Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem – Tocantins

Quais as dicas para curtir melhor uma viagem ao Jalapão? Qual a melhor época? Quais os melhores passeios? Onde ficar e como se locomover? Nesse artigo, vamos explorar nosso roteiro completo no Jalapão, dia a dia.

O Parque Estadual do Jalapão é uma região ainda pouco conhecida do nosso Brasil (tanto que algumas pessoas ainda a confundem com um deserto), mas que merece com certeza a visita.

No Jalapão você encontra dunas, cachoeiras, trilhas, rios de águas cristalinas e montanhas. Tudo no mesmo cenário. A natureza em estado bruto.

A viagem para o Jalapão, no estado de Tocantins, foi um divisor de águas nos meus trabalhos como blogueiro. Foi a primeira viagem em um projeto fora do âmbito do meu blog, o Adventure Bloggers, que visa promover destinos de viagem ainda pouco explorados pelo turismo.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem – Tocantins

Como Chegar, Quando Ir, Onde Ficar, O Que Fazer

Assista nosso vídeo para se inspirar com as imagens do Jalapão.

https://youtu.be/YReoDZZCNF8

Você vai conferir a seguir:

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Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins

1 – Porque Conhecer

  • Se você adorou Jericoacoara, vai se encantar com o pôr do sol nas dunas do Jalapão. Se você gosta de piscinas naturais, não vai querer sair dos fervedouros. Se você curte cachoeira, vai encontrar uma das cachoeiras mais lindas do Brasil. Ou seja, tem passeios para todos os gostos.
  • O Jalapão também é um dos “1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer“, do livro da Patrícia Schultz.
  • A região ainda permanece inexplorada, portanto aproveite para conhecê-la. A dificuldade de acesso pode representar um obstáculo, mas na realidade acaba funcionando como uma forma de preservar a região e o frágil ecossistema.
  • A natureza virgem do local despertou o interesse de diversas produções cinematográficas. No caso do filme “Deus é Brasileiro”, filme com Antônio Fagundes e dirigido por Cacá Diegues, a região foi utilizada como locação para demonstrar um pouco das fantásticas criações de Deus. Em “Xingu”, do diretor Cao Hamburguer, o cenário é mostrado para ilustrar paisagens virgens onde os índios teriam vivido.
  • Finalmente, na novela “O Outro Lado do Paraíso”, com Sérgio Guizé, Bianca Bin, Marieta Severo e grande elenco, o Jalapão ficou ainda mais famoso pois era cenário da trama principal.
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Sergio Guizé e Bianca Bin em cena da novela da TV Globo, gravada no Jalapão.
Foto: Divulgação

2 – Como Chegar

  • O Jalapão fica no estado do Tocantins e a porta de entrada é por sua capital, Palmas.
  • De Palmas, são mais 300 km para chegar ao Safari Camp da Korubo, onde ficamos.
  • Para o transporte, nós optamos pelos serviços da Korubo Expedições, que é pioneira e uma das mais conceituadas empresas que operam na região. A Korubo trabalha com pacotes fechados, para cerca de 24 pessoas.
  • Essa opção é bem interessante para quem gosta de fazer novas amizades ou quem viaja sozinho e deseja conhecer outras pessoas.
  • Como a viagem é em grupo, você não tem muitas alternativas de dias de chegada ou partida. A chegada é numa sexta-feira, no sábado bem cedo já saímos no caminhão para o Jalapão e voltamos somente na quarta-feira à noite para Palmas.
  • Não há ônibus de linha ou transportes coletivos que ligam as cidades do Jalapão. O máximo que você irá encontrar é transporte até Ponte Alta, também conhecida como portal do Jalapão.
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Mapa da região do Jalapão. Fonte: www.folha.com.br

3 – Quando Ir

  • Nós fomos em setembro e pegamos dias muito quentes e noites bem frescas.
  • De maio a setembro é a época de seca, então essa variação dia quente e noite fria é bem típica.
  • É em setembro também a época de ver o capim dourado, que faz parte do artesanato típico da região. Mas na segunda metade do mês, quando fomos, já tinha passado a época da colheita.
  • No verão, ocorrem chuvas e a variação de clima entre dia e noite é mais sutil. Conclusão: as noites podem ser menos agradáveis e os insetos podem atacar mais (isso não quer dizer que eles não nos atacaram na época da seca rs).
  • Em relação às condições das estradas, há controvérsias. Pensei que com a chuva, as estradas ficassem mais complicadas, mas nosso guia explicou que secas elas também ficam difíceis, pois há muitos caminhos de areia fofa. Durante nossa viagem, vimos carros atolados na estrada.
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Pôr do sol nas Dunas do Jalapão

4 – Onde Ficar

  • As cidades têm pouca infraestrutura, mas lugares como Ponte Alta, São Felix e Mateiros estão mais próximas do parque. Para percorrer as estradas de terra ou até de areia, só com carros de tração 4×4. Consulte também essa relação de guias turísticos.
  • Mas considero que a melhor opção mesmo é contar com as agências que oferecem expedições pela região. Eles chamam de expedições, mas na realidade são excursões em grupo mesmo. Consulte no Google com as palavras Jalapão Expedição e você vai ver as opções disponíveis.
  • Essas empresas providenciam os pernoites em lugares da região, muitas vezes em acampamentos.
  • O acampamento da Korubo Expedições, considerando as condições e o lugar isolado em que estávamos, era bastante confortável.
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Korubo
Safari Camp da Korubo no Jalapão foi uma super experiência
  • Os pacotes da Korubo são quase all inclusive (embora esteja longe de ser um resort rs), incluem desde o transfer do aeroporto de Palmas, a viagem até o Jalapão, todos os pernoites (seja em Palmas ou no Safari Camp) e todos os passeios e refeições (e bebidas não alcóolicas). Ou seja, depois que você entrar no caminhão da Korubo, em poucas ocasiões terá que abrir a carteira novamente.

Como é o Safari Camp da Korubo

O Safari Camp da Korubo Expedições tem como proposta manter o contato com a natureza, mas sem que o conforto dos viajantes seja prejudicado. Esse contato, aliás, foi construído para minimizar o impacto ambiental.

Eles foram organizados no mesmo modelo dos Safari Camps africanos.

No acampamento não há energia elétrica, mas a luz é viabilizada através de energia solar. O tratamento sanitário é realizado de forma que a água é esterilizada e reaproveitada para limpeza.

São mais de 1 dezena de tendas, duas delas são em tamanho maior, que permitem acomodar uma família inteira. Ao contrário do que se imagina, dormir no acampamento era bem confortável.

