uso da energia elétrica. A luz nas tendas é fraca, via pequenos Leds abastecidos com energia solar.

O acampamento conta com inversor à base de placas solares para carregar equipamentos eletrônicos como câmeras e filmadoras. São cinco tomadas, disputadas por todos. Esse talvez tenha sido a questão mais delicada. Além da concorrência pelas tomadas com os outros viajantes (uma dica é levar extensões ou benjamins), muitas vezes o circuito não deu conta da sobrecarga e caiu. 

Felizmente, no meu caso, não tive nenhum problema de equipamento sem baterias carregadas, e utilizei 3 câmeras e um notebook, mas algumas pessoas do grupo experimentaram privações. Portanto, o uso é limitado.

O acampamento fica às margens do rio Novo, o principal rio da região do Jalapão. Essa localização permite que o acampamento tenha uma gostosa praia à beira do rio.

O calor do Jalapão é intenso, portanto a maior parte do tempo em que ficamos por lá, esse rio foi uma espécie de oásis para todos. O melhor é que esse trecho é bem tranquilo, então há uma grande área onde é possível nadar tranquilamente ou simplesmente ficar ali relaxando e curtindo um delicioso rio de águas transparentes. 

Dentro das condições em que nos encontrávamos, isolados no meio do Jalapão, e considerando as preocupações da Korubo para não influir ou prejudicar o meio ambiente da região, considero que a hospedagem foi muito boa, inclusive conseguindo manter um padrão de conforto nas acomodações e variedade e sabor na alimentação, comparáveis com hotéis de boa qualidade.


FICHA TÉCNICA:

Hotel/Pousada: Safari Camp Korubo
Direção: Jalapão, Tocantins
Fotografia: Fábio Pastorello
O melhor: ninguém passou fome no acampamento, pelo contrário, as refeições preparadas pelo chef Nelson estavam sempre entre os melhores e mais aguardados momentos do dia
O pior: a energia caiu algumas vezes, dificultando o carregamento de baterias e equipamentos eletrônicos
Ano: 2013
País: Brasil
Avaliação: ★★★★★
 

© 2014 Fabio Pastorello. Todos os direitos reservados. A reprodução de textos e/ou imagens não é permitida sem prévia autorização do autor.

Nota: O Viagens Cinematográficas viajou a convite da Korubo Expedições, dentro do projeto Adventure Bloggers, mas as opiniões aqui expressas representam a nossa livre opinião e baseadas em nossa experiência no local.

17 comentários

  1. Oi! Eu estava procurando excursões no Jalapão e vi que vário pacotes não incluíam a Trilha da serra do Espírito Santo e o Rafting no Rio Novo, vocês tiveram que pagar algo a mais por eles?

  2. Fabio, boa tarde!!

    Trabalho com excursões em SP, MG, RJ e PR e, gostaria de saber se vale a pena algo partindo de SP x TO.

    Tem como nos falarmos via WhatsApp?

    Segue o meu: 011 9 9321 0369

    1. Oi, Sheila. Os lugares em si são deliciosos, o problema são os trajetos, um pouco demorados em estrada de terra e solavancos. Aí realmente depende se você acha que o seu filho(a) curtiria?

  3. Pena que vc tem que vender um rim pra poder ir. Fui pra Colombia gastei menos da metade de uma viagem pro jalapão 😛

    1. Sério mesmo, Rildson? Colocou todos os gastos na conta? Porque esse roteiro no Jalapão foi com tudo incluído, então fiquei 6 dias sem colocar a mão na carteira. Mas realmente é um lugar de logística complicada, justifica o investimento. Abraços.

  4. Eba, valeu Maurício. Você sabe que eu me inspiro sempre no seu trabalho, viu? Depois te pago direitos autorais. hehehehe… Quando ao e-book, tamo junto!!! Amei. Com certeza, estou com saudades de viajar contigo, é sempre muito bom!!! Abração!

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