Existem duas camas com lençóis e cobertas, está tudo arrumado quando você chega. Você pode perguntar: precisa de coberta? Sim, precisa. Durante a noite a temperatura pode cair bastante, isso na época em que estávamos estávamos indo.

Em relação aos insetos, outra surpresa. Não tive problema nenhum dentro da tenda, seja com mosquitos ou com outros bichos peçonhentos (sim, eles podem aparecer na região). O segredo é manter a tenda sempre fechada com o zíper, assim você evita a entrada de hóspedes indesejados.

Banheiro na Tenda

Dentro da tenda existem banheiros com pias, vaso sanitário e divisórias para guardar as malas. Ou seja, novamente, embora estivéssemos em um acampamento, essa situação era minimizada por uma série de comodidades oferecida pela Korubo.

Para tomar banho, é preciso sair da tenda e dirigir-se a um amplo vestiário, que conta com 4 chuveiros em cabines onde você pode tomar banho com privacidade.

Outra coisa legal que pode parecer bobagem, mas dentro do box existe lugar para apoiar todos os seus itens de banho, como sabonetes e xampu. Odeio quando o hotel não possui essa coisa simples, e você é obrigado a colocar os itens de banho no chão ou equilibrar em cima do box. Soluções simples que facilitam a vida da gente.

Alimentação

No refeitório, rola o café da manhã, com café, leite, sucos, pães, frios, frutas, pão de queijo e bolos. As opções não são muito variadas se comparadas com um hotel, mas como costumo ponderar, prefiro refeições com menos itens mas melhor preparadas do que com muitos itens mas sem esmero.

No refeitório também tem um filtro, onde é possível beber água à vontade ou encher suas garrafas para o dia.

As outras refeições são sempre sempre saborosas, preparadas pelo chef Nelson. Os alimentos são frescos e regionais, para tanto o Safari Camp conta até com uma horta para plantação de alimentos que serão utilizados nos pratos servidos.

Na hora das refeições, um sinal é tocado, para que todos se reúnam e façam as refeições em conjunto. O pessoal se serve à vontade e pode repetir, tanto as opções de comida como sucos.

Outros Aspectos

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Korubo

Outra de minhas preocupações foi como seria para o uso da energia elétrica. A luz nas tendas é fraca, via pequenos Leds abastecidos com energia solar.

O acampamento conta com inversor à base de placas solares para carregar equipamentos eletrônicos como câmeras e filmadoras. São cinco tomadas, disputadas por todos. Esse talvez tenha sido a questão mais delicada. Além da concorrência pelas tomadas com os outros viajantes (uma dica é levar extensões ou benjamins), muitas vezes o circuito não deu conta da sobrecarga e caiu. 

Felizmente, no meu caso, não tive nenhum problema de equipamento sem baterias carregadas, e utilizei 3 câmeras e um notebook, mas algumas pessoas do grupo experimentaram privações. Portanto, o uso é limitado.

Barracas na Beira do Rio

O acampamento fica às margens do rio Novo, o principal rio da região do Jalapão. Essa localização permite que o acampamento tenha uma gostosa praia à beira do rio.

O calor do Jalapão é intenso, portanto a maior parte do tempo em que ficamos por lá, esse rio foi uma espécie de oásis para todos.

O melhor é que esse trecho do rio é bem tranquilo, então há uma grande área onde é possível nadar tranquilamente ou simplesmente ficar ali relaxando e curtindo um delicioso rio de águas transparentes. 

Dentro das condições em que nos encontrávamos, isolados no meio do Jalapão, e considerando as preocupações da Korubo para não influir ou prejudicar o meio ambiente da região, considero que a hospedagem foi muito boa, inclusive conseguindo manter um padrão de conforto nas acomodações e variedade e sabor na alimentação, comparáveis com hotéis de boa qualidade.


5 – O Que Fazer

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Serra do Espírito Santo, trilha que fizemos no final de tarde
  • Para quem já curtiu o pôr do sol na duna de Jericoacoara, por aqui vale a pena conferir o pôr do sol nas dunas do Jalapão.
  • Se você gostou de Bonito ou de mergulhar em piscinas naturais, não deixe de ir nos fervedouros, onde um fenômeno natural impede que você afunde nas águas.
  • Para quem busca paisagens arrebatadoras e cinematográficas como na Chapada Diamantina, subir uma trilha de 1 hora até o topo da Serra do Espírito Santo é uma experiência única.
  • Para quem curte aventura, fazer a canoagem pelas corredeiras do Rio Novo ou sentir a força de suas águas (só de longe, não dá para tomar banho) na belíssima Cachoeira da Velha são passeios imperdíveis.
  • E para quem quer se deliciar em lindas cachoeiras, a Cachoeira da Formiga e suas águas cor de verde esmeralda é a melhor pedida.

O que esperar:

  • Como o lugar possui uma baixa densidade demográfica, que se estende também a um reduzido número de visitantes, tudo ainda está em estado mais preservado e selvagem.
  • O Rio Novo, por exemplo, é um dos últimos rios de água potável do mundo.
  • Mas também é bom esperar trajetos de estrada muito extensos e acidentados, onde o veículo pode balançar bastante. Encontrar carros atolados no caminho não é difícil. Como o acesso é precário, perde-se muito tempo para chegar aos lugares, mas é certo que ao chegar, percebe-se que todo o esforço vale a pena.
  • Não espere sinal de telefone ou internet na região, ficamos praticamente todos os dias sem comunicação enquanto estivemos por lá. Bom, não fez falta.

Quanto tempo ficar:

  • Pelo menos 5 dias

O que dá para fazer na mesma viagem:

  • Além do Jalapão, é possível explorar as belezas de Palmas e Taquaraçu, que conta com algumas cachoeiras. Frente o calor intenso do Tocantins, curtir uma cachoeira refrescante é uma experiência a conferir.
  • Outra atração próxima é a Chapada das Mesas, no Maranhão. Relativamente próxima, são 12 horas de distância, mas tudo é um pouco mais distante mesmo no centro do país.

Quanto custa:

  • A passagem para Palmas é em geral um pouco mais cara pois não envolve vôo direto (eu tive que fazer escala em Brasília) e o custo encarece se você procurar pelos serviços de guias turísticos. Como as estradas são precárias, aventurar-se pelos caminhos sozinho deve ser apenas para os mais preparados.

Roteiro no Jalapão – 7 Dias

Chegada em Palmas/TO

Na chegada, um funcionário da Korubo Expedições, empresa responsável pela nossa viagem, estava me aguardando no aeroporto de Palmas. Apesar de cada integrante chegar em um vôo ou horário, a Korubo vai pegar os passageiros em vários horários.

O transfer me levou até o hotel Pousada dos Girassóis, que fica extremamente bem localizado, bem em frente à Praça dos Girassóis, uma das maiores praças públicas do mundo. Ali você estará perto de algumas atrações da cidade, como o Memorial Coluna Prestes, o marco do Centro Geodésico do Brasil e os 18 do Forte. O Palácio Araguaia também se encontra nessa praça.  

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Memorial Luiz Carlos Prestes, projeto de Oscar Niemeyer que após 8 anos fechado, foi reaberto ao público, em Palmas

Depois de uma noite em Palmas (ou um dia completo, para quem chegou um pouco mais cedo; recomendável para aproveitar melhor a cidade e suas praias), dia seguinte pela manhã é hora de partir para o Jalapão.

Estrada até Ponte Alta

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
O grupo dos Adventure Bloggers reunido na porta da Pousada dos Girassóis

As distâncias envolvidas nessa viagem são longas. Essa é uma das grandes dificuldades para quem viaja ao Jalapão, a locomoção. No nosso primeiro dia de viagem, percorremos estradas asfaltadas até Ponte Alta, cidade considerada portal do Jalapão, onde fazemos uma parada para almoço. Depois, é só estrada de terra pela frente.

A estrada, na verdade, é de areia, coberta de terra para facilitar o trânsito. Para quem pretende ir com veículo próprio, é bom que seja um carro próprio para esse tipo de terreno.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins

É certo que as distâncias são grandes e por vezes os trajetos são um pouco cansativos, mas viajar pelo cerrado é encantador.

Além disso, o caminhão da Korubo tem 4 lugares na parte superior, que funcionam em esquema de rodízio, ideais para curtir a paisagem do cerrado, observar aves e curtir o céu azul. Por volta das 18h, dei a sorte de estar lá em cima e curti o primeiro pôr do sol no Jalapão.  Aliás, os momentos que passei no alto do caminhão da Korubo vão ficar para sempre guardados na memória.  


Dia 1:
Estrada até o Jalapão, Ponte Alta e Sussuapara

Saímos às 8h da manhã de Palmas e por volta das 11h estávamos chegando em Ponte Alta para o almoço. Ali rola uma troca entre os caminhões e passamos para um veículo mais adequado para as estradas de terra e de areia que encontraríamos no decorrer da viagem.

Em Ponte Alta é o último ponto onde o celular e a internet funcionam, então é hora de dar uma última conferida nas mídias sociais e ter aquela sensação de que você irá sentir muita falta de seu Instagram e Facebook (será?). 

O almoço foi bem simples e caseiro, uma delícia. É o nosso primeiro encontro com o guia Mauro, que iria nos acompanhar durante toda a viagem.

Depois, às 13h, chegamos no Cânion ou Cachoeira da Sussuapara.

Cânion do Sussuapara

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Cânion do Sussuapara

A trilha para chegar ao cânion é bem tranquila, requer somente um pouco de cuidado adicional na hora de descer um caminho até a base do cânion. O cuidado é para não escorregar, mas como pegamos a trilha com tempo ensolarado, foi bem tranquilo.

Quando chegamos na base do cânion, encontramos um cenário surpreendente. Formado por paredões de 12 metros de altura, o cânion possui muita vegetação nas suas encostas, que na realidade são raízes de onde escorrem gotas de água. 

No centro, um delicioso riacho de águas bem geladinhas, nada mais desejável frente o calor do Jalapão.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Cânion do Sussuapara
ânion do Sussuapara. Foto: Maurício Oliveira do Trilhas e Aventuras

No final do cânion, encontramos uma deliciosa queda d’água, que permitiu um banho para lá de refrescante.

O caminho de Palmas até o Safari Camp é bastante extenso, portanto essa parada foi providencial para termos o nosso primeiro contato com um cenário incrível do Jalapão.

Cerrado

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem

Depois disso, mais estrada. O que me entretinha no trajeto era a paisagem do cerrado e a vegetação que se modificava constantemente. Por incrível que pareça, você não sente muito calor no caminhão, já que viaja com as janelas abertas o tempo inteiro.

Outra coisa boa é que existem galões de água na frente, onde é possível se abastecer sempre que for necessário. A água estava sempre geladinha.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem
O primeiro pôr do sol no Jalapão a gente nunca esquece

Chegada no Safari Camp

Chegamos já de noite no acampamento, e não foi muito legal chegar à noite em um lugar que você não tem muita familiaridade, e praticamente sem nenhuma iluminação. O uso de lanternas é essencial. De qualquer forma as instalações são excelentes, considerando o local onde estávamos, no meio do nada. 

Hora de conhecer a tenda, tomar banho e provar um jantar preparado pelo chef Nelson, no refeitório do Safari Camp, com caipirinha de cortesia. O jantar foi delicioso, com direito a sucos e sobremesa.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Korubo
Refeitório onde o pessoal faz as refeições reunidos

Ao final do jantar, Mauro nos prepara para o dia seguinte, contando tudo o que iremos fazer e o que levar para cada lugar. No caso da canoagem, por exemplo, itens essenciais são o saco estanque para colocar itens que não podem ser molhados e uma sandália ou tênis que possa ser molhado.

Mas o que fica dessa experiência no Safari Camp é que, ao contrário de minhas preocupações, nem todo acampamento significa desconforto, noites mal dormidas ou conflitos com insetos. Quem diria que em localização tão inóspita, conseguiríamos dormir numa tenda com cama, banheiro e livre dos insetos.

Confira aqui o vídeo desse primeiro dia no Jalapão.


Dia 2:
Canoagem no Rio Novo e Pôr do Sol nas Dunas do Jalapão

O dia começa sempre muito bem no Safari Camp, às vezes bem cedo. Melhor para aproveitar bem o dia. Depois de termos chegado à noite no dia anterior, pela manhã pude conhecer bem o acampamento e suas instalações.

Por falar em Rio Novo, é na prainha do Safari Camp que começa a canoagem do nosso segundo dia no Jalapão. O passeio é simplesmente delicioso, com alguns momentos de muita adrenalina.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Rio Novo
Caiaques nos aguardavam no dia de canoagem pelo Rio Novo

Às margens do rio, tudo começa com o pessoal escolhendo seus equipamentos, como o capacete e os coletes salva-vidas, de forma a garantir segurança ao passeio. 

Alguns itens também são aconselháveis: ir com uma sandália, papete ou um com tênis velho são essenciais, já que em alguns momentos você pode esbarrar em pedras no percurso, portanto é bom proteger os pés. Levar um saco estanque também é uma boa, assim você pode guardar alguns itens dentro e levar no caiaque, sem que eles molhem. Mas só levei o essencial: uma máquina a prova d’água e uma outra máquina portátil, que guardei dentro do saco estanque que o Guilherme Mainieri me emprestou.

Depois, os guias fazem uma aula rápida de como remar no rio, já que muitos são inexperientes. O grupo era bem diversificado, desde aventureiros até pessoas um pouco mais velhas.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Rio Novo

Depois do treino com os remos, cada um seguiu para um caiaque. Todos os procedimentos são acompanhados por mais de um guia, que ficam distribuídos durante todo o trajeto.

Canoagem no Rio Novo

O trajeto começa bem tranquilo, o trecho inicial do rio é calmo e as brincadeiras do pessoal são garantidas. Em alguns trechos passamos por pequenas, mas bonitas praias.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Rio Novo

As águas do rio Novo são super limpas e cristalinas, tanto que é um dos últimos rios potáveis do mundo.

Depois começam as corredeiras. É nesse momento que a adrenalina começa a acelerar, principalmente depois que eu comecei a ver algumas pessoas virarem em seus caiaques. Apesar de virar o caiaque significar cair nas águas desse rio super gostoso, que na maior parte dos trechos nem fundo é, eu procurei mesmo é tentar seguir sem virar. 

Para os que viraram, os guias estão sempre atentos e foram socorrer o pessoal. O mais difícil é conseguir voltar para o caiaque, com ajuda fica bem mais fácil.

O mais próximo que cheguei de virar foi uma hora que eu encalhei numa pedra. O caiaque deu uma inclinada e me botou pra fora, mas coloquei o pé numa pedra e consegui voltar para o caiaque. Daí a importância de estar calçado.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Rio Novo
Olha só se as águas desse rio não são convidativas

Depois de cerca de 2 horas de passeio e 5 km de percurso, fazemos uma parada em uma praia, onde a partir daquele momento os caiaques têm que seguir um de cada vez. Qualquer desvio e vamos parar em corredeiras bem piores daquelas que havíamos pegado até então. Os guias estão atentos para evitar que o pessoal se desvie do rumo.

No final das contas, essa última corredeira acabou não sendo tão assustadora, apesar de ser a mais inclinada. Um pouco depois dela, há uma outra em que a maior parte do povo se atrapalhou, inclusive eu.

E assim chegou ao fim nosso passeio de canoagem no Rio Novo. Incrível, super recomendo. Confesso que fiquei com um pouco de medo antes de ir, mas é super tranquilo, e até mesmo quem virou o caiaque não se incomodou e achou divertido.

Não deixem de conferir o vídeo com imagens da canoagem e do pôr do sol no Jalapão.

Almoço

O almoço foi no acampamento mesmo e depois ainda rolou um tempo para relaxarmos. O redário é o lugar ideal para dar aquela sonequinha depois do almoço.

À tarde, fomos conferir o pôr do sol nas dunas do Jalapão, indicado por muitos como o melhor passeio do Jalapão.

Saímos às 15h30. Essa opção de ir à tarde permite curtir as dunas sem o calor extremo do Tocantins e ao mesmo tempo conferir o final de tarde e o pôr do sol, que é imperdível.

Mas antes de chegar, muita estrada pela frente.

As distâncias envolvidas nessa viagem são longas. Essa é uma das grandes dificuldades para quem viaja ao Jalapão, a locomoção. Vimos alguns (poucos) carros circulando pela região, um deles com sérias dificuldades na estrada de terra que vai até Mateiros. 

Dunas do Jalapão

A estrada que liga Ponte Alta até Mateiros (TO-225) tem 152km de chão batido e serve de acesso ao Safari Camp da Korubo e às dunas do Jalapão. Por debaixo da terra vermelha, encontra-se na verdade areia, que é coberta de terra para facilitar o trânsito. Para quem pretende ir com veículo próprio, é bom que seja um carro próprio para esse tipo de terreno.

O que eu recomendo é contar com o apoio das agências especializadas por lá. Eu sempre tive várias ressalvas a passeios em grupo, mas depois da Korubo revisei esse meu preconceito. Aqui no Jalapão me pareceu essencial. 

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Estrada que dá acesso às dunas, no percurso admiramos a chapada da Serra do Espírito Santo

As distâncias podem não ser muito significativas em quilômetros, mas em tempo são. Em função das condições da estrada, o veículo balança muito e vai bem devagar. Na realidade, a dificuldade de acesso acaba representando uma forma de preservação do parque, mas dificulta bastante a locomoção dos habitantes da região, principalmente nos casos de doença.

Depois de 1h20 de estrada e de paisagens de aparência árida e inóspitas, chegamos em um oásis. São as veredas típicas do cerrado, marcadas pelos buritis.

O cenário é cinematográfico, mas as referências são mesmo literárias. A região das veredas no Jalapão lembra as paisagens do livro Grande Sertão Veredas, clássico da literatura brasileira de Guimarães Rosa. 

Veja um trecho do livro de Guimarães Rosa e se inspire. É possível imaginar através do texto a paisagem que Rosa concebe, mas também lembro das aves cruzando nosso caminho e das paisagens aprazíveis, com lagoas e altos buritis. Grande cerrado e suas veredas.

“Como fomos: dali do Vespê, tocamos, descendo esbarrancados e escorregador. Depois subimos. A parte de mais árvores, dos cerrados, cresce no se caminhar para as cabeceiras. Boi brabeza pode surgir do caatingal, tresfuriado com o que de gente nunca soube – vem feio pior que onça. Se viam bandos tão compridos de araras, no ar, que pareciam um pano azul ou vermelho, desenrolado, esfiapado nos lombos do vento quente. Daí, se desceu mais, e, de repente, chegamos numa baixada toda avistada, felizinha de aprazível, com uma lagoa muito correta, rodeada de buritizal dos mais altos: buriti – verde que afina e esveste, belimbeleza.” (Rosa, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Editora Nova Aguilar, 1994, p. 56). 

Embora os cenários do livro estejam no estado de Minas Gerais, onde até foi criado o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, a paisagem do cerrado é similar e as características lembram muito a região onde nos encontrávamos. É ainda mais incrível esse contraste de ora você estar numa região quente e cuja vegetação parece sobreviver com dificuldade à ausência de água, e de repente chegar num óasis verdejante, mesmo em época de seca.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Paisagem de veredas, no meio do cerrado e da aridez surge um oásis assim

Depois dessa parada para fotos em cima do cupinzeiro, que era o ponto elegido pelo guia para as fotografias, fomos finalmente para o início da região das dunas. Aqui encontramos uma placa de início do Parque Estadual do Jalapão.

“O Parque Estadual do Jalapão (PEJ), criado pela Lei Estadual 1.203 de 12 de janeiro de 2001, pertence à categoria de Unidades de Conservação de Proteção Integral do Estado do Tocantins. (…) O Parque Estadual do Jalapão está inserido na área nuclear da região do Jalapão, representando mais de 158.000 hectares. Mesmo com tamanha dimensão, a área total do PEJ se concentra em apenas um município tocantinense, Mateiros, sendo que seus limites atingem os marcos divisórios deste com os municípios de Ponte Alta do Tocantins, São Felix do Tocantins e Novo Acordo.” Fonte: Governo do Tocantins – Secretaria do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.

Como bem salienta o site do Governo do Tocantins, o grande desafio com a criação do parque é conciliar a visita aos lugares com a preservação desses frágeis ambientes e ecossistemas. 

Depois de uma curta trilha, acessamos a base das dunas, mas o aviso na entrada já adverte. Não é permitido subir as dunas e sim contorná-las, orientação que visa a preservação de suas características. Na região, também margeamos o Córrego Brejão da Areia, deixando o local ainda mais diversificado.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
O pessoal contornando as dunas, para preservar o ambiente

Além das dunas, do córrego e da Lagoa Azul que ilustram a paisagem das dunas, o cenário ainda é composto pela Serra do Espírito Santo, que não somente compôs toda a paisagem de nossa viagem até ali, como também no alto das dunas é possível chegar um pouquinho mais perto dela. Ou seja, além do sol e das dunas, a diversidade da paisagem do entorno torna o lugar ainda mais especial.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Já no alto das dunas, a paisagem alterna das dunas avermelhadas para o verde dos buritis

Assim que chegamos lá em cima, foi aquele frenesi para registrar o cartão postal do Jalapão. Cada um saiu para um lado, alguns querendo as fotos das areias, outros já se preparando para registrar o pôr do sol e outros ainda utilizando a Serra do Espírito Santo como pano de fundo de seus registros.

Vale tudo para registrar o momento, o difícil mesmo é ficar parado.

Para cada lugar que você olha, um cenário diferente e igualmente lindo.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
De um lado, os registros possivelmente brincavam com os desenhos da areia nas dunas, feitos pelo vento

O final de tarde também foi espaço para brincadeiras, e fizemos vários pulos em conjunto. Além dos saltos, também nos arriscamos a rolar nas dunas, o que é bem divertido, apesar de no final você continuar girando mentalmente durante alguns segundos.

Com isso, quando percebemos o sol já estava se despedindo, e todos partimos para registrar os últimos momentos de um dia que foi sensacional.

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Pôr do sol nas dunas do Jalapão

Mas quem gosta de pôr do sol, sabe que algumas vezes os melhores momentos estão ainda depois que o sol se esconde atrás da linha do horizonte, e o céu ganhou cores e tons ainda mais incríveis nesse restinho de dia.

Ao contrário de em outros lugares (como no pôr do sol na Lagoa Bonita, em Lençóis Maranhenses, onde o guia se apressou em nos levar embora), aqui os guias da Korubo nos deixaram bem à vontade e tivemos tempo suficiente para curtir esses últimos momentos do dia. Fomos embora já quase anoitecendo. 

Apesar de não ser essencial, o uso da lanterna ajudou um pouco na trilha de volta até o caminhão, já que quando voltamos já era noite e não há iluminação artificial por ali.

Ainda rolou mais 1h30 de caminho de volta até chegarmos no Safari Camp da Korubo, mas estávamos todos com a sensação de missão cumprida e de termos presenciado mais um grande espetáculo.

Deus é Brasileiro

E fica aqui o registro de como o lugar é cinematográfico através do filme “Deus é Brasileiro”, de Cacá Diegues e com Antônio Fagundes.

O filme tem cenas filmadas no estado de Tocantins, como em Palmas e principalmente no Jalapão.

Aliás, um dos personagens chave da história, o Quinca das Mulas (Bruce Gomlevsky) reside no Jalapão no filme, e é para lá que partem Deus (Antônio Fagundes) e Taoca (Wagner Moura, muito engraçado). Deus quer tirar férias e pretende transformar Quinca das Mulas em santo para ocupar temporariamente seu lugar. O problema é que Quinca é ateu.

A escolha de Tocantins para as locações de “Deus é Brasileiro” parte da ideia de buscar um destino intocado, mostrando a grandiosidade da obra divina e ainda não transformada pelo homem. Walter Salles, que já havia passado pela região do Jalapão na busca de locações para o seu filme “Abril Despedaçado” mostrou algumas fotos a Diegues e a partir daí foi definida a locação. 

“Eu e Renata (Almeida Magalhães, produtora do filme) pegamos o primeiro avião para Palmas e, a 450 quilômetros da capital, com a preciosa ajuda do Governo do Estado, ficamos deslumbrados com aquele riquíssimo cerrado onde o homem mal havia chegado, com farta fauna e flora excêntrica, cheio de rios e cachoeiras, além de um vasto deserto de areia calcária em seu centro, cortado pela Serra do Espírito Santo.”, declara Cacá Diegues. Fonte: http://www.webcine.com.br/notaspro/npdeusbr.htm

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins

Apesar da premissa interessante e da fotografia de Affonso Beato (um dos melhores diretores de fotografia da atualidade e que já trabalhou com Pedro Almodóvar), o filme não é dos melhores, mas vale pela curiosidade de conferir alguns lugares lindos desse nosso Brasil, para atestar a máxima de que Deus só pode ser mesmo brasileiro.

Retorno ao Acampamento

Como a ideia foi esperar o pôr do sol, acabamos voltando tarde para o acampamento, mas um delicioso jantar nos aguardava.  

O prato da noite foi um peixe assado, acompanhado de arroz, farofa e tempurá. Delicioso. O jantar é acompanhado de duas opções de sucos gelados, inclusos no pacote. Quem preferir, pode pedir outras opções, como batidas, que serão cobradas no final da estadia.


Dia 3:
Fervedouros e Cachoeira da Formiga

Vale a pena mencionar que acordar cedo no Safari Camp da Korubo é extremamente motivador. Eu odeio acordar cedo, mas por aqui acordei em três ocasiões para conferir o nascer do sol. Valeu a pena? Confira essas fotos e me diga se não é para pular da cama?

Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins
Jalapão Dicas e Roteiro de Viagem - Tocantins

Um dos dias mais aguardados da expedição foi para conferir os famosos fervedouros, essas piscinas naturais onde é impossível afundar. O dia foi uma delícia só, visitando os Fervedouros da Glorinha, Soninho e a Cachoeira da Formiga.

Como sempre, acordamos cedo pois os passeios no Jalapão implicam em grandes deslocamentos. Nesse dia era hora de visitarmos os famosos fervedouros no Jalapão.

Para chegar a eles, seguimos pela mesma estrada do caminho para as Dunas do Jalapão, a TO-225, que segue até Mateiros. Mas o caminho era ainda mais extenso do que aquele até as dunas. Depois de percorrer a mesma estrada de terra, passamos pela entrada para as dunas e seguimos viagem, sempre com a paisagem da Serra do Espírito Santo na nossa paisagem.

Fervedouro da Glorinha

Afinal, depois de quase 3 horas de estrada a partir do acampamento da Korubo, chegamos no primeiro fervedouro do dia, o Fervedouro da Glorinha.

É cobrada uma taxa de R$ 10,00 por pessoa, mas no grupo da Korubo, não tivemos que pagar nada, o valor da entrada já estava incluso.

Aliás, o legal da viagem com a Korubo é que você passa todos os dias sem gastar praticamente nada. Todas as refeições estão inclusas, entradas e transporte. A única vez que peguei na carteira foi para comprar o artesanato do Capim Dourado em Mateiros.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Na chegada, todo mundo parou para fotografar o fervedouro

O fervedouro é uma pequena piscina natural cercada por folhas de bananeira. Pelo tamanho e pela fragilidade, só podem entrar 6 pessoas por vez. O limite também garante que o mergulho seja mais tranquilo. Mas em função da quantidade de pessoas (estávamos em um grupo de 24 pessoas), cada grupo teve apenas 20 minutos para ficar no fervedouro. 

Os 20 minutos foram pouco. A dica inicial de nosso guia Mauro, da Korubo Safaris Ecológicos é entrar correndo. Repentinamente, você cai num buraco na água, onde teoricamente não daria pé. Mas você não afunda. No vídeo que editamos dá para ter uma ideia desse momento.

As brincadeiras prosseguem em tentar afundar e não conseguir.

O fenômeno ocorre porque bolhas de ar brotam do fundo do fervedouro, emergindo uma areia finíssima. As bolhas impedem que as pessoas afundem. O nome fervedouro vem justamente dessa efeito provocado pelas bolhas, mas o efeito é apenas visual: a temperatura não é quente nos fervedouros.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Todo mundo curtindo a experiência de não afundar no Fervedouro da Glorinha

Se possível, leve sua câmera subaquática e até mesmo um óculos de mergulho.

O visual embaixo da água é incrível: a água é incrivelmente transparente e também é possível ver alguns pequenos peixes.

Outra curiosidade é olhar para o fundo e ver as bolhas brotando do fundo do fervedouro e levantando a areia.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
A água incrivelmente cristalina dos fervedouros

Depois dos 20 minutos, hora de sair do fervedouro e ir até um rio próximo, onde é possível se limpar da areia que pode ter entrado dentro dos trajes de banho. O banho de rio não foi muito agradável pela presença de incômodas moscas.

Fervedouro do Soninho ou Fervedouro da Korubo

Após todos os grupos terem curtido seus 20 minutos de glória no fervedouro da Glorinha, partimos para mais um fervedouro, dessa vez o fervedouro do Soninho, ou da Korubo, já que fica dentro de propriedade da empresa.

O fervedouro do Soninho é bem maior do que o da Glorinha e por conta disso, não apresenta limitação de acesso. Por outro lado, o efeito das bolhas é menos sentido, mas a transparência e beleza das águas é igualmente incrível. 

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
O Fervedouro do Soninho é mais amplo e não tem limite de pessoas

Eu que não sei nadar, me deliciei nas águas desse fervedouro que, apesar de em vários pontos não dar pé, me impedia de afundar.

Era como se eu subitamente tivesse aprendido a nadar. De qualquer forma, foi nesse dia que eu me determinei a aprender a nadar, definitivamente. Fervedouro é só aqui no Jalapão mesmo.

Depois desse fervedouro, foi a hora de almoçarmos, ali mesmo no saída do fervedouro da Korubo.

Cachoeira da Formiga

A terceira parada do dia foi na incrível Cachoeira da Formiga. Incrível porque depois de termos visto as águas incríveis dos fervedouros, ninguém esperava que veríamos uma cachoeira de beleza tão única e de águas ainda mais transparentes e esverdeadas. 

Quando chegamos, foi uma sucessão de fotos. Eu fotografei a cachoeira algumas vezes e olhava para ela e começava a fotografar novamente. Nenhuma foto parecia ser o bastante.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga
Coloração e transparência impressionantes na Cachoeira da Formiga

O acesso para a cachoeira pode ser feito de diversas formas. Algumas escadinhas estão distribuídas e uma plataforma permite o mergulho. Uma alternativa mais tranquila é entrar pela lateral, onde um caminho de águas super tranquilas e baixas, na altura da cintura, permitem que os menos aventureiros possam ir caminhando.

Quando se chega no poço central, a força das águas é impressionante (mesmo em época de seca) e é difícil não se deixar levar pelas águas. Um dos registros que adorei fazer foi esse debaixo da água, com a força das águas correndo contra a câmera e ao mesmo tempo todos os tons de verde encontrados na cachoeira.

Jalapão: Os Fervedouros e a Cachoeira da Formiga

O pessoal brincou muito na cachoeira, com mergulhos e também banhos na base da cachoeira. Em determinado momento, registramos esse momento com todos os Adventure Bloggers reunidos, fotografia tirada pelo nosso companheiro de grupo Marcos.

Ninguém queria ir embora, mas chegou a hora de partir. Por volta das 16h abandonamos a cachoeira e por volta das 17h chegamos em Mateiros.

Mateiros

A parada em Mateiros foi para visitar uma loja de artesanato de Capim Dourado. Achei a parada um pouco decepcionante, apenas uma loja com alguns produtos dispostos, nenhuma informação de como eles são confeccionados ou contato com artesões.

O objetivo principal, que é o de comprar o artesanato que aqui pode ser encontrado muito mais barato, foi atingido. Quem quis, pode comprar bastante produtos. 

No refeitório do Safari Camp da Korubo, os produtos de artesanato são apresentados com etiquetas que identificam o nome dos artesões. Os preços são semelhantes aqueles da Casa do Artesão, em Mateiros.

Capim Dourado Jalapão
Artesanato do Capim Dourado, tradicional do Jalapão

Mateiros tem pouco mais de 2.000 habitantes e fica 240 km distante de Palmas, capital do Tocantins. Além da Casa do Artesão, onde é possível encontrar o artesanato, existe uma praça e uma sorveteira. O resto são as casas de seus moradores. 

Aqui foi a oportunidade para falar ao telefone, já que durante toda nossa estadia no Jalapão ficamos sem sinal de telefonia celular. Já o acesso à internet foi um pouco mais complicado e não consegui postar nenhuma foto.

O final de tarde foi chegando e foi um dos mais belos da viagem, o sol estava muito perto e tingiu o céu de cores incríveis. Nada melhor para encerrar um dia cheio de lugares lindos do que um belo pôr do sol.

O retorno até o acampamento foi demorado e quando chegamos ainda jantamos e recebemos as instruções para o próximo dia, que seria o do Trilha para a Serra do Espírito Santo. E assim terminou mais um dia no Jalapão.

Um belo final de tarde em Mateiros

Assista aqui o vídeo dos fervedouros e da Cachoeira da Formiga.


Dia 4:
Trilha na Serra do Espírito Santo

Acordamos super cedo para fazer a trilha logo cedo para não sofrer tanto com o sol. O caminhão quebrou e tivemos que fazer a trilha à tarde.

Houve uma tentativa por parte de algumas pessoas do grupo para mudar a programação para um passeio mais light, mas tanto eu como outras pessoas queríamos conferir o visual do alto da serra. Aliás, para mim era um dos dias mais esperados.

O pessoal da Korubo deixou o grupo livre para decidir, mas deixou claro que mesmo se apenas 1 pessoa quisesse fazer a trilha, eles teriam que fazer (já estava na programação do roteiro).

Portanto, fomos mesmo assim. A manhã foi livre, boa parte do grupo aproveitou para fazer uma trilha bem leve dentro do acampamento, sempre tangenciado o Rio Novo. Depois, o programa era sempre um banho de rio.

Prainha do Rio Novo, em frente ao acampamento

Por volta das 15h30 partimos de volta para a trilha da Serra do Espírito Santo. Dessa vez até deu nervosinho na hora de ligar o caminhão, mas deu tudo certo e saímos.

O caminho novamente é longo, muita estrada de terra (a estrada TO-225 que segue em direção a Mateiros), mas o bom é que no caminhão da Korubo sempre dá para conseguir um lugar na parte externa e ficar admirando a paisagem, que é belíssima. 

No caminho, paramos para ajudar um carro atolado na estrada, o que acabou nos atrasando um pouco.

Passamos pela entrada para as dunas do Jalapão (o caminho é o mesmo) e seguimos ainda mais um pouco adiante. No caminho, o nosso guia Mauro ainda nos deu algumas castanhas e frutas, para dar uma energia extra para a trilha.

Eu precisaria. Além de ter que subir cerca de 1km montanha acima, eu estava com o nariz obstruído, provavelmente por causa do tempo seco na região. Ou seja, além do esforço normal que eu teria para subir uma trilha, ainda subi-la com dificuldade para respirar pelo nariz seria uma dificuldade adicional. Pelo menos o sol não estava tão forte, o que por um lado era ruim pois não deixou a paisagem tão bonita, por outro lado foi bom porque deixou a trilha um pouco mais castigante.

A trilha até o Mirante da Serra do Espírito Santo começa e requer cuidados. Apesar de em vários trechos a trilha contar com cordas que ajudam bastante a subir ou buscar um apoio adicional para os trechos mais complicados, existem várias pedras soltas no caminho, que demandam atenção redobrada. 

Pedras soltas no caminho atrapalham, mas as cordas auxiliam para subir a trilha

Depois de algo em torno de 1 hora de subida, com paradas para fotos, lógico, chegamos ao topo. Em momentos diferentes, aliás, cada um chegou no seu momento. Aliás, os guias da Korubo se distribuem entre o pessoal para que ninguém fique sozinho na trilha. Mauro seguiu na frente e outro guia acompanha o pessoal que ficou mais para trás.

Quando cheguei lá no topo, o guia Mauro nos esperava para um tradicional foto em uma pedra, com a serra e o vale como pano de fundo.

O lance é ficar na pontinha de uma pedra que a foto fica ainda mais irada, mas o problema é mesmo coragem para ficar bem na extremidade.

O cenário é incrível, pena que realmente não pudemos ficar mais tempo para admirar.

Hora de parar para tirar uma fotografia diante desse cenário incrível

O dia estava terminando e tínhamos apenas mais alguns minutos para chegar até o ponto final da trilha do Mirante da Serra do Espírito Santo, e ainda faltavam mais 3 km de trilha. A sorte que eram 3 km de trilha plana, mas ainda assim eram 3 km. 

Fiz a trilha correndo na maior parte dos momentos.

O sol ia descendo, o que aumentava o meu desejo de chegar ao final da trilha antes que o sol encontrasse o seu ocaso. Por via das dúvidas, no meio da trilha resolvi fazer alguns registros, para o caso de não encontrar mais o sol naquele dia. No meio da trilha encontrei o Guilherme, e seguimos na trilha em busca de mais um pôr do sol.

Essa foto representa um pouco dessa minha paixão pelo pôr do sol, de como ele modifica a paisagem e transforma tudo, ao mesmo próximo, ao mesmo tempo distante

Depois de mais de 30 min de trilha, que pareceram muito mais longos em função da corrida contra o tempo, chegamos no final.

Encontramos afinal o ponto onde por força do vento e das águas, as serras se transformando em dunas. Dois dos pontos mais emblemáticos do Jalapão reunidos, um dando origem ao outro. 

E o melhor, chegamos antes do sol se esconder atrás de algumas nuvens. Tá certo que não foi um pôr do sol bonito, pelo contrário, o sol estava bem tímido atrás do céu enevoado, mas representou o final de mais um dia no Jalapão.

E no final das contas, nem era para estarmos ali naquele momento, já que aquele passeio havia sido programado para a manhã, então aquele pôr do sol do alto da serra veio no lucro. E que lucro, vamos combinar.

O sol tímido em suas últimos momentos, no final da trilha do mirante da Serra do Espírito Santo

Lembrei aqui novamente do pôr do sol no Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina.

Mas a trilha ainda não tinha terminado. Foram mais 30 minutos de volta (ou 3 km) e no momento em que terminamos a parte da trilha plana, tinha escurecido totalmente.

Tivemos que fazer a trilha de descida na mais completa escuridão, justamente a descida que para mim é mais complicada que a subida, por conta dos riscos de escorregar e pela pressão nos joelhos. As pedras soltas no caminho completam o risco. Cada um com sua lanterna, que fomos alertados previamente a levar, descemos vagarosamente a trilha. 

Com cuidado, todos conseguimos chegar sãos e salvos em “terra firme”. E super cansados, sentamos no chão enquanto esperávamos todo o grupo terminar de descer, e ficamos contemplando o céu absolutamente estrelado de mais uma noite no Jalapão.

Voltamos pregados para o acampamento, mas ninguém queria perder a noite de fogueira no nosso último dia de Safari Camp. Sentamos todos em volta da fogueira e ouvimos histórias do nosso guia Mauro.

Confira o vídeo desse dia na trilha da Serra do Espírito Santo


Dia 5:
Cachoeira da Velha e Prainha

Jalapão: Dicas e Roteiro de Viagem - Korubo
Grupo reunido no nosso último dia de volta, retorno para Palmas

Infelizmente, era hora de ir embora do Safari Camp da Korubo no Jalapão. Todo mundo se despediu da sensacional equipe da Korubo, que transformou essa em uma das viagens em grupo mais legais que eu já fiz.

Mas ainda tinha algumas atrações pela frente. No caminho de volta para Palmas, fizemos duas paradas.

A primeira foi na Cachoeira da Velha. O volume de águas impressiona, do mesmo Rio Novo que no acampamento era tão tranquilo, agora virava uma queda de água fantástica. Infelizmente, não dá para tomar banho por aqui, devido a força das águas, mas é possível percorrer vários caminhos para conferir a cachoeira de diferentes ângulos.

Chegando na Cachoeira da Velha, através de uma passarela suspensa
Jalapão - Cachoeira da Velha
Incrível queda d’água na Cachoeira da Velha

Depois de visitarmos a Cachoeira da Velha, foi a vez de curtir a Prainha, que fica bem perto. Tem uma trilha até lá, mas fomos pelo caminhão da Korubo.

O local é paradisíaco, as águas do rio Novo novamente se transformam e ficam bem tranquilas, formando uma praia de areias claras e transparência. Aliás, paraíso é mesmo o que a gente lembra do local, tanto que por sua natureza praticamente intocada a Prainha foi uma das locações escolhidas pelo filme “Deus é Brasileiro”, com Antônio Fagundes.

Aliás, o estado de Tocantins tem incentivado a produção cinematográfica, pelos dias iluminados, povo receptivo e especialmente por seus lindos “cenários” naturais.

Prainha, quem diria que depois da Cachoeira da Velha, o Rio Novo ganharia águas tão tranquilas

Logo após a Prainha, o pessoal da Korubo preparou um lanche reforçado delicioso, com tortas salgadas e bolo, acompanhados do já básico suco bem gelado.

E depois de comer, foi hora de botar o pé na estrada novamente. A viagem de volta pareceu mais longa, provavelmente por já estarmos cansados, mas contou novamente com parada em Ponte Alta para troca de caminhões.

Quando chegamos em Palmas, foi a hora de retomar contato com a internet e as linhas telefônicas.

Por incrível que pareça, tive até preguiça de voltar a usar as redes sociais e o telefone. Todo aquele isolamento de comunicação no Jalapão permitiu uma ligação mais direta com o lugar que estávamos visitando, sem a preocupação/ocupação de postar cada momento no Facebook ou no Instagram. E lógico, proporcionou uma paz que a internet às vezes nos rouba. 

O pessoal do Adventure Bloggers se rueniu e saímos para jantar com o nosso super amigo do blog Dudu Afora, que além de nos acompanhar por uma gostosa caminhada pelo centro de Palmas, ainda nos preparou um kit com um ótimo material turístico do Tocantins (foto à direita). Valeu Dudu!!!

Depois, rodamos pelo centro atrás do Centro Geodésico do Brasil, que fica na ala norte do Palácio Araguaia. No piso em torno do centro, está uma Rosa dos Ventos e referências a etnias indígenas do Tocantins.


Dia 6:
Palmas

Último dia de viagem, ainda aproveitamos para conhecer melhor a Praça dos Girassóis, um complexo de prédios públicos como o Palácio Araguaia, o monumento em homenagem a Coluna Prestes e o Centro Geodésico do Brasil. Tudo sob um calor intenso, por isso aproveitamos a caminhada no horário mais cedo possível.

Uma viagem ao coração do Brasil, foto do Centro Geodésico do Brasil

Depois aproveitamos um pouco da piscina da Pousada dos Girassóis e o pessoal começou a ir embora em seus respectivos vôos. Foi chegando a hora de eu ir embora e aquela saudade gostosa de tudo o que foi vivido.

Com certeza, guardo ótimas recordações do Jalapão, de todas as minhas expectativas e preocupações como o isolamento, a possível falta de infraestrutura e a ausência de comunicação, se transformaram numa adorável experiência no coração do Brasil.

Nota: O Viagens Cinematográficas viajou a convite da Korubo Expedições, dentro do projeto Adventure Bloggers, mas as opiniões aqui expressas representam a nossa livre opinião e baseadas em nossa experiência no local.

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Fabio Pastorello

Fabio Pastorello

Editor do Viagens Cine, fotógrafo e videomaker. Curte cinema e leva a vida e as viagens com toques de romance, drama e aventura. Formado em Letras, ex-bancário e muito mais feliz como blogueiro de viagens.

16 comentários

  1. Oi! Eu estava procurando excursões no Jalapão e vi que vário pacotes não incluíam a Trilha da serra do Espírito Santo e o Rafting no Rio Novo, vocês tiveram que pagar algo a mais por eles?

  2. Fabio, boa tarde!!

    Trabalho com excursões em SP, MG, RJ e PR e, gostaria de saber se vale a pena algo partindo de SP x TO.

    Tem como nos falarmos via WhatsApp?

    Segue o meu: 011 9 9321 0369

    1. Oi, Sheila. Os lugares em si são deliciosos, o problema são os trajetos, um pouco demorados em estrada de terra e solavancos. Aí realmente depende se você acha que o seu filho(a) curtiria?

  3. Pena que vc tem que vender um rim pra poder ir. Fui pra Colombia gastei menos da metade de uma viagem pro jalapão 😛

    1. Sério mesmo, Rildson? Colocou todos os gastos na conta? Porque esse roteiro no Jalapão foi com tudo incluído, então fiquei 6 dias sem colocar a mão na carteira. Mas realmente é um lugar de logística complicada, justifica o investimento. Abraços.

  4. Eba, valeu Maurício. Você sabe que eu me inspiro sempre no seu trabalho, viu? Depois te pago direitos autorais. hehehehe… Quando ao e-book, tamo junto!!! Amei. Com certeza, estou com saudades de viajar contigo, é sempre muito bom!!! Abração!

